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Ex-Real diz que Ronaldo era melhor dos 'galácticos' e lembra 'migué' em treinos: 'Muita água mata a planta'

Ronaldo foi da Inter de Milão para o Real Madrid no último dia da janela de transferências de 2002 por incríveis 45 milhões de euros (na época, R$ 133 milhões). Estreou com LaLiga já em andamento, ao deixar o banco de reservas, para marcar duas vezes na goleada por 5 a 2 sobre o Alavés. Deixou os companheiros impressionados, especialmente Iván Helguera.

“Ele é um dos jogadores mais engraçados que já convivi. Com uma criatividade incrível e uma inteligência enorme. Gostei muito quando ele marcou seu primeiro gol. Tínhamos grandes expectativas. [Ao sair do banco] Em dois minutos, ele marcou. Ficou claro que ele era especial. O melhor com quem já joguei”, disse Helguera, ao “Marca”, nesta terça-feira (2).

O ex-defensor relembrou que, em um time com estrelas como Roberto Carlos, Zinedine Zidane, Luís Figo e Raúl, os chamados "Galácticos", o camisa 9 era o mais humilde e dava “migués” nos treinamentos.

“Ele era especial quando se tratava de treinar [risos]. Dizia ao treinador: ‘muita água mata a planta’, quando começávamos a trabalhar fisicamente. Ele era muito divertido. Um cara muito especial, dentro e fora do campo”, acrescentou Helguera.

Um touro

O ex-atacante Jorge López Marco, conhecido no futebol pelo apelido Tote, vindo da base do Real Madrid, disse que a imagem mais impressionante que o marcou foi a apresentação de Ronaldo ao elenco.

“Lembro que todos tivemos que ir ao Bernabéu para encontrá-lo no vestiário, depois de uma sessão de treinamento na antiga Cidade Deportiva de Castellana. Fiquei impressionado com a aparência dele. Ele era um touro. Nunca tinha visto um cara tão forte na minha vida. Ele estava vestindo uma camisa da Nike, calça jeans e tênis”, disse ao jornal.

“Na minha idade e pelos jogadores que vi, ele é o melhor jogador de futebol do mundo. Ele foi o escolhido, um daqueles que Deus toca com uma varinha e o coloca no mundo para jogar esse jogo.”

Tote relembrou também que não havia estrelismos por parte de Ronaldo com os jovens do elenco, como era o caso dele, com 19 para 20 anos. “Ele era um Fenômeno conosco. Após os jogos, se você estivesse sozinho, ele te convidava para jantar”.

Melhores amigos

Reconhecido como o principal parceiro de Ronaldo, Roberto Carlos já era ídolo da torcida quando o Fenômeno foi contratado pelo clube merengue. Assim, era natural que ajudasse o amigo, como relembrou ao "Marca".

“Nas concentrações, sempre o acordava. Tomávamos o café juntos, fazíamos as refeições na mesma mesa, voltávamos para o alojamento juntos, contávamos histórias, acordávamos à tarde para treinar e, muitas vezes, eu iria buscá-lo ou ele vinha me buscar. E então: televisão, descanso e muitas risadas. Era um ambiente muito bom, entre dois grandes amigos”.

Ronaldo defendeu o Real Madrid de 31 de agosto de 2002 até 30 de janeiro de 2007, quando foi contratado pelo Milan por 7,5 milhões de euros (na época, R$ 20,7 milhões). Foram quatro temporadas e meia, com 177 jogos oficiais e 104 gols.

Conquistou dois títulos de LaLiga (o último foi na temporada em que saiu), um Mundial Interclubes e uma Supercopa da Espanha. Ainda foi vice-campeão uma vez da Copa do Rei e outra do Espanhol.