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Grêmio: Estátua, técnico, empresário e até candidato a vice-presidente do Uruguai: o que aconteceu aos heróis do Mundial de 1983

“Faz de conta que nós estamos jogando contra o Aymoré, tá?”

Diz a lenda que essa foi a frase do menino Renato, 21, camisa 7 do Grêmio, ao fim do tempo regulamentar. O time se preparava para a prorrogação da final do Mundial de Clubes, contra o Hamburgo, em 11 de dezembro de 1983. A ideia era tranquilizar o grupo, que jamais temeria o pequeno time do interior gaúcho.

O genial ponta-direita, que viria a decidir o jogo, já havia feita o primeiro gol da partida, ainda aos 37 do 1º tempo.

Após receber lançamento de Paulo Cézar Caju, perto da linha que divide o campo do Estádio Nacional de Tóquio, Renato leva a bola até a área adversária, que invade pela direita. Lá, ele dribla o zagueiro Hieronymus, da seleção alemã, duas vezes, que quase cai. O chute sai forte e rasteiro. A bola passa entre a trave e o goleiro Stein.

Os alemães empatam aos 40 da segunda etapa, em jogada aérea manjada: levantamento de Magath no segundo pau, ajeitada de cabeça de Jacobs e Schroeder, como um gato, aparece no meio da área para bater e vencer Mazarópi.

Mas, logo aos 3 da prorrogação, foi a vez do Grêmio iniciar a jogada com uma bola aérea. Com a bola rolando, Caio faz o chuveirinho, Tarciso “Flecha Negra” dá a “casquinha” , e a bola cai no pé de Renato.

O corte seco para o meio e o chute rasteiro, de esquerda, com simplicidade, no contrapé de Stein, decretam: “A Terra é Azul”, como estampou a capa da revista Placar comemorativa do título.

Quase 37 anos se passaram, e muitas outra batalhas vieram para os tricolores. Como a mítica Batalha dos Aflitos e as finais das Libertadores de 1995 e 2016, por exemplo.

Mas nenhuma conquista superou o que Mazarópi; Paulo Roberto, Baidek, De León e PC Magalhães; China, Osvaldo (Bonamigo) e Mário Sérgio; Renato Portaluppi, Tarciso e Paulo Cezar Caju (Caio), comandados pelo já saudoso Valdir Espinosa, fizeram naquele dia.

O que o destino reservaria a Renato Portaluppi, todo fã de futebol brasileiro sabe dizer. Mas o que houve com os outros 12 jogadores que pisaram o campo naquele dia, comandados por Espinosa? E com os demais inscritos?

O ESPN.com.br conta abaixo:

Mazarópi

O goleiro conquistou a Libertadores e o Mundial de 1983, além da Copa do Brasil de 1989, pelo Tricolor. Atualmente, trabalha na base do clube, como coordenador de goleiros.

Paulo Roberto

Conquistou com o clube o Campeonato Brasileiro de 1981, a Libertadores e o Mundial de 1983.Jogou por diversos clubes do Brasil, como São Paulo, Corinthians, Cruzeiro e Botafogo, entre outros. Atualmente, é empresário de atletas e mora em Porto Alegre.

Baidek

Também conquistou a dobradinha Libertadores-Mundial, além do Brasileiro de 1981. É empresário.

Hugo De León

O lendário beque uruguaio, ídolo no Nacional e capitão das conquistas de 1983, casou-se com uma gaúcha e vive em Porto Alegre, com temporadas em Montevidéu. Foi treinador antes da aposentadoria, tendo inclusive dirigido o Grêmio em 2005. Pratica Beach Tennis de forma quase profissional. E também foi candidato à vice-presidência do Uruguai, em 2009

PC Magalhães

Cuidava da escolinha do pequeno Cerâmica, do Rio Grande do Sul, quando foi acusado em um esquema envolvendo dirigentes do Internacional na contratação de seu sobrinho, que leva seu nome, em 2019. O caso segue na Justiça.

China

Campeão brasileiro em 1981, campeão da Libertadores e do Mundial em 1983. Trabalha na base gremista.

Osvaldo

Após deixar o futebol, tornou-se dono de uma oficina mecânica no interior de São Paulo e tentou carreira como treinador, sem grande sucesso.

Bonamigo

Iniciou a carreira de treinador em 1998, tendo trabalhado em clubes de todos os portes, como Coritiba, Atlético-MG, Botafogo, Palmeiras, Portuguesa, Mogi-Mirim, Sampaio Corrêa, Al-Jazira, Al-Shabab, Bahia e Marítimo (Portugal), entre outros. Nunca dirigiu o Grêmio. No início do ano, estava no pequeno Boavista, do Rio.

Mário Sérgio

O “Vesgo” - porque era mestre na jogada de olhar para um lado e tocar para o outro -, craque por onde passou, foi uma das vítimas do trágico acidente que ceifou a delegação da Chapecoense e diversos jornalistas no fim de 2016. Na época, era comentarista, mas já havia tido longa e bem-sucedida carreira como técnico e dirigente, com especial sucesso no Corinthians. Como jogador, brilhou em Flamengo, Palmeiras, Internacional e São Paulo, entre outros.

Renato Portaluppi

Maior jogador da história do Grêmio, Renato rodou o Brasil e tornou-se “Renato Gaúcho”, embora represente como poucos a alma do Rio de Janeiro, estado que adotou como seu. Jogou na Itália, foi marcante no Fla e é ídolo do Flu, onde começou a brilhar como treinador. Atualmente no Grêmio, onde virou estátua e ídolo incontestável, comandou o clube na conquista da Copa do Brasil de 2016, na Libertadores de 2017 e na Recopa Sul-Americana de 2018. Foi o primeiro brasileiro campeão da Libertadores como jogador e treinador.

Tarciso

Recordista de jogos pelo Grêmio, com 721 partidas disputadas e segundo maior artilheiro da história do clube, com 226 gols. Entrou para a vida política, tendo sido vereador de Porto Alegre por três mandatos consecutivos. Ocupava tal posição quando morreu, em decorrência de um câncer, em 2018.

Paulo Cezar Caju

Trabalhou com marketing esportivo e foi colunista de jornais, tendo escrito para O Globo até o início deste ano. Foi olheiro de Olympique de Marselha e sócio em uma academia de ginástica no bairro do Leblon, no Rio

Caio

Morreu em 2019, quando já tinha as duas pernas amputadas em decorrência da trombose que infelizmente o levaria. Teve participação fundamental na conquista da Copa Libertadores de 1983, marcando 4 gols, inclusive o primeiro da decisão contra o Peñarol. Entrou nos minutos finais no Mundial e alçou a bola que Tarciso desviaria para os pés de Renato e, daí, para o título.

Beto

O goleiro reserva na conquista é tio do também ex-goleiro tricolor Danrlei. É treinador de goleiros. Trabalhou no Sapucaiense e, desde 2013, está no Tupi, de Crissiumal.

Leandro

Depois de sair do Grêmio, jogou por Joinville e Athletico-PR. É dono de uma empresa de transporte de ônibus em Dois Irmãos, no Vale do Sinos, Rio Grande do Sul.

Casemiro

Aposentou-se em 1990 e tornou-se treinador. Comandou equipes no Brasil, em Portugal e Hong Kong. Atualmente está sem time. Mora em Canoas.

Tonho

Tornou-se treinador. Passou pelas categorias de base do Grêmio e comandou diversos times do Interior do Rio Grande do Sul. Está sem clube.

Valdir Espinosa

O comandante da maior conquista gremista trabalhava no Botafogo, quando morreu, em fevereiro de 2020. Foi diretor do Grêmio antes de ser dirigente no clube carioca. Como técnico, passou por Palmeiras, Portuguesa, Vasco, Flamengo e também no futebol japonês. Trabalhou também no Cerro Porteño, do Paraguai, com bastante sucesso. Era considerado por Renato uma espécie de mentor.