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Do campeão Liverpool ao fracasso do Arsenal e os rebaixados: as notas da temporada da Premier League

A temporada 2019-20 da Premier League finalmente chegou ao fim com todos os problemas em campo resolvidos, apesar da paralisação de três meses por conta do coronavírus que ameaçava deixar a primeira divisão da Inglaterra em desordem total.

O Liverpool foi coroado campeão pela primeira vez desde 1990, o Manchester United está de volta à Champions League e o Aston Villa garantiu a permanência na primeira divisão inglesa, enquanto Bournemouth e Watford se juntaram ao Norwich como rebaixados.

Alguns clubes superaram, e outros ficaram aquém das expectativas. Enquanto a poeira começa a baixar em uma temporada diferente da Premier League, a ESPN emitiu seu veredicto: notas de fim de ano. Elas levam em consideração as expectativas da pré-temporada, dinheiro gasto e desempenho geral.

Liverpool

Campeão, 99 pontos (+52 saldo de gols)

Nota: 10

O Liverpool foi o melhor clube da Inglaterra em todos os sentidos, com os comandados de Jurgen Klopp dando fim à seca de 30 anos do clube em título de liga além de conquistar a Supercopa da Uefa e o Mundial de Clubes da Fifa para completar uma temporada 2019-20 inesquecível. Eles quebraram vários recordes também: o Liverpool conquistou o título com 7 jogos restantes, se tornou o time mais rápido a atingir 30 vitórias em uma temporada, teve o melhor começo de todos os tempos (61 pontos em seus primeiros 63 disputados) e terminou com 32 vitórias na liga para igualar a marca estabelecida pelo Manchester City em 2017-18.

Terminou com 99 pontos, não conseguindo quebrar o recorde de 100 pontos do City. A tentativa de defender seu título de Champions League terminou com uma eliminação para o Atlético de Madrid nas oitavas. A equipe de Klopp chegou perto da perfeição em diversas oportunidades nesta temporada.


Manchester City

2° lugar, 81 pontos (+67 saldo de gols)

Nota: 6

A nota é reflexo dos padrões incrivelmente altos estabelecidos pelo Manchester City sob o comando de Pep Guardiola, mas, se vencerem a Champions League em Lisboa no próximo mês, a nota final será 10. Dentro da Inglaterra, no entanto, sempre sabíamos que era impossível melhorar a façanha histórica da última temporada de alcançar a tríplice coroa: Premier League, Copa da Inglaterra e Copa da Liga Inglesa.

Apesar de terminar como vice-campeão, o City perdeu nove de seus 38 jogos e terminou 18 pontos atrás do Liverpool. Eles venceram a Copa da Liga pelo terceiro ano consecutivo, mas os padrões claramente caíram no Etihad nesta temporada.

Kevin De Bruyne tem sido o melhor jogador do time, mas os problemas defensivos precisam ser resolvidos se o City quiser destronar o Liverpool na próxima temporada.


Manchester United

3° lugar, 66 pontos (+30 saldo de gols)

Nota: 8

O Manchester United foi de uma sexta colocação na temporada passada para terminar esta como "o melhor do resto". O time de Ole Gunnar Solskjaer ficou em terceiro e conseguiu a vaga direta para a Champions League, mas o caminho teve alguns percalços. Às vezes, o trabalho do treinador pareceu até ameaçado.

O United fez o seu pior início de Premier League e sofreu quatro derrotas em janeiro, mas, depois de fazer grandes mudanças na janela do meio do ano passado, ao contratar vários jogadores experientes, incluindo Romelu Lukaku, Ander Herrera e Alexis Sánchez, a jovem equipe de Solskjaer se saiu bem no final, com a contratação de Bruno Fernandes realmente sendo o divisor de águas.

O United ainda está em transição, mas, finalmente, parece estar em uma trajetória ascendente outra vez.


Chelsea

4° lugar, 66 pontos (+15 saldo de gols)

Nota: 8

Frank Lampard superou as expectativas em sua primeira temporada como técnico do Chelsea, e ele ainda pode terminar com um troféu se sua equipe vencer o Arsenal na final da FA Cup.

Lampard herdou uma equipe que havia acabado de vender Eden Hazard ao Real Madrid e não pôde substituí-lo porque o clube havia sido proibido de contratar jogadores, mas, apesar dos desafios que enfrentou, o ex-técnico do Derby County levou o Chelsea ao quarto lugar. Ao recorrer aos jovens da base, como Mason Mount, Tammy Abraham, Fikayo Tomori e Billy Gilmour, Lampard colocou o Chelsea em uma posição muito interessante para o futuro. A classificação para a Champions ajudará a acelerar o trabalho de reconstrução.


Leicester City

5° lugar, 66 pontos (+26 saldo de gols)

Nota: 8

Tendo ocupado uma posição entre os quatro primeiros desde setembro, a reação imediata ao terminar em quinto seria sugerir que o Leicester desperdiçou sua chance de retornar Champions League. Mas se o técnico Brendan Rodgers prometesse uma vaga em competição europeia no início da temporada, o quinto lugar teria parecido o auge das ambições do Leicester devido aos clubes contra os quais o modesto clube competiu.

Os gols de Jamie Vardy - ele ganhou a Chuteira de Ouro com 23 gols - foram cruciais para levar o Leicester para a Liga Europa, mas as lesões de James Maddison, Ben Chilwell e Ricardo Pereira acabaram por atrapalhar os Foxes. Se eles estivessem em forma, é difícil imaginar que o Leicester teria sofrido uma queda assim na reta final da temporada


Tottenham

6° lugar, 59 pontos (+14 saldo de gols)

Nota: 6

A derrota na final da Champions League na última temporada contra o Liverpool foi um divisor de águas para o Tottenham, com Mauricio Pochettino avisando que o clube precisava se fortalecer. Os Spurs não fizeram o suficiente, e Pochettino foi demitido em novembro, com a equipe na 14ª posição na Premier League.

José Mourinho fez bem em reviver o Tottenham para garantir a classificação para a Liga Europa, mas há uma sensação inevitável de que o clube vai passar, mais uma vez, por uma janela de transferências crucial. Para um time com tanto talento, o Tottenham deixou a desejar.


Wolverhampton

7° lugar, 59 pontos (+11 saldo de gols)

Nota: 8

O Wolverhampton se estebeleceu como uma força da Premier League, garantindo o sétimo lugar por duas temporadas consecutivas desde a promoção em 2018, mas a equipe de Nuno Espirito Santo poderia ter ido além. Os gols de Raul Jiménez e as jogadas laterais de Adama Traoré foram cruciais para o Wolves, mas a falta de profundidade forçou Nuno a contar com um pequeno núcleo de jogadores-chave e o desgaste foi a ruína da equipe.

No momento, os Wolves estão esperando para descobrir o panorama completo da temporada, com a vaga na Liga Europa dependendo de uma derrota do Arsenal na final da Copa da Inglaterra. Eles também podem garantir vaga na Champions League ao vencer a Liga Europa no próximo mês - se isso acontecer, a nota será 10.


Arsenal

8° lugar, 56 pontos (+8 saldo de gols)

Nota: 4

Se o Arsenal vencer a Copa da Inglaterra no sábado, uma temporada sombria será resgatada pelo título e pela qualificação para a Liga Europa, mas mesmo esse sucesso não deve encobrir a realidade da pior classificação do clube na Premier League desde 1995. A demissão do técnico Unai Emery, em novembro, resultou na contratação de Mikel Arteta e o ex-capitão do Arsenal tomou algumas decisões difíceis, como sacar Mesut Ozil e Matteo Guendouzi e promover o adolescente atacante Bukayo Saka.

Arteta parece estar no caminho certo, mas se o Arsenal acabar sem o título da Copa da Inglaterra e sem competições europeias na próxima temporada, o clube londrino poderá perder o artilheiro Pierre-Emerick Aubameyang nesta janela, o que seria desastroso para o projeto de reconstrução do clube. O resultado é importantíssimo para o futuro do Arsenal.


Sheffield United

9° lugar, 54 pontos (0 saldo de gols)

Nota: 10

A equipe de Chris Wilder superou todas as expectativas nesta temporada ao garantir uma posição entre os 10 melhores, tendo sido promovido de volta à Premier League após uma ausência 12 anos longe da elite do futebol inglês. Cotado por muitos antes do começo da temporada para ser rebaixado, o Sheffield United passou a temporada toda na metade superior e esteve até mesmo na disputa por vaga em competições europeias no fim do campeonato.

Wilder, que já passou por todas as cinco divisões profissionais do futebol inglês, obteve sucesso com praticamente o mesmo time que foi promovido há um ano, e os resultados da equipe nesta temporada levaram o técnico de 52 anos a receber o prêmio de técnico da temporada da Premier League.

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Burnley

10° lugar, 54 pontos (-7 saldo de gols)

Nota: 8

Sean Dyche continua a desafiar a gravidade com o Burnley, um clube de uma cidade com uma população de apenas 70 mil habitantes que compete contra times de grandes cidades com recursos muito maiores – e consegue alguns bons resultados.

O goleiro Nick Pope está prestes a se tornar o goleiro da seleção da Inglaterra ao sofrer apenas 15 gols nesta temporada, enquanto o ponta Dwight McNeil chamou a atenção do Manchester City. Os 14 gols de Chris Wood na PL também foram cruciais, mas o segredo do Burnley é o espírito coletivo de uma equipe de profissionais comprometidos que fazem aquilo que é pedido por seu treinador.


Southampton

11° lugar, 52 pontos (-9 saldo de gols)

Nota: 6

O Southampton estava na zona de rebaixamento enquanto o técnico Ralph Hasenhuttl lutava por seu emprego, após a humilhação que foi aquela derrota por 9 a 0 contra o Leicester em outubro. Mas a diretoria dos Saints apoiou Hasenhuttl, e o austríaco guiou a uma campanha de meio de tabela, com o receio do rebaixamento indo embora antes da paralisação, em março.

Os gols de Danny Ings garantiram que o Southampton terminasse bem longe da zona de rebaixamento, mas o fato de o clube ter conseguido terminar a temporada de maneira tranquila é um atestado da capacidade do treinador.


Everton

12° lugar, 49 pontos (-12 saldo de gols)

Nota: 4

Uma temporada ruim poderia ter sido muito pior para o Everton, com Marco Silva demitido do cargo de treinador quando o clube estava na zona de rebaixamento em dezembro do ano passado. Carlo Ancelotti afastou a equipe do perigo, mas o italiano tem muito trabalho a fazer se quiser trazer algum tipo de estabilidade ao Goodison Park.

Uma janela de transferências ruim, incluindo uma contratação de 28 milhões de libras por Alex Iwobi e 25,1 milhões de libras por Moise Kean, mal melhorou a equipe de Silva, enquanto Jean-Philippe Gbamin, 23 milhões de libras, jogou apenas duas vezes em uma temporada repleta de lesões. O Everton tem dinheiro e, em Ancelotti, agora tem um técnico grande, mas esta temporada deve ser esquecida, e é preciso reaver tudo se o Everton quiser disputar torneios europeus no ano que vem.


Newcastle United

13° lugar, 44 pontos (-20 saldo de gols)

Nota: 8

Steve Bruce fez um trabalho notável em sua primeira temporada no comando do time de St James 'Park, considerando os problemas que o clube enfrentou com sua nomeação. Substituto amplamente impopular de Rafael Benítez, Bruce levou o Newcastle United a uma campanha segura na Premier League alpem de ter conseguido a melhor campanha do clube na Copa da Inglaterra em 15 anos.

O meia Jonjo Shelvey foi o artilheiro com apenas seis gols no campeonato, enquanto os atacantes Miguel Almirón e Dwight Gayle marcaram apenas quatro. O brasileiro Joelinton, contratado por 40 milhões de libras (recorde da história do clube), marcou apenas dois gols na liga. Apesar de todos os desafios que enfrentou, Bruce manteve o Newcastle na primeira divisão com 10 pontos de sobra para o primeiro clube rebaixado.


Crystal Palace

14° lugar, 44 pontos (-20 saldo de gols)

Nota: 6

A sobrevivência será sempre a prioridade do Crystal Palace na Premier League, e isso foi alcançado sem muitos riscos. Mas os alarmes devem soar no Selhurst Park por conta do número de jogadores que se aproximam dos 30 anos no time de Roy Hodgson.

O Palace perdeu sete e empatou um de seus nove jogos após o reinício da Premier League e, com a temporada 2020-21 a poucas semanas de distância, os maus resultados nos estágios finais da última temporada sugerem uma longa campanha pela frente para o clube.


Brighton

15° lugar, 41 pontos (-15 saldo de gols)

Nota: 8

O Brighton evitou o rebaixamento na temporada passada por pouco, e isso quase levou o clube a demitir o técnico Chris Hughton e substituí-lo por Graham Potter, apesar da falta de experiência do treinador na Premier League. Foi uma aposta da diretoria do Brighton, e Potter superou momentos difíceis nesta temporada para finalmente garantir a permanência na elite inglesa.

O atacante francês Neal Maupay, contratado por Potter na janela de transferências de julho de 2019, foi uma figura-chave na sobrevivência de Brighton, com 10 gols em sua primeira temporada na Premier League.


West Ham

16° lugar, 39 pontos (-13 saldo de gols)

Nota: 4

Se os troféus fossem dados por prometer muito e entregar pouco, o West Ham disputaria esse título com o Everton.

Outro verão de gastos desenfreados - 45 milhões de libras por Sebastien Haller; 25,2 milhões de libras por Pablo Fornals - não fez nada para transformar a sorte do West Ham, mas a demissão de Manuel Pellegrini como técnico em dezembro viu a chegada de David Moyes, que conseguiu manter o clube na primeira divisão. Dito isto, um clube do tamanho do West Ham não deve flertar com rebaixamento, considerando os recursos disponíveis.


Aston Villa

17° lugar, 35 pontos (-26 saldo de gols)

Nota: 8

Apesar de o Aston Villa ser, historicamente, um dos maiores clubes da Inglaterra, esta temporada tinha apenas um objetivo: a permanência na Premier League. O fato de o clube ter conseguido sobreviver na última rodada fez com que o treinador Dean Smith conseguisse enxergar a temporada como um sucesso. O Villa não apenas sobreviveu na Premier League como também chegou na final da Copa da Liga, antes de perder para o City. A aparição final da Copa e a sobrevivência na divisão após um ano de promoção podem ser vistos como um bom ano, mas sua grande tarefa agora é segurar o meia Jack Grealish.


Bournemouth

18° lugar, 34 pontos (-25 saldo de gols)

Nota: 4

De várias maneiras, o Bournemouth fez muito mais do que deveria nas últimas temporadas de Premier League. A verdade é que, até essa temporada, não havia risco de rebaixamento. Apesar da vitória na última rodada contra o Everton, a equipe de Eddie Howe não conseguiu escapar da queda, mas lesões, uma defesa deficiente e a falta de gols de Callum Wilson e Joshua King pesaram muito.

A recusa de Ryan Fraser de jogar após o retorno da liga porque seu contrato está terminando também jogou contra o Bournemouth, que perdeu o seu jogador mais criativo. Se Fraser tivesse jogado, o Bournemouth poderia ter ganho o ponto extra necessário para permanecer na Premier League.


Watford

19° lugar, 34 pontos (-28 saldo de gols)

Nota: 0

O rebaixamento do Watford é uma lição de como não administrar um clube da Premier League. A demissão de três treinadores em uma temporada é uma receita para o desastre, mas a saída de Nigel Pearson, com apenas dois jogos restantes para o fim da temporada, selou o destino do clube.

A queda provavelmente começou no fim da última temporada, quando o Watford perdeu seus últimos quatro jogos, incluindo uma derrota por 6 a 0 contra o Manchester City na final da Copa da Inglaterra. Em vez de resolver seus problemas na janela de meio de ano em 2019, o Watford permitiu que Javi Gracia permanecesse no comando antes de demiti-lo após quatro rodadas nesta temporada. A partir daí, tudo piorou e o preço a ser pago acabou sendo o rebaixamento.


Norwich City

20° lugar, 21 pontos (-49 saldo de gols)

Nota: 4

Quando Norwich venceu o Manchester City por 3 a 2 em setembro do ano passado, a equipe de Daniel Farke deu sinais de que poderia sobreviver em sua primeira temporada na Premier League. Mas os Canários ganhariam apenas mais um jogo antes do Natal, então seu estava praticamente selado antes de a temporada chegar na metade.

O artilheiro Teemu Pukki marcou apenas um de seus 11 gols no campeonato na segunda metade da temporada e, apesar de algumas boas atuações de Todd Cantwell e do goleiro Tim Krul, o Norwich ficou 14 pontos atrás do último time da Premier League que não foi rebaixado.