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Como trio sem experiência em jogos grandes pode fazer a diferença na Champions League

Você já ouviu aquela sobre o uruguaio, o holandês e o espanhol? É assim: todos entrariam em quase qualquer outro time que não aquele em que jogam hoje, mas cada um deles – tanto no Real Madrid, quanto no Barcelona e no Atlético de Madrid, respectivamente - teve que lutar por uma vaga no time titular, por sua posição. Eles tiveram que lutar pelo direito de sonhar em ganhar a Champions League este mês.

Estamos falando de Federico Valverde, Frenkie de Jong e Marcos Llorente.

Valverde pode se tornar o terceiro uruguaio a ser titular em um time campeão europeu na decisão, caso o Real Madrid chegue tão longe. A primeira temporada de De Jong no Camp Nou foi marcada por lesões e uma mudança de treinador. Llorente se destacou pelo Atleti depois de ser dispensado do clube que torce (Real Madrid), em parte pelo surgimento e pela importância de Valverde.

Algum desses três pode ajudar seu clube a colocar as mãos no troféu mais cobiçado da Europa após a temporada mais longa e estranha dos 65 anos de história da competição?

Os três jogam em times cujos ídolos atuais são bem mais velhos. Eles são meros garotos, mas são importantes, e cada um pode ter uma grande influência se o seu clube avançar no jogo “mata” que vai disputar na semana que vem.

Pense em Valverde. Sim, ele jogou no time de Zinedine Zidane 43 vezes nesta temporada, mas ele fez 22 anos apenas alguns dias atrás, então não tem a mesma experiência de Sérgio Ramos, Luka Modric e Karim Benzema, que fazem isso há mais de uma década. O uruguaio - que acabou de ganhar seus dois primeiros troféus com o Real Madrid - se tornou um volante inteligente, combativo e criativo. Estamos falando de um jogador talentoso ainda em busca de sua posição perfeita, papel perfeito, momento perfeito para emergir e se encaixar como a peça que faltava no quebra-cabeça.

Para Julen Lopetegui na última temporada, Valverde poderia muito bem não ter existido. Ele apareceu no banco de reservas, mas não jogou em LaLiga. Santi Solari gostava do uruguaio, mas geralmente como alguém que entrava no fim da partida para ganhar tempo. Em uma fila para vagas no meio do Real, Llorente - então ainda no Bernabéu – recebeu mais chances. É, as coisas podem mudar rapidamente no futebol.

Assim que o dinâmico Valverde jogou para Solari, contra o Real Betis, o Real Madrid venceu. Assim que Zidane assumiu, Valverde começou a ser titular regularmente. Agora ele é influente, bem-sucedido, vencedor e alguém cuja estrela está em ascensão.

"Os meias modernos precisam ser uma combinação de tudo. Estamos de volta a uma era de futebol total", disse ele. "Adoro o lado premente do nosso jogo, cortar passes, roubar a posse ... e, é claro, dar assistência e marcar gols continuam sendo aspectos importantes. Mas tento fazer de minhas atuações um compilado de tudo isso”.

Valverde realmente conquistou seu lugar na Supercopa de Espanha em janeiro.

Com cinco minutos restando para o fim do jogo e o placar indicando que teríamos cobranças de pênaltis para definir o finalista, Morata recebeu um passe de Saúl e ficaria cara a cara com Courtois. Valverde, sem pensar duas vezes, deu um carrinho por trás do atacante espanhol e acabou expulso, mas impediu que Morata tivesse a chance de matar a partida. Minutos depois, o Real Madrid venceu a disputa por pênaltis e Valverde foi considerado o melhor em campo.

Assim, o valor do uruguaio e o respeito de Zidane estão bem estabelecidos, mas Valverde acabou ficando muito cansado nas partidas de retorno e começou a ficar mais no banco de reservas. Enquanto isso, o 4-3-3 de Zidane tinha Casemiro, Toni Kroos e Luka Modric fazendo a segunda linha, e deu muito certo para o Real.

Contra o Manchester City na próxima semana, tendo perdido o jogo de ida por 2 a 1 e sem o capitão Sérgio Ramos, Valverde vai ser titular? Se sim, em qual posição? Será que sua velocidade, capacidade de recuperar a bola e poder de criação, darão aos campeões de 2017 e 2018 uma chance contra o Manchester City de Pep Guardiola?

Não aposte contra ele.

De Jong é um caso diferente. Apenas cerca de um ano mais velho que Valverde, o holandês tem números mais impressionantes.

Veterano de uma final da Liga Europa, De Jong já derrotou times como Schalke 04, Benfica, Tottenham, Juventus, Real Madrid, Inter de Milão e Borussia Dortmund em competições da Uefa. Rápido e ousado, com a capacidade de passar pelos adversários ou organizar um jogo passando a bola, ainda há uma expectativa legítima sobre o que esse jovem poderá fazer quando amadurecer. Das recentes compras do Barcelona (Ousmane Dembélé, Philippe Coutinho, Antoine Griezmann), De Jong atraiu o mínimo de críticas, mas se ele é realmente um jogador de futebol da realeza - e parece ser o caso - quando será que o seu clube começará a colher os frutos após ter desembolsado mais de R$ 300 milhões?

A verdade é que, quando ele apareceu para o mundo e venceu Real Madrid e Juventus na última temporada, De Jong jogou como um dos dois meias organizadores em um 4-2-3-1. Eu realmente não ficaria chocado se Quique Setién utilizasse essa formação para tentar se livrar do Napoli. A partida de ida foi 1 a 1, mas a equipe de Gennaro Gattuso, que venceu a Juve e levantou a Copa da Itália em uma exibição que daria calafrios aos torcedores do Barcelona, chegará com menos problemas.

Em torno de De Jong, não pela primeira vez, existe caos.

Arthur, que está prestes a ir para a Juventus, voltou para o Brasil e deixou claro que não tem mais interesse em ajudar o clube que está prestes a deixar. Arturo Vidal? Ele desfrutou de uma pausa curta e animada depois que o Barcelona perdeu o título da liga e foi suspenso da partida de volta do Napoli depois de seu cartão vermelho na Itália em ... bem, alguém se lembra de quando a partida de ida foi disputada? Faz tanto tempo. Só para acrescentar aos fatos debilitantes que o Barcelona enfrenta, Sergio Busquets também está suspenso, o que significa que, salvo lesões, uma parceria entre Ivan Rakitic e De Jong é uma certeza . Na parte de trás, o Barcelona está fazendo de tudo para conseguir escalar Clement Lenglet após o francês sofrer uma lesão na virilha. Ele deve fazer parceria com o sempre sólido Gerard Pique, enquanto Sam Umtiti e Ronald Araújo seguem fora por lesão.

Este é um momento para De Jong causar o principal impacto desde que chegou ao Barcelona. Esta é uma oportunidade de revisitar a fase das quartas de final, quando, na última temporada contra o Real Madrid, ele mandou nos jogos.

Será que ele consegue? Será que ele vai? Setién é esperto o suficiente para colocar De Jong na melhor posição possível para ter sucesso e ajudar o seu time? Vamos descobrir em breve.

E isso nos deixa com Llorente.

O último a sair de uma família que vive o futebol, seu pai, seu tio e seu tio-avô (Paco Llorente, Julio Llorente e o poderoso Paco Gento) ganharam quase 40 troféus com o Real Madrid. Paco e Julio eram defensores, o tio-avô Paco era um atacante muito talentoso - um dos maiores de todos os tempos -, mas Marcos é um meia organizador: presente, atlético, determinado. Ele não foi dominante em nenhum outro lugar além da temporada de empréstimo no Alavés, onde foi o grande fator para o time ter se mantido na elite espanhola e chegado na final da Copa do Rei sob o comando de Mauricio Pellegrino.

Llorente estava um pouco perdido na formação de Diego Simeone quando era usado como pivote no meio, mas agora o ex-jogador do Real Madrid, que está se tornando o queridinho dos torcedores do Atleti, de repente é um talismã: uma invenção da Simeone que está começando a parecer uma jogada de mestre. Um ajuste em seu posicionamento tirou Llorente do mundo dos volantes e o colocou na galáxia dos atacantes, onde estrelas brilham como meteoros.

O experimento começou em Anfield nas oitavas de final. O Liverpool tinha 2 a 0 no placar e jogava melhor. Dez minutos após o intervalo, Simeone tirou seu único atacante, ignorou Morata no banco, colocou Llorente e pediu que ele jogasse como falso 9. Não havia ninguém para Virgil van Dijk marcar quando Atleti começou a chegar perto da área. A responsabilidade de marcar o gol foi dada a Llorente.

Quando o goleiro reserva do Liverpool, Adrián, cometeu um erro terrível e deu a bola para João Felix, o Atleti ainda parecia longe do gol. Llorente recebeu o passe de seu companheiro de equipe português e colocou a bola no cantinho do gol do Liverpool. Llorente cresceu no maior momento de todos. Ele fez o mesmo com sua próxima oportunidade, dando a assistência para Morata fazer 3 a 2 para o Atlético.

A paralisação das ligas logo aconteceu, dando a Simeone tempo para refletir, e ele declarou ao seu time (além da imprensa) que não acreditava que Morata e Diego Costa pudessem jogar juntos. Llorente, em seguida, atuou como atacante em um jogo-treino, fazendo o único gol da partida.

Desde aquele dia em Merseyside, ele foi transformado.

Não é apenas claro ver o seu prazer ao jogar, ele não apenas fez gols e ajudou o Atlético, como também injetou dinamismo a um time que, finalmente, parece estar perdendo parte de seu conservadorismo e se soltando um pouco mais. Llorente é apenas uma engrenagem na máquina, mas sua importância e sua probabilidade de influenciar a classificação (ou não) do Atleti para a primeira semifinal de Champions da equipe desde 2017 aumentaram exponencialmente. Talvez Zidane e Setién possam, com pequenos ajustes para Valverde e De Jong, conseguir algo semelhante?

Aí vem a Champions League, onde mesmo pequenas decisões táticas, caso deem certo, podem ganhar o maior prêmio.