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São Paulo: Casares promete time forte e fim da 'era' Biro Biro, Everton Felipe e Maicosuel no elenco

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Lateral do clube falou em entrevista exclusiva para Eduardo Affonso (2:35)

Candidato à presidência do São Paulo, Julio Casares afirmou durante a divulgação do seu programa de governo, em live transmitida pelo Instagram nesta quinta-feira (25), que vai montar um time forte, capaz de voltar a ser campeão, e prometeu o fim de contratações questionáveis, chegando a citar nominalmente Biro Biro, Everton Felipe e Maicosuel.

“O que você não pode fazer são contratações que comprometem o todo. Veja bem, eu não vou citar os nomes, mas são contratações que vocês [jornalistas] sabem, que já passaram pelo São Paulo, que pouco agregaram. E quando não agrega atrapalha na concepção financeira do todo. Nós temos exemplos de jogadores como Biro Biro, Everton Felipe, mais outros, Maicosuel. Essas contratações não devem acontecer”, disse Casares, ao responder a primeira pergunta do dia.

O candidato explicou na live que sua crítica era à forma como essas contratações ocorreram, citando falta de critério na escolha dos jogadores, por exemplo. Para se ter ideia, os três citados somam, juntos, apenas 33 partidas pelo São Paulo.

Casares também nomeou Jucilei, mas explicou que a crítica não era à qualidade do jogador e sim ao contrato com o volante. Após um período de um ano de empréstimo, ele foi contratado definitivamente em dezembro de 2017 por 1,4 milhão de dólares (na época, R$ 4,6 milhões) do Shandong Luneng, da China. Assinou até o final de 2021 e recebia quase R$ 700 mil mensais.

Já sem fazer parte dos planos da comissão técncia, Jucilei chegou a um acordo para rescindir o contrato com o São Paulo em fevereiro desde ano. A diretoria tinha a expectativa de economizar R$ 6 milhões com o fim do vínculo.

“Temos o caso de um grande jogador que é o Jucilei. Foi um grande jogador no passado. Fizemos um contrato de cinco anos. Ele rescindiu e ainda temos um ajuste para pagar na próxima gestão”, disse Casares, nesta quinta (25).

As respostas estavam relacionadas ao segundo pilar da proposta de governo de Julio Casares, que é responsabilidade financeira. O tema acabou levando ao questionamento se essa política não comprometeria a qualidade do time.

“Austeridade financeira não representa um time mais fraco. Representa um princípio de valor para que você tenha um time mais forte. Austeridade financeira nem sempre é, quando a gente fala de elenco, é ter prioridade em contratações. Austeridade financeira é você ter equilíbrio na contratação. Austeridade financeira é você propiciar que grandes valores virão junto com uma base sólida, junto com uma base sólida, junto com jogadores cascudos e junto com estrelas”, disse.

Depois, ao longo da entrevista, o candidato à presidência do São Paulo voltou a falar sobre a política de contratações e a forma como quer que o departamento de futebol trabalhe.

“Queremos atuar na profissionalização com questões mais eficientes. Por exemplo, vamos criar o CAF, o comitê avançado de futebol. Como vai funcionar? O técnico vai identificar sua necessidade. E tem de ser ágil porque esse comitê vai trabalhar diariamente. Não é coisa que vai se reunir numa segunda… Não! O CAF vai estabelecer um exame de uma possível contratação”, disse.

A eleição no São Paulo está prevista para acontecer em dezembro, mas por enquanto apenas Casares lançou a candidatura. Não é certo que Marco Aurélio Cunha e Roberto Natel sejam seus adversários, embora os nomes sejam especulados com força.

Veja outros pontos da entrevista

Situação ou oposição?
Hoje lançamos esse choque de gestão. Não somos candidatos da situação. Temos exemplo do [José Eduardo de Mesquita] Pimenta [ex-presidente, adversário de Leco na última eleição e atual membro do conselho de administração] e do Olten [Ayres, conselheiro e candidato à presidência do conselho na chapa de Casares], que disputaram contra o Leco. Somos uma chapa de coalizão. Setores que pensam diferente, mas tem um entendimento à favor do São Paulo.

Reportagens dessa quinta-feira mostram que o lado adversário [da nossa chapa] tem mais diretores da gestão do Leco do que o nosso lado. Diretor da base, diretor do estádio, diretor de futebol estão lá [com os possíveis candidatos adversários]. Como falar que eles são oposição e nós somo situação? Não busco esse título. Busco um plano de gestão. Não tenho vinculação política com o Leco e outras pessoas. Nossa chapa é de união.

Sócio-torcedor poderá votar?
Temos uma visão que o sócio torcedor pode ter uma participação na eleição futuramente, mas com um regulamento muito sério. Ele tem de ter um prazo de permanência, como é com o sócio do clube. Tem sócio-torcedor que é muito sazonal. A votação direita, e isto que vou falar é um ponto para reflexão, pode permitir cenários. Uma chapa pode de repente pegar um grande ídolo, que necessariamente é uma figura popular, e numa votação direta ele vence. Ele passa a ser gestor do São Paulo, mesmo sem qualquer bagagem ou experiência. Temos de ter filtros.

Apoio ao Leco e agora crítico?
Não fui só eu que apoiou o Leco [em 2017, na eleição]. Os únicos [dentro do cenário eleitoral atual] que não apoiaram foram o Olten e o Pimenta. Os pré-candidatos adversários apoiaram e tiveram cargos remunerados nessa gestão. Alguns estão no cargo. Foi uma eleição momentânea. Meu grupo político definiu pela grande maioria apoiar o Leco. Eu nunca fui de rachar grupo. E nos apoiamos. Eu sempre elogiei o Leco, mas também sempre fui critico. Tenho legitimidade para ser independente para elogiar e criticar. O Leco tem acerto grande na vinda do Fernando Diniz. Tem acerto na área social, com um ginásio e uma força ao basquete que merecem elogios.

Agora, quantos diretores de futebol passaram por lá de 2017 para cá? É muita gente. Todos eles estão do lado adversário. Um dos maiores erros foi a gestão do futebol. Junto com um grupo formado, nós pedimos a reestruturação [da equipe do departamento profissional] na Barra Funda. Isso não foi feito. Mas nem por isso nós rompemos com o Leco. Romper com o presidente eleito é romper com a instituição. Eu tenho legitimidade para criticar. Essa independência faz com que a gente faça uma critica propositiva.

Aliança presente com Pimenta
Sempre tive uma boa relação com ele. Naquele momento [última eleição] fui coerente com a decisão do meu grupo. Fui elegante e decente com ele, dizendo a ele que não estaria com ele, naquele momento. Ele foi um presidente que colocou nossas cores fora do Brasil. Assim como sou grato ao Marcelo Portugal que me nomeou como diretor pela primeira vez dentro do São Paulo. Também sou grato ao Juvenal Juvêncio, que acredito no trabalho que fizemos.

São Paulo e política
São Paulo não será submisso a politico, seja vereador, prefeito, deputado e/ou presidente. Quem tem de levantar a taça dentro de campo é jogador. Dirigente tem de dar estrutura para isso acontecer. Até pode tocar na taça, mas é jogador que levanta. Nossa relação tem de ser independente com os poderes.

Auditoria nas contas?
Não digo auditoria, mas devemos fazer uma radiográfica, um pente fino em todos os compromissos presentes e futuros. Queremos ver o São Paulo em ordem. Isso vai ser trabalhado pelo nosso comitê financeiro, mas com a ajuda externa técnica de uma consultoria. Faz parte do plano de austeridade.

Raí, Lugano, Ceni, Fernando Diniz e Muricy
Ídolo será sempre idolatrado. Não nós desviaremos do nosso planejamento. Nosso planejamento é técnico e profissional. Não vamos nos desfocar. Nem sempre um ídolo é um bom gestor. São Paulo não é um lugar de experiências. Temos de ter um planejamento sério. Acredito que Raí e Lugano podem dar alegrias ao São Paulo. E o São Paulo pode ainda disputar um título nesse ano, esperamos, mas o que precisamos entender é que os ídolos têm lugar no seu tempo e no seu espaço.

Fernando Diniz é o técnico. Rogério Ceni é um grande ídolo. Sempre no caso de vacância dessa posição é um nome a ser discutido, mas é um grande técnico, faz um trabalho primoroso no Fortaleza, mas o nosso técnico é o Fernando Diniz e espero que com longevidade pelas convicções dele.

Agora, quanto ao Muricy, além de ser um amigo que eu tenho, nunca falei com ele na possibilidade de voltar. Mas é um grande profissional, identificado com o trabalho e a seriedade. Muitas coisas que ele pensa sobre futebol convergem com o nosso projeto, mas hoje ele é um profissional que tem de cuidar da vida dele. Posso colocar que sonhamos com a presença dele, sim, e no caso da nossa vitória, um dos primeiros movimentos é falar com o Muricy. Ele entende o que é São Paulo.