<
>

Corinthians avisa que vai demitir, procura 'voluntários' e estuda enxugar base e feminino

play
Mauro Cezar: após Flamengo dobrar políticos para treinar, não se surpreenda se outros clubes seguirem o mesmo caminho (3:29)

Para comentarista, discussão não foi para o lado da ciência, e sim da política (3:29)

Com o impacto nas receitas causado pela pandemia do novo coronavírus, que paralisou todo o calendário esportivo há dois meses, o Corinthians avisou aos funcionários que terá de fazer cortes. A reportagem teve acesso ao e-mail enviado aos colaboradores nos últimos dias, no qual se fala em demissões voluntárias aos funcionários que tenham interesse ou a possibilidade de sair.

Os departamentos jurídico, financeiro e de recursos humanos trabalham em conjunto. Em conversas por aplicativo ou telefone, os funcionários receberam garantias de que o clube cumprirá os deveres trabalhistas. Ao oferecer a demissão voluntária, a expectativa é preservar colaboradores que hoje não têm outra opção de renda nem outra oportunidade para evitar o desemprego.

Em tentativas anteriores para lidar com a crise, o Corinthians anunciou os cortes de salário para funcionários que recebiam mais de R$ 3.000 mil mensais e mudança no pagamento de benefícios.

A divisão feita foi corte de 70% do salário dos funcionários que não puderam trabalhar em maio e 50% dos que trabalharam de casa, assegurando economia de R$ 2,1 milhões. Também cortou 25% dos salários dos jogadores, o que proporcionou uma economia de cerca de R$ 2,2 milhões.

O clube manteve o pagamento dos benefícios de assistência média, odontológica e alimentação. O auxílio referente a transporte está suspenso até o retorno das atividades.

A direção estuda também enxugar os departamentos de futebol de base e feminino, conforme reportagens publicadas pelo “GloboEsporte.com” e “Meu Timão” e confirmada pelo ESPN.com.br.

Entre as ideias, está a redução das comissões técnicas e a união de funcionários de categorias diferentes. Por exemplo, um quadro formado com colaboradores do sub-14 e sub-15. Outro entre os que compõem o sub-16 e sub-17. Não há previsões de corte de jogadores.

Fazem parte da estrutura da base técnicos, auxiliares, profissionais de scout e analistas de desempenho, preparadores físicos, treinadores de goleiros, observadores técnicos, nutricionistas, fisioterapeutas, médicos, psicólogos, assistentes sociais e roupeiros. A mudança será aí.

Em sete categorias, o Corinthians tem mais de 50 profissionais, sem contar os cargos de gerência, ocupados por outros quatro profissionais, entre os quais o ex-goleiro Fernando Yamada.

O departamento feminino tem menos colaboradores (15 entre profissional e base, além de quatro em cargo de coordenação/gerência), mas deve seguir o mesmo caminho.

A base é um dos setores mais prejudicados pela pandemia. Muitos clubes têm enxugado seus departamentos amadores e há casos, como Coritiba e Sport, que suspenderam as atividades.

Em São Paulo, o presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF) já avisou aos clubes que não vai realizar as competições de base, deixando em aberto apenas os campeonatos sub-20.

Reportagem publicada há uma semana pela ESPN mostra que a preocupação de profissionais que trabalham há duas décadas no setor têm sido com quadros de ansiedade e depressão nos garotos. Muitos ficam temerosos de perderem a oportunidade de seguir carreira.

O novo coronavírus fez o Brasil ultrapassar a marca de 24.512 mortos, 391.222 casos confirmados, sendo 158.593 infectados, em dados divulgados pelo Ministério da Saúde na manhã desta quarta-feira (27). O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) também anunciou a prorrogação da quarentena até 1º de junho.

Assim, como havia feito antes, a FPF disse que só programará o retorno das competições quando tiver aval das autoridades sanitárias.

Apesar da situação financeira, o Corinthians também é a favor da preservação da saúde dos jogadores e colaboradores. Em carta aberta, o presidente Andrés Sanchez disse que o futebol deve retornar apenas quando houver condições e segurança para todos.