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Internacional: como Coudet 'aproveitou' pandemia para se aproximar do time que deseja

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Taison no Internacional? Coudet não descarta: 'Trocamos mensagens, seguramente gostaríamos de contar com ele' (2:19)

Técnico do Internacional concedeu entrevista 'virtual' nesta sexta-feira (2:19)

Após mais de 120 dias sem partidas oficiais, a expectativa no Internacional é que o time consiga dar continuidade ao bom momento que vivia antes da pandemia do novo coronavírus. Em meio ao turbilhão de acontecimentos que fizeram o clube, assim como outras equipes de futebol, mergulhar no que já é a pior crise financeira da história, há cartas na manga que podem pesar.

Quando o Internacional concretizou a negociação com o treinador Eduardo Coudet, o que se viu nos bastidores do Beira-Rio foi uma grande euforia. O argentino tinha feito um excelente trabalho no Racing-ARG, armava o time com estilo de jogo que, com frequência, repercutia nas rodas de conversas de dirigentes colorados. "Precisamos de um time mais agressivo", diziam.

Embora, inegavelmente, o grupo do Internacional já tivesse uma espinha dorsal, com uma boa campanha na Copa Libertadores e o vice-campeonato da Copa do Brasil, quando acabou amargando uma derrota em casa, faltava a equipe "sangue", como relatam pessoas ligadas ao clube. O time pós-final não foi o mesmo. Acabou o Campeonato Brasileiro na sétima posição.

Coudet chegou com a missão, quase que obrigatória, de colocar o Inter na fase de grupos da Libertadores. Entre acertos e erros, conseguiu "deslanchar" exatamente pouco antes de tudo parar. Em meio à pandemia, o técnico hoje, mesmo treinando o time coletivamente há menos de uma semana, conhece muito mais do que tem nas mãos.

"Um momento diferente. Estamos acostumados a fazer menos de um mês de trabalho físico. Desta vez, fizemos bastante mais de trabalho físico. É o terceiro dia com os trabalhos coletivos. É o que a gente está acostumado. É um clássico. A gente sabe que tem gostinho diferente, mas para dar pontapé inicial, é importante vencer, continuar na crescente que a equipe vinha tendo. Tenho certeza que quando voltar vamos estar preparados para fazer um ótimo jogo", destacou o titular de Coudet, Edenilson.

E por que Coudet conhece mais as suas possibilidades? Porque quis estar envolvido em todos os processos internos do clube. Chacho, como é apelidado, é um treinador bastante reservado, embora já tenha conquistado o carinho de funcionários com quem conviveu mais intensamente antes dos protocolos.

Quando chegou ao Inter, já conhecia todo o elenco, dos jogadores mais famosos aos menos conhecidos. Sabia, quase que na ponta da língua, as características específicas de cada jogador. Nesses quatro meses, permaneceu na capital gaúcha, se privou de estar com familiares, que seguiram em Buenos Aires. Passa o dia inteiro no clube. Mesmo quando trabalha pela manhã, volta no turno seguinte para dar sequência a uma "nova" demanda.

"As pessoas do futebol estão um pouco acostumados com a solidão, que não é cenário mais cômodo, não é o ideal, mas sabemos que por algum período temos que ficar bastante sozinhos, sentimos falta da família, eu sinto bastante, mas a comunicação hoje dá até a possibilidade de nos vermos, vamos levando", contou ele, em entrevista recente.

Entendendo o momento delicado e sem perspectiva para complementar o elenco com contratações, como já admitiu o próprio executivo do Inter Rodrigo Caetano, Coudet então se aproximou da base colorada. Ao longo das últimas semanas, pôde conversar inúmeras vezes com os treinadores que cuidam das categorias de formação.

Os meninos que foram destaque na Copa São Paulo de futebol junior já treinam com o elenco principal. A ideia é que componham o elenco e que, eventualmente, possam ser aproveitados para dar fôlego ao time que enfrentará um calendário intenso.

Além do olhar apurado com as promessas coloradas, Coudet fez questão de acompanhar juntamente com a comissão técnica todos os trabalhos realizados no Parque Gigante. "Ele esteve presente desde o primeiro dia nos acompanhando nos trabalhos físicos. Por a gente se conhecer mais, pode ajudar sim. Podemos conhecer bastante o que quer o professor, lógico, mais na parte teórica do que na prática. Mais conversamos do que treinamos”, afirmou o volante Edenilson.

As conversas, o fortalecimento da relação com áreas diversas do clube, os dias de muitas observações dos treinamentos, o esforço para adaptação à capital Porto Alegre, e, especialmente o desejo de manter o Inter como uma força do futebol sul-americano com um futebol competitivo, continuam sendo os grandes trunfos do treinador.

Da euforia do anúncio ao bom futebol jogado nos gramados até março, Coudet, sem dúvidas, reserva boas cartas na manga para a retomada do futebol.