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Arthur no Barcelona teve elogio de Messi, piada e desculpas no vestiário e mal-estar no adeus

Em outubro de 2018, o Barcelona fez 5 a 1 no Real Madrid em LaLiga, em uma das melhores atuações recentes do time catalão. Depois da partida, claro, o clima era de descontração entre os jogadores, e Gerard Piqué, um dos líderes do elenco, arrancou risadas dos colegas.

“Até o Arthur, que é péssimo nos treinos, hoje acertou um belo chute, né?”, brincou o zagueiro, virando-se ao brasileiro, então com exatos três meses de equipe: “No treino, quando você está aquecendo, é o que te digo, só os goleiros se aquecem.”

O episódio, há pouco menos de dois anos, revelado no documentário “Matchday”, sobre a temporada 2018/19 do Barcelona, mostrava um Arthur já bem adaptado em meio a estrelas, depois de ter deixado o Grêmio como campeão da Copa Libertadores, por 33 milhões de euros.

Menos de dois anos depois daquilo, o brasileiro está de malas prontas para deixar o Camp Nou. Será jogador da Juventus, em negócio no qual Miralem Pjanic fará o caminho inverso. Um desfecho inesperado para quem foi contratado com ares de “novo Xavi”.

Logo na chegada, aliás, Arthur ganhou um aliado de peso, Lionel Messi, que, em uma de suas raras entrevistas, exaltou o brasileiro ao compartilhar suas impressões: “Não o conhecia muito, sinceramente. Guardadas as proporções, tem o estilo parecido ao Xavi, de sempre querer a bola, jogar curto, não perder a posse. Tem o estilo que sempre buscamos”.

No total, naquela temporada, Arthur fez 44 partidas com a camisa azul e grená, sendo 32 como titular. Foi campeão de LaLiga, alternando aparições, principalmente, com Arturo Vidal.

Nem tudo foram flores também nos bastidores, é verdade. Em março de 2019, no mesmo vestiário da brincadeira com Piqué, precisou se desculpar com companheiros, por ter decidido ir ao aniversário do amigo Neymar, 48 horas antes de clássico contra o Real, na Copa do Rei.

“Fui infeliz na minha escolha, mas sou bastante homem para assumir minha responsabilidade. Já tive uma conversa com o grupo, com a comissão, e eu em momento nenhum achei que estava certo”, revelou o brasileiro, na ocasião, depois do incômodo gerado pelo episódio.

“Pedi desculpa. Me ajudaram bastante, em uma conversa de vestiário, meus companheiros conversaram bastante comigo, sou grato. Comissão técnica também, dirigentes, mostraram que têm preocupação, você se sente honrado. Foi um momento de muita dor, eles conversaram comigo, me ajudaram, só agradeço. Admito meu erro”, complementou.

Reunião semelhante aconteceu na segunda-feira, mas já em cenário bem distinto. Arthur fez questão de tomar a palavra diante dos companheiros para explicar sua situação: um dia antes, realizou exames médicos para assinar com a Juventus, mas reforçou seu compromisso.

O brasileiro fica na Espanha até o fim da temporada. Depois, se transfere para a Juventus, em negócio feito para acertar as contas dos dois clubes. Os italianos pagarão 72 milhões de euros (R$ 439 milhões), e possíveis mais 10 milhões de euros em bônus, e depois recebem quantia semelhante, mas um pouco inferior, para Pjanic passar a ser jogador do Barcelona.

Uma transação que deixa marcas em Arthur. O meio-campista afirmou, por muito tempo, que não queria ser moeda de troca, gostaria de triunfar no Camp Nou. O clube, por outro lado, insistiu no negócio, por ver no brasileiro a forma mais rápida de equalizar as finanças.

“Maltratado” foi a definição de uma pessoa próxima a Arthur para definir como ele se sentiu em relação à diretoria catalã. Um mal-estar que inclui o técnico Quique Setién, que, na última semana, colocou o brasileiro como um jogador que não teria correspondido às expectativas.

Um incômodo que ficará para trás até o final da temporada, na qual Arthur seguirá como jogador do Barcelona. O principal objetivo, a Champions League: os catalães encaram o Napoli, em 8 ou 9 de agosto, na partida de volta das oitavas de final. O brasileiro tem grandes chances de ser titular, já que Sergio Busquets e Vidal serão desfalques, suspensos.

Para trás também, Arthur deixará uma curta história no Barcelona, de 72 jogos e quatro gols. Um título de LaLiga (e o segundo ainda pode vir), um de Supercopa e um vice da Copa do Rei.