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Sem elenco, clubes da A2 do Paulista querem negociar regras com Federação e até cancelar rebaixamento

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Presidente da FPF se diz contra fim dos Estaduais: 'É o fomento do futebol brasileiro' (1:43)

Reinaldo Carneiro Bastos foi o convidado do Bola da Vez (1:43)

Os 16 clubes da Série A2 vão se reunir com o presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos, por videoconferência, na terça-feira (14), para debater o retorno da competição. As equipes se articulam para adiar a retomada do torneio, pedir novas regras na inscrição de jogadores e algumas pretendem até argumentar contra o rebaixamento.

O campeonato foi interrompido há 120 dias por causa da pandemia do novo coronavírus, quando faltavam três rodadas para o fim da fase de classificação. Considerando a parte final, que será disputada pelos oito melhores classificados, são mais seis datas.

O presidente da FPF disse em entrevista a EPTV Ribeirão Preto que pensa em retomar o torneio em até 30 dias, o que significaria a volta dos jogos na primeira quinzena de agosto. Ele já tinha dito que não mudará as regras nem o rebaixamento.

A reportagem apurou que a maioria dos clubes é contra essa data porque muitas das cidades nem podem receber jogos e os 30 dias são insuficientes para montar o elenco e treinar. Além disso, ao menos seis equipes esperam debater sobre o descenso, cancelando a queda. O motivo tem a ver com a perda de jogadores e as dificuldades dos times para bancar contratações.

“Nós vamos ter que rediscutir as regras porque a situação é bem diferente. Não temos a mesma estrutura e o mesmo o orçamento das equipes da A1. Ainda temos de nos adaptar ao protocolo da Federação e fazer os testes. É importante discutir os testes para que a Federação arque ou ajude nos custos. Mas principalmente temos de planejar como reconstruir os times. Ficamos com seis jogadores, sem elenco”, disse Dayvid Medeiros, presidente do Rio Claro, para a reportagem.

“Se o rebaixamento for colocado em pauta, e estou torcendor para que seja, vou dizer que sou contra o descenso. Não tem condições de retomar a competição no mesmo nível de antes. Sem orçamento, eu tenho de buscar pelo menos 15 jogadores, treiná-los e colocar para jogar três jogos. Não estamos na zona de rebaixamento, mas achamos injusto definir a queda nesse contexto”, acrescentou.

O Rio Claro está na 13ª colocação, com 13 pontos e o futuro completamente em aberto. São cinco pontos atrás do oitavo colocado e quatro acima da zona de rebaixamento. As oito equipes que estavam na fase de classificação no momento da parada eram: São Bernardo, Taubaté, Portuguesa Santista, Monte Azul, XV de Piracicaba, São Caetano, Juventus e Portuguesa.

Quem está na chamada zona da degola tem o mesmo raciocínio para debater contra o rebaixamento. É o caso da Penapolense, com nove pontos e na penúltima colocação.

“Também somos contra o descenso porque perdemos 20 jogadores e vamos ter dificuldades de repor as perdas. É difícil contratar jogadores para realizar só três jogos”, disse Nilson Moreira, presidente da Penapolense.

Atualmente, o time conta com seis jogadores, sendo três da base.

Também com nove pontos, mas com pior campanha e por isso na última colocação da A2, o Votuporanguense pondera uma saída que não prejudique nenhuma equipe nesta e na próxima edição do campeonato. O presidente Marcelo Stringari pretende sugerir que a Federação dê mais tempo para os clubes treinarem e que flexibilize as inscrições.

“Os clubes não são contra a retomada, mas estamos preocupados se for voltar nos primeiros dias de agosto. Nós só temos cinco atletas e precisamos remontar todo o elenco sem orçamento. Não recebemos a última parcela da Globo desde que a A2 foi paralisada”, disse.

“Achamos justos brigar por alguns pontos na reunião. Se olhar nosso histórico, sempre honramos os compromissos e não temos processos trabalhistas nessa gestão. Agora vou arriscar o futuro do clube, fazendo dívidas para bancar um elenco só para três jogos? É evidente que a Federação não tem culpa pela nossa campanha. Nenhum outro clube tem. Mas é preciso enxergar a dificuldade atual. Como montar um novo elenco faltando três jogos e com chance de cair?”.

A maioria dos participantes da A2 perdeu jogadores por causa do velho problema do calendário. Como muitos não têm competições nacionais após o Estadual, dependendo apenas da Copa Paulista para manter as atividades, os contratos costumam ser curtos.

Assim, no final de maio, muitas equipes já tinham perdido boa parte do elenco, aumentando o desemprego no futebol, conforme reportagem da ESPN Brasil mostrou. Sem receitas de televisão, patrocinadores e bilheteria, muitos clubes estão com os pagamentos pendentes.

Na elite do Estado a situação é menos comum. Quem acabou sofrendo perda considerável do elenco foram os três times que subiram há um ano: Santo André, Inter de Limeira e Água Santa.

Apesar da intenção de discutir o rebaixamento na reunião de terça, os presidentes reconhecem que dificilmente deve ocorrer alguma mudança drástica. O exemplo vem da A1.

“Os clubes da A2 vêm conversando há muito tempo e com muitas ideias, mas ficou difícil falar contra o rebaixamento porque o próprio presidente da Federação deu entrevistas recentemente dizendo que não vai cancelar o rebaixamento na A1. Esperamos pelo menos debater e vou deixar claro que o Rio Claro é contra”, disse o presidente Dayvid Medeiros.