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De Mundiais a Santo André calando Flamengo: veja times de fora do Rio que foram campeões no Maracanã

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Maracanã 70 anos: de gol 1000 de Pelé a maior público da história, Zico relembra momentos inesquecíveis no estádio (1:30)

Ex-jogador do Fla escolheu o Fla-Flu de 1963, maior público da história do estádio, o gol 1000 de Pelé e outros como grandes momentos em que viveu no palco (1:30)

Símbolo nacional, tanto de grandes vitórias como inesquecíveis derrotas, o Maracanã completa 70 anos nesta terça-feira, dia 16 de junho de 2020.

Ao longo destas sete décadas, o "Maior do Mundo" foi testemunha de muitos títulos dos grandes cariocas, mas também de equipes de fora do Rio de Janeiro.

O Atlético-MG, por exemplo, foi campeão brasileiro no "Maraca".

Palmeiras, Santos e Corinthians ganharam Mundiais no solo sagrado do estádio.

E até mesmo o modesto Santo André fez a volta olímpica no Maracanã, calando o poderoso Flamengo na final da Copa do Brasil de 2004.

Também houve festas com sotaque espanhol, como a da LDU, do Equador, contra o Fluminense, na decisão da Libertadores.

Relembre as principais conquistas dos "forasteiros" no local:

A COPA RIO DO PALMEIRAS

O Palmeiras conquistou uma das maiores glórias de sua história no Maracanã: a Copa Rio.

Em 1951, o Alviverde enfrentou o fortíssimo time da Juventus em duas partidas no "Maior do Mundo". No primeiro, em 18 de julho, ganhou por 1 a 0, com gol de Rodrigues. Já na partida de volta, dia 22, o empate por 2 a 2 (Praest e Karl Hansen para os italianos, Rodrigues e Liminha para o Palestra) garantiu o título aos brasileiros, que festejaram com 100.093 torcedores no estádio.

Em 2014, a Fifa, que autorizou a criação da competição nos anos 50 ao lado da CBF, reconheceu a Copa Rio como "primeiro campeonato mundial de clubes".

O MUNDIAL DO SANTOS

O Santos conquistou aquele que talvez seja seu maior título na história no solo sagrado do Maracanã.

Em 1963, o Peixe de Pelé, Mengálvio, Coutinho, Pepe, Dorval, Lima, Dalmo, Gilmar e tantos outros craques encarou o não menos poderoso esquadrão do Milan de Cesare Maldini, Giovanni Trapattoni, Gianni Rivera e dos brasileiros José Altafini (o Mazzola) e Amarildo (herói da Copa do Mundo de 1962).

Nesta época, o Mundial era disputado em ida e volta, sendo um jogo na Europa e um na América do Sul. Na Itália, o Milan ganhou por 4 a 2, enquanto, no Brasil, o Peixe optou por jogar no Maracanã, tendo apoio de 132.728 torcedores. Mesmo sem Pelé, o Alvinegro repetiu o 4 a 2, forçando uma partida desempate.

Ela aconteceu também no Maracanã, e novamente o Peixe não pode contar com o "Rei do Futebol". Ainda assim, Dalmo marcou de pênalti, aos 31 do 1º tempo, e o Santos segurou a vitória por 1 a 0, em uma partida marcada por bastante controvérsia, faltas duras e arbitragem confusa por parte do argentino Juan Regis Brozzi. Desta forma, o Peixe conquistou seu 2º Mundial.

O BRASILEIRO DO ATLÉTICO-MG

O Campeonato Brasileiro de 1971 foi decidido em um triangular final, com São Paulo, Botafogo e Atlético-MG.

Na 1ª partida, o Galo bateu o Tricolor por 1 a 0, no Mineirão lotado. Já no 2º, os são-paulinos atropelaram o Glorioso por 4 a 1, no Morumbi.

A grande decisão, portanto, ficou para o Maracanã, no jogo entre Botafogo e Atlético. E foi no "Maior do Mundo" que o lendário time do Galo, recheado de craques e comandado por Telê Santana, ganhou por 1 a 0, com gol decisivo de Dario, o Dadá Maravilha, sangrando-se campeão brasileiro pela única vez em sua história. 46.458 acompanharam a partida naquele 19 de dezembro.

A COPA DO BRASIL DO GRÊMIO

Dono de cinco títulos da Copa do Brasil, o Grêmio ergueu seu 3º troféu no Maracanã.

Em 1997, o Imortou empatou por 0 a 0 com o Flamengo de Romário e Sávio no jogo de ida de decisão, em 20 de maio, em Porto Alegre. Com isso, o Fla chegou como favorito no duelo de volta, no Rio de Janeiro.

Em 22 de maio, porém, 95.125 torcedores ficaram atônitos ao verem o Grêmio buscar o empate por 2 a 2 nos minutos finais, com gol de Carlos Miguel, depois que Lúcio e Romário haviam virado o jogo para os rubro-negros no 1º tempo (João Antônio abriu o placar para os gaúchos). Pelos gols fora de casa, o Imortal conquistou o troféu em pleno "Maraca".

A COPA DO BRASIL DO JUVENTUDE

Em 1999, o Botafogo chegou à final da Copa do Brasil contra o surpreendente Juventude. E era fato que o Glorioso era favoritaço, já que tinha em seu time nomes como Sérgio Manoel, Válber, Bebeto e Zé Carlos, além do goleiro Wagner, grande ídolo da torcida alvinegra.

Só que o time gaúcho resolveu aprontar uma das maiores zebras da história do futebol brasileiro naquele ano. Ela começa em 20 de junho, quando, no Alfredo Jaconi, o time alviverde consegue uma impactante vitória por 2 a 1, com gols de Fernando Rech e Márcio Mixirica (Bebeto descontou para os cariocas).

Todos esperavam a virada alvinegra no jogo de volta, no Maracanã, em 27 de junho. No entanto, os 133.960 torcedores que compareceram ao "Maior do Mundo" viram o Juventude dar uma aula defensiva, segurar o 0 a 0 e conquistar o título mais importante de sua história, para tristeza dos milhares de botafoguenses que foram ao estádio naquele dia.

O MUNDIAL DE CLUBES DO CORINTHIANS

Em 2000, a Fifa organizou seu primeiro Mundial de Clubes da história. O torneio foi disputado em duas sedes: o Morumbi, em São Paulo, e o Maracanã, no Rio de Janeiro.

Durante a campanha, Corinthians e Vasco da Gama deixaram para trás os poderosos Real Madrid e Manchester United, ganhando o direito de fazerem a final no "Maraca".

Em 14 de janeiro, 73.000 fãs lotaram o "Maior do Mundo" e viram um jogo nervoso, que acabou em 0 a 0. Nos pênaltis, porém, Gilberto e Edmundo perderam para os vascaínos, Rincón, Fernando Baiano, Luizão e Edu converteram para os paulistas e o Corinthians foi campeão mundial pela 1ª vez em sua história no mítico estádio carioca.

A COPA DO BRASIL DO SANTO ANDRÉ

O ano de 2004 viu talvez a maior "zebra" da história do Maracanã.

A grande decisão da Copa do Brasil foi entre o poderoso Flamengo, comandado por Abel Braga e com Júlio César no gol, contra o modesto Santo André. Na ida, o time do ABC paulista mandou o jogo no Palestra Itália, estádio do Palmeiras, e o Mengão buscou um bom empate por 2 a 2, que deixou o título praticamente encaminhado para a semana seguinte, no Maracanã lotado.

Só que faltou combinar com o Santo André... Com uma partida praticamente perfeita, o "Ramalhão" matou o jogo no 2º tempo e ganhou por 2 a 0, com gols de Sandro Gaúcho e Elvis, e calou os 71.988 torcedores rubro-negros que estiveram no "Maior do Mundo" naquela noite. Foi o 1º e único título da equipe paulista na Copa do Brasil.

A LIBERTADORES DA LDU

A final da Libertadores de 2008 foi entre o estrelado time do Fluminense, que contava com Thiago Neves, Conca, Washington e o técnico Renato Gaúcho, e a surpreendente Liga Deportiva Universitaria, do Equador, que também contava com uma boa equipe e sabia como poucos utilizar a arma da altitude de Quito a seu favor.

Prova disso foi o 1º jogo daquela decisão: no estádio Casa Blanca, a LDU amassou o Flu, ganhando por 4 a 2, com os quatro tentos equatorianos saindo ainda na etapa inicial.

No duelo de volta, no Maracança, 86.027 torcedores enlouqueceram com o show de Thiago Neves: vitória tricolor por 3 a 1, com três gols do meio-campista, e o título teve que ser decidido nos pênaltis. Nas cobranças, brilhou a estrela do catimbeiro goleiro Cevallos, que viu Conca, Thiago Neves e Washington errarem. Assim, a LDU deu a volta olímpica em pleno "Maior do Mundo".