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LaLiga: Chefão detona 'canetada' da CAS para absolver Manchester City, critica PSG e cobra fim de 'clubes-estado'

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Tebas cita golpe da CAS e comenta que City e PSG usam 'refúgios claríssimos para tentar pular o fair play financeiro da Uefa' (1:47)

Javier Tebas, presidente de LaLiga, concedeu entrevista exclusiva à ESPN e falou sobre diversos temas (1:47)

Na última segunda-feira, a Corte Arbitral do Esporte (CAS) reverteu a punição imposta pela Uefa ao Manchester City por não respeitar o fair play financeiro: a exclusão das duas próximas Champions League virou uma multa de 10 milhões de euros (R$ 61 milhões) por não colaborar com as investigações.

Técnicos da Premier League como Jurgen Klopp (Liverpool) e José Mourinho (Tottenham) criticaram a decisão, enquanto Josep Guardiola, do City, disse que os rivais deveriam pedir desculpas.

Ele também citou nominalmente o presidente de LaLiga, Javier Tebas, em sua entrevista: “Este cara deve ser muito ciumento. Ele é um incrível especialista legal. Da próxima vez, perguntaremos a eles qual tribunal deve nos julgar. Tem que haver preocupação de LaLiga em focar neles. Este tipo de pessoa, quando é bom para ela, é perfeito, mas se é contra ela, é um problema para os outros. Estaremos na Champions League na próxima temporada, senhor Tebas. O que fizemos, fizemos corretamente".

O dirigente do Campeonato Espanhol respondeu às críticas de Guardiola em entrevista exclusiva à ESPN.

Questionado se o Manchester City fez as coisas corretamente e por isso estará na próxima Champions - como afirmou o técnico espanhol -, Tebas foi direto: "Eu creio que o City estará, porque a CAS fez as coisas mal, não porque eles estão fazendo bem. De fato, a CAS multou o City em 10 milhões de euros, e isso não acontece porque você está tomando uma Coca-Cola e do nada te multam. E se lermos o porquê, é porque não colaborou com a Uefa".

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"Gostaria de ver a resolução final da CAS. Ainda não pudemos ler a resolução do PSG da CAS, já passou muito tempo. O dia em que eu a ler direi o que estou convencido para Guardiola, que não fizeram bem. Fez mal a CAS".

Para o dirigente, a Corte Arbitral do Esporte "morreu" após decidir pela absolvição do Manchester City.

"A Uefa não cometeu erros em sua análise do Manchester City para que a CAS desse um golpe. Eu faria uma análise da CAS como órgão arbitral. A CAS não está à altura para regular ou ditar resoluções na indústria do futebol", disparou. "O City, todos sabemos o que faz, quando se condenou o City não houve surpresa na maioria do futebol europeu. Ao contrário", começou.

"Não quero dizer que felizes, porém menos mal que finalmente a estes grandes clubes-estado - o outro é o PSG - se faz justiça. No entanto, quando houve a resolução da CAS, houve protestos - Klopp, Mourinho -, porque todos sabemos que estão utilizando seus refúgios claríssimos para tentar pular o fair play financeiro da Uefa. Através de patrocínios e companhias interpostas. Ontem, como disse Klopp, foi um dia ruim para o futebol".

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"Morre a CAS. Eu, com a CAS, levo muitos anos colocando em dúvida, não por esta resolução, por outras mais. É um órgão que é tudo ao contrário de um organismo arbitral, não existe essa transparência. A CAS tem que mudar ou o que tem que mudar é o regulamento, a designação dos árbitros. Na Suíça há muito prestígio no âmbito da arbitragem, e a CAS mais atrapalha do que ajuda, e nós que estamos na indústria do esporte sabemos disso. Alguns falam, como eu, e outros não. Mas sabemos porque eu falo em muitas reuniões", disse Tebas.

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O chefão de LaLiga lembrou da ida de Neymar do Barcelona para o PSG para atacar os "clubes-estado", como ele chama City e PSG por serem administrados por empresas ligadas aos emirados do Catar e de Abu Dhabi.

"Neymar não está na Espanha, porque foi levado por outro clube-estado, não foi o Real Madrid ou outro. E fizeram isso por uma barbaridade de dinheiro naquela operação. Mas o Manchester City nos últimos cinco anos é o que mais gastou - junto ao PSG. Agora parece que o Manchester City pede ajuda à caridade e não contrata", ironizou.

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"O Manchester City não contrata com recursos próprios, como faz o Manchester United, que controla o próprio clube, que consegue (receita) de televisão ou patrocínios. Contrata com o petróleo, com o dinheiro que obtém do petróleo o emirado Abu Dhabi, isso todo mundo sabe, e ficou entranhado no Manchester City Group, onde os prejuízos se transferem de um lugar para outro. Agora coloco aqui ou ali. Não é verdade o que dizem, acontece o que todos sabemos. Acredito que para o bem da indústria do futebol, quando algum dos participantes faz 'dumping' econômico, fazem armações econômicas, esse setor pode entrar em crise, e isso não pode acontecer no futebol".