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Barcelona: a situação dos candidatos a técnico diante do futuro ainda incerto de Setién

Xavi Hernández no cenário. E Ronald Koeman, Òscar García, Laurent Blanc, Roberto Martíenz ou, inclusive, como solução de urgência, García Pimienta. Quique Setién mantém contrato como treinador do Barcelona até junho de 2021, mas poucos são os que se atrevem a assegurar que vá cumpri-lo. Apesar da brilhante vitória sobre o Villarreal, no clube há opiniões contrastantes a respeito de sua continuidade a médio prazo, segundo uma fonte da ESPN, recolocando no plano nomes já conhecidos e postos sobre a mesa dos dirigentes.

A situação incerta de Setién não é um segredo. Distante do vestiário e questionado nos escritórios, apenas mantém firme o apoio, oficial, de Bartomeu, que aproveitou a exibição no El Madrigal para tentar encerrar as especulações. “Tudo é falso”, disse o presidente. “Tudo é possível”, se contradisse em voz baixa no Camp Nou.

No momento, foram interrompidas no domingo as especulações referentes a uma possível queda do técnico. Depois da melhor partida sob o seu comando, veio o discurso firme de Bartomeu, em uma nova tentativa - aproveitando a excelente apresentação da equipe - de levar uma imagem de tranquilidade que de portas para dentro não se observa tão simples.

Contratos, cláusulas e contatos

A renovação de Xavi Hernández como treinador do Al-Sadd, com uma cláusula de prolongação até 2022 não o descarta máximo candidato a assumir as rédeas do Barça. Já a partir de 2021, depois das eleições à presidência do clube azul e grená como aposta principal do candidato Víctor Font, ou inclusive antes, sendo muito levado em conta pela junta de Bartomeu, apesar da rejeição que causou em janeiro sua negativa a substituir Valverde.

O clube, se assegura, não voltou a colocar-se em contato com o catalão, que não nega, ao contrário, que aterrizar no Camp Nou é o seu objetivo prioritário e tem bem planejado, estudado e até confeccionado uma equipe de colaboradores na qual se sobressai o nome de Jordi Cruyff.

É por isso que Xavi conta em seu contrato com o Al-Sadd com uma cláusula de liberação, em qualquer momento, para voltar ao Barça. É por meio disso, e atendendo à situação de fraqueza de Setién, que seu nome figura com destaque entre os planos de Bartomeu, que uma semana depois de fechar a contratação de Sarunas Jakisevicius como técnico do time de basquete, veria como um golpe de mestre o retorno de Xavi... Ainda que ciente da dificuldade extrema em convencê-lo.

Permanece igualmente no plano Ronald Koeman. O holandês repetiu há apenas um mês que dirigir o Barça “é um sonho”, ainda que em janeiro também rejeitou a proposta de substituir Ernesto Valverde, horas antes de ser eleito, por eliminação, Setién. Sua candidatura mantém adeptos nos escritórios do clube, o vendo como um técnico ideal para comandar uma mudança de ciclo que se se suspeita necessária.

Koeman, cujo nome está habitualmente relacionado ao Barcelona desde que deixou o clube em 1999, mantém desde sempre em seus contratos uma cláusula especial que o libera para voltar e converter-se em seu treinador. E ainda que tenha revelado nos últimos meses seu compromisso de permanecer no cargo da seleção holandesa até a finalização da Eurocopa, seu adiamento para 2021 e a oportunidade, quem sabe se for a última, de cumprir esse sonho barcelonista poderiam mudar o cenário. Inclusive, por que não, podendo conciliar ambos os cargos – possibilidade remota, mas não descartável.

Também Òscar García incluiu um pacto de saída em seu acordo de renovação que assinou com o Celta de Vigo há uma semana. “Há umas cláusulas no contrato, mas são confidenciais”, declarou o treinador catalães. Tais cláusulas são duas: uma se recebe uma oferta do exterior outra, distinta em sua quantia e condições, se a oferta vem do Barça.

Seu nome, que já esteve no cenário em janeiro de 2015, quando a posição de Luis Enrique era mais incerta, ele esteve no plano em diversas ocasiões e foi um dos candidatos a tomar o posto de Valverde em 2019. Sem o impacto midiático de Xavi, Òscar continua sendo muito levado em conta no Camp Nou. Sua aposta futebolística, firme e inegociável de raízes cruyffistas, o colocam sempre entre os candidatos.

Ainda há Roberto Martínez, que em maio renovou seu contrato com a Bélgica até a Copa do Mundo do Catar, sem nenhuma cláusula específica de saída. Porém, segundo confirmou o conselheiro delegado da Federação, Peter Bossaert, existe um “acordo de cavalheiros”, segundo o qual, se o treinador catalão recebesse uma oferta de seu agrado, a remeteria à Federação Belga, que a atenderia.

Surpresas?

“Ninguém reparou em Rijkaard em 2003. Foi uma surpresa... E poderia voltar a acontecer”, apontou um antigo empregado do clube, que, mais do que ver García Pimienta como solução de urgência, entende factível a chegada de um treinador “sem equipe” e que com data de validade, a princípio, pela proximidade das eleições. Ele poderia aceitar um desafio de curto prazo.

Assim, se sobressairia o nome de Laurent Blanc, jogador do Barça na temporada 1996-97 e com boa reputação em sua etapa como jogador, como também em seu período de treinador, conquistando o Campeonato Francês pelo Bordeaux e posteriormente com o Paris Saint-Germain.