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Futebol, NBA, NFL e mais: como está o processo de retorno das grandes ligas de esporte pelo mundo

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Premier League quer retorno de treinos com contato físico já na quinta-feira, mas pode ter resistência de atletas; Natalie repercute (1:19)

Campeonato Inglês terá reunião na quarta-feira e votará se avança seu protocolo para a 'Fase 2' (1:19)

* Esta reportagem foi apurada e escrita por Malika Andrews, Kyle Bonagura, Jeff Carlisle, Heather Dinich, Dan Graziano, Tom Hamilton, Baxter Holmes, Emily Kaplan, Zach Lowe, Jeff Passan, Marc Raimondi, Kevin Seifert, Ramona Shelburne, Mechelle Voepel and Brian Windhorst.

A Professional Bull Riders, empresa que organiza competições de montaria, foi uma das últimas ligas a parar nos Estados Unidos e a primeira a voltar, com um evento apenas para TV, nos dias 25 a 26 de abril, sem nenhum torcedor presente.

"Foi quando o telefone começou a tocar", diz Sean Gleason, CEO da PBR.

Na linha estavam executivos de mais de 15 ligas esportivas, incluindo Nascar, Concacaf, LaLiga, WTA, NBA e UFC, que buscava informações para tornar verdadeira a declaração de que seria "o primeiro esporte de volta".

Dois meses depois, o cenário mudou.

Houve um fascínio por retornar primeiro durante a pandemia de coronavírus. Em meio a um momento como esse, existe o potencial para grandes audiências de televisão e receitas muito necessárias, mas também o risco real de fracasso - de começar cedo demais e tropeçar. A PBR já realizou dois eventos desde sua competição no final de abril. O UFC completou três eventos em uma semana. A Nascar realizou corridas de 400 milhas em Darlington no domingo e na quarta-feira. A Bundesliga voltou no fim de semana após apenas dez dias de treinamento. Golfe e boxe já têm datas agendadas.

Murthy é um dos dois principais consultores da NBA durante a pandemia. "Não há um plano nacional claro de como voltar com segurança. Muitas empresas, escolas e equipes estão tentando descobrir isso por conta própria".

E os caminhos que eles estão tentando seguir ainda estão sendo traçados.

MLB

NOS ÚLTIMOS DOIS MESES, enquanto a Major League Baseball lutava com um presente paralisado e um futuro em questão, oficiais da liga consultavam autoridades estaduais e federais por inúmeras horas tentando criar um plano. Rob Manfred, comissário da MLB, passa boa parte do dia conversando por telefone e por vídeo, fazendo lobby com políticos e apoiando o retorno do beisebol, sempre ciente de que o homem mais poderoso do mundo está a uma chamada de distância.

"Se o comissário precisa conversar com o presidente", disse um funcionário da Casa Branca, "ele liga imediatamente".

Manfred não é diferente de outros líderes de ligas, encorajados pelo presidente Trump a voltar com os esportes. E, no entanto, ele está em uma posição clara para fazê-lo, com sua liga à beira de uma temporada que ainda não começou. O que o esporte certa vez considerou garantido - o ato aparentemente simples de jogar um jogo de beisebol - agora exige vários planos de contingência e planos de contingência para os planos de contingência. É um exercício frágil.

Desde o momento em que os treinamentos foram encerrados em 13 de março, a MLB enfrentou circunstâncias que seus irmãos não enfrentaram. NBA e NHL já realizaram 80% de suas respectivas temporadas regulares. A NFL estava a quatro meses da abertura dos training camps. O dia de abertura da MLB estava a menos de duas semanas.

Quando o coronavírus fechou o país, a MLB se esforçou para estabelecer um acordo com a Associação de Jogadores em 27 de março, sobre a capacidade dos jogadores de processar por conta de salários em caso de uma temporada perdida - o custo: US$ 170 milhões garantidos e tempo de serviço completo para os jogadores - e começou o processo de tentar evitar esse cenário assustador.

Isso se mostrou complicado, com questões logísticas dificultando algumas opções e questões financeiras impedindo outras. A MLB aterrissou em seu plano atual: abrir o maior número possível de estádios a partir de julho, ciente de que está repleta de armadilhas em potencial e que pode nunca decolar.

Dentro do escritório do comissário, os funcionários dividiam a responsabilidade sobre os elementos fundamentais de qualquer retorno: testes, protocolos de segurança, operações no estádio, programação, relações com jogadores, regras e finanças. Eles receberam ligações de equipes em pânico devido à piora das situações financeiras. Eles buscaram a orientação do Dr. Ali Khan, um funcionário de longa data do CDC que está entre os mais experientes do país em lidar com pandemias. E agora eles se encontram na posição mais desconfortável: perto o suficiente para que o otimismo seja palpável; longe o suficiente para que qualquer questão possa arruinar um retorno.

A etapa mais recente veio na forma de um rascunho abrangente de 67 páginas, que cobriu a amplitude de questões de saúde e segurança que cada liga enfrentará ao tentar fazer o seu retorno. A MLB enviou o documento para o sindicato na sexta-feira, e enquanto os jogadores olhavam para algumas de suas proposições - a sugestão de que os jogadores não tomassem banho após os jogos despertou a ira de muitos. Para que o beisebol (ou qualquer outro esporte) volte, será necessário retirar muitos dos confortos que os jogadores se acostumaram a ter. A vida que eles conheceram não será a vida que eles vão viver.

Os detalhes do dia-a-dia são negociáveis ​​e a lacuna é preenchida. O mais difícil é concordar nas questões financeiras. Os proprietários querem que os jogadores aceitem um corte salarial em cima de um imposto pelo contrato de março, que determina que os jogadores recebam um salário proporcional, dependendo do número de jogos disputados. As negociações, portanto, ficaram tensas. Nenhum dos lados fez uma proposta oficial. Mesmo que eles cheguem a um acordo que cubra dinheiro e saúde, a MLB precisa que autoridades federais, estaduais e locais validem o retorno, algo complicado de se fazer por conta das taxas que variam de lugar para lugar.

E então, se o beisebol pode enfrentar esses desafios significativos, surge o desconhecido: como as equipes vão viajar regularmente - e com segurança - pelo país durante uma pandemia?

Haverá controvérsia, e haverá medo e haverá risco, porque os três fazem parte do retorno dos esportes. Nada disso vai parar o beisebol, pelo menos por enquanto.

FUTEBOL

UM PLANO DE 51 PÁGINAS foi necessário para reiniciar a Bundesliga. A força-tarefa da Federação Alemã, chefiada pelo Dr. Tim Meyer, médico da seleção e diretor médico do Instituto de Esportes e Medicina Preventiva da Universidade de Saarland, recebeu aprovação de Angela Merkel em 6 de maio. Dois dias depois, as equipes estavam em quarentena de sete dias antes do retorno da liga.

Os jogadores são testados duas vezes por semana e, se retornarem com um resultado positivo, são colocados em isolamento por 14 dias. Os jogos têm um total permitido de 332 pessoas dentro e ao redor do estádio. Todos, exceto jogadores e árbitros de campo, usam uma máscara, não há mascotes, os jogadores são aconselhados a comemorar com toques de cotovelo e a não cuspir no gramado.

Tudo isso aconteceu com cadeiras vazias - uma experiência estranha, dada a cultura do futebol alemão. Mas os torcedores ficaram longe, e o novo limite de cinco substituições - um aumento em relação às três que podiam ser feitas, implementado em uma tentativa de evitar lesões após uma longa parada - não fez o jogo perder força.

As ligas de todo o mundo estão de olho na Alemanha para ver se seu modelo meticulosamente detalhado será bem-sucedido ou se será um fracasso. França, Escócia, Bélgica e Holanda cancelaram suas temporadas, mas outras ligas ainda esperam retomar suas atividades.

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Premier League quer retorno de treinos com contato físico já na quinta-feira, mas pode ter resistência de atletas; Natalie repercute

Campeonato Inglês terá reunião na quarta-feira e votará se avança seu protocolo para a 'Fase 2'

A Premier League tem algo chamado de "Project Restart", seu próprio plano para um retorno esperançoso. Na segunda-feira, a liga anunciou que os clubes poderiam treinar em pequenos grupos e, na terça-feira, foram divulgados os resultados dos testes: seis dos 748 jogadores e membros da equipe tiveram resultados positivos para o coronavírus e se isolariam por sete dias. Para reiniciar, a Premier League precisará da aprovação dos clubes, do governo e do órgão responsável pela saúde pública na Inglaterra.

Na Espanha, o Ministério da Saúde deve dar sinal verde - e LaLiga está otimista de que poderá ter um retorno em meados de junho. O consultor médico é o irmão do CEO da liga, Javier Tebas, Pablo Tebas Medrano, que é o principal especialista em virologia da Universidade da Pensilvânia.

Para a Série A na Itália, os clubes foram autorizados a treinar em grupos, mas ainda não sabem se a liga terá permissão para retornar. Fontes dizem que o governo pedirá o cancelamento da liga se um jogador ou membro da equipe tiver um resultado positivo para a COVID-19. A Série A foi a primeira liga da Europa a parar por conta do coronavírus e, com a cidade de Bergamo devastada pelo surto, qualquer retorno será tenso. A Federação Italiana marcou em 14 de junho como a data em que isso será discutido. O desejo é concluir a temporada 2019-20 até 20 de agosto, mas tudo isso ainda está sujeito à aprovação do governo.

NBA

ERA A NOITE DE 11 DE MARÇO. O Dr. Vivek Murthy estava em casa em Washington, DC, com sua esposa, Alice, e os dois estavam envolvidos no caos habitual da noite, tentando alimentar seus dois filhos pequenos de 2 e 3 anos. Normalmente, a TV não fica ligada no jantar, mas o ex-cirurgião-geral dos EUA estava acompanhando de perto a pandemia. Então, a notícia chegou: a NBA estava suspendendo sua temporada. Murthy se virou para Alice. Os dois não disseram uma palavra. Mas, em sua mente, Murthy estava considerando a gravidade do momento.

A NBA consultou principalmente dois especialistas em toda a pandemia: Murthy e Dr. David Ho, diretor e CEO do Aaron Diamond AIDS Research Center da Columbia University. O vice-presidente sênior de assuntos relacionados aos jogadores, David Weiss, liderou o planejamento de logística da NBA.

A posição da liga tem sido observar de perto outros esportes voltarem à ação, aprender com o que correu bem e adaptar as medidas para atender às suas necessidades.

Murthy conversou com líderes da liga e proprietários de equipes e, informalmente, com outras pessoas de esportes que o contatam de maneira confidencial. As perguntas são todas iguais: quando os torcedores poderão voltar a frequentar partidas? Como eles devem reagir se alguém testar positivo? Com que frequência funcionários e atletas devem ser testados? Como deve ser a distância mantida entre funcionários e jogadores?

Lugares ainda não foram escolhidos, embora Las Vegas e o Walt Disney World sejam considerados os principais candidatos. E embora muitas instalações de treinos da NBA estejam abertas para exercícios individuais, nem todas elas estão. Sendo assim, cada time volta para a sua cidade para treinar ou alguns com instalações fechadas mandam seus jogadores treinar em Orlando ou em outra “bolha”?

Essas perguntas permanecem, mas todas as respostas giram em torno da ideia de tolerância a riscos.

"Existe um risco para os jogadores de que a infecção pela COVID-19 possa levar a grandes complicações", diz Murthy. "Depende obviamente da saúde e das condições de saúde preexistentes. O objetivo aqui não é ser alarmista e dizer que isso definitivamente terá efeitos graves em qualquer jogador da NBA que seja infectado. Esse não é o caso. Você sabe, a maioria dos jogadores da NBA são jovens e saudáveis ​​e as estatísticas dizem que a maioria delas estaria, em última análise, bem".

À medida que as discussões progridem entre escritório da liga e jogadores, é ainda mais importante entender o que é viável para terminar a temporada. A NBA e a Associação de Jogadores formaram um comitê conjunto para estudar os planos de retorno ao jogo. Além do escritório da liga, inclui especialistas em saúde e jogadores como Chris Paul, Dwight Powell, Kyle Lowry, Jayson Tatum e Russell Westbrook, embora fontes digam que Adam Silver e alguns jogadores tenham tido discussões semelhantes de maneira informal há semanas.

Em todas as conversas com líderes da liga, Murthy diz que reconhece que as preocupações sobre a temporada ficar parada - financeiras ou não - não são insignificantes. Bobby Marks, da ESPN, escreveu que o cancelamento da temporada poderia resultar na perda de US$ 2 bilhões em renda relacionada ao esporte. Murthy tem delineado obstáculos e encorajado equipes a manterem a harmonia com as autoridades públicas. Ele descreve como as perdas financeiras são dolorosas, mas qualquer coisa que seja feita sem um plano meticuloso pode piorar a situação no futuro.

O que o leva de volta à noite em que a NBA foi paralisada. A decisão de Silver, diz Murthy, foi "um sinal para as pessoas de que algo profundo em nossas vidas está prestes a mudar".

Murthy considera que a volta do esporte é, de certa forma, um sinal ainda mais poderoso.

“Não pode ser uma simples decisão comercial para ter audiência e participação de mercado. Isso deve ser encarado como uma decisão mais ampla, com implicações de apoio à saúde pública".

Silver, ele diz, entende isso. E embora a maior preocupação seja a retomada da temporada 2019-20, agir com muita rapidez põe em risco as temporadas futuras. "O [acordo coletivo]", disse Silver aos jogadores em uma ligação na semana passada, “não foi construído para lidar com pandemias”.

NFL

O DRAFT DE 2020 DA NFL era para ser um grande evento, onde os jogadores chegariam de barco e andariam em um tapete vermelho em cima das fontes de Bellagio. Após a pandemia de coronavírus, a NFL optou por seguir em frente com o draft conforme programado, mas feito virtualmente.

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Se os executivos de equipes - como o gerente-geral do Saints, Mickey Loomis - eram a favor de adiar o draft, eles estavam instruídos a não dizer isso publicamente. Em um memorando enviado aos executivos da NFL, presidentes de clubes, gerentes gerais e treinadores em 26 de março, o comissário Roger Goodell escreveu que não queria que eles expressassem nenhuma opinião pública sobre o draft.

"A discussão pública de questões relacionadas ao draft não tem propósito útil e é motivo para ação disciplinar", dizia o memorando.

Esse sentimento se repetiu enquanto a NFL tenta operar como de costume. Externamente, os executivos da liga se recusaram a responder perguntas sobre as contingências da COVID-19. Ao contrário das ligas que pararam no meio da temporada e têm se esforçado para se manter em funcionamento, a NFL está aproveitando o fato de ainda haver tempo.

Enquanto outras ligas esportivas enviaram testes e formaram planos de contingência para seus planos de contingência, a NFL marchou publicamente em direção ao otimismo. A liga até revelou o cronograma 2020-2021, com o primeiro jogo marcado para 10 de setembro.

Mas antes que isso aconteça, as instalações de treinos devem ser abertas. Em 6 de maio, a NFL enviou um memorando instruindo cada equipe a montar um plano específico de mercado para reabrir em 15 de maio. No memorando, Goodell novamente alertou as equipes sobre "comentários que especulam sobre como clubes e a liga abordarão uma série de contingências hipotéticas", reiterando que "não serve a um propósito construtivo e, muito pelo contrário, confunde nossos torcedores e parceiros de negócios".

A Associação de Jogadores da NFL formou uma força-tarefa presidida pelo Dr. Thom Mayer, que é diretor-médico da associação há décadas. Mayer diz que o grupo é composto por cientistas de Harvard, Duke, da Academia Nacional de Medicina e funcionários do escritório do Dr. Anthony Fauci.

"Embora tenhamos mais tempo do que a MLB e outras ligas, certamente não é uma quantidade ilimitada", disse Mayer a Cameron Wolfe, da ESPN.

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Enquanto isso, a liga tem consultado médicos da Infection Control Education for Major Sports - um grupo com o qual trabalha há seis anos. Em entrevista à ESPN, Christopher Hostler, um dos epidemiologistas consultados, disse que seu trabalho consiste em fornecer informações aos executivos da liga, treinadores e médicos das 32 equipes. Mas os dados, diz ele, são "muito bem aceitos" pela liga. Hostler se recusou a dizer que conselho específico ele está fornecendo, citando um acordo de confidencialidade.

Em consulta com o ICEMS, no entanto, a liga enviou um memorando de cinco páginas às equipes detalhando as melhores práticas a serem implementadas quando suas instalações forem reabertas.

No memorando, ao qual a ESPN teve acesso, as equipes são instruídas a formar uma Equipe de Resposta com um médico local, um oficial de controle de infecção do clube, um treinador, um chefe de segurança da equipe, um clínico de saúde mental, um gerente de instalação e um diretor de recursos humanos.

"Esperamos plenamente que teremos casos positivos", disse o médico-chefe da NFL, Dr. Allen Sills, na terça-feira. "Como pensamos que esta doença permanecerá endêmica na sociedade, não deve surpreender que surjam novos casos positivos. Nosso desafio é identificá-los o mais rápido possível e evitar a disseminação para outros".

Se alguém de uma equipe começa a sentir os sintomas da COVID-19, diz o memorando, o oficial de controle de infecção é o primeiro ponto de contato designado. O memorando também pede às franquias que assegurem que os indivíduos fiquem pelo menos a dois metros de distância quando possível, obriga que os funcionários usem máscaras e pede que as pessoas tirem a sua temperatura antes de entrar nas instalações.

Goodell deu às equipes permissão para começar a abrir suas instalações - de maneira limitada - a partir de 19 de maio, desde que isso não entre em conflito com as diretrizes do governo local.

Ainda assim, o Dr. Deverick Anderson - um dos consultores da NFL - disse à ESPN que não há cenários no futuro previsível que não envolvam algum nível de risco de exposição ao coronavírus.

"Não existe um cenário de risco zero dentro ou fora dos esportes e isso sempre foi uma parte importante das mensagens que estamos tentando transmitir ao discutir esse roblema com as equipes", diz Anderson. "Não estamos aqui para eliminar o risco; estamos aqui para reduzir o risco".

UFC

DANA WHITE FICOU em frente ao octógono no UFC Apex em Las Vegas em 9 de abril. O presidente do UFC havia acabado de anunciar que o evento agendado para 18 de abril havia sido cancelado. Mas White, com as mãos nos bolsos, fez um voto.

"Seremos o primeiro esporte a voltar", disse White em entrevista a Brett Okamoto, da ESPN.

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Exatamente um mês após o dia relatado acima, o UFC 249 foi realizado em Jacksonville, Flórida, sem fãs presentes. O presidente Donald Trump, amigo de longa data de White, elogiou o UFC por conseguir operar em um vídeo que foi usado na transmissão.

O UFC elaborou um memorando de 20 páginas feito por uma equipe liderada pelo consultor médico chefe de promoção Dr. Jeff Davidson - e o enviou à Comissão Estadual de Boxe da Flórida e às autoridades locais no mês passado. Os protocolos incluíam o teste para a COVID-19 assim que os lutadores, os membros de seus corners e outras pessoas chegassem ao hotel. Eles ficariam isolados até que os resultados dos testes voltassem. White diz que mais de 1.200 testes, incluindo anticorpos, foram realizados no total ao longo da semana.

Era um conjunto exaustivo de políticas no papel, e White descreveu a execução como "muito bem-sucedida". Mas algumas coisas não deram tão certo assim. O brasileiro Ronaldo Jacaré e dois membros de seu corner testaram positivo para o COVID-19 no dia anterior ao UFC 249. Jacaré foi retirado da luta contra Uriah Hall, removido do hotel e foi aconselhado a ficar em quarentena.

Jacaré, no entanto, havia entrado em contato com outras pessoas antes dos resultados retornarem. Um vídeo foi postado em suas redes sociais mostrando ele e o peso pesado Fabricio Werdum um ao lado do outro. Usando uma máscara e luvas, Jacaré cumprimentou White nas pesagens mais cedo naquela manhã.

Em seu plano, o UFC disse que as entrevistas não seriam realizadas dentro do octógono. Mas desde a primeira luta, o comentarista Joe Rogan entrevistou os atletas dentro do octógono e sem máscara.

O UFC disse que seu plano é fluido e os relatórios de Jacksonville dizem que os procedimentos foram realizados com mais tranquilidade ao longo dos oito dias. Mas o que esses protocolos não incluem atualmente é uma "bolha". Lutadores e outras pessoas não foram testados antes de chegarem e não foram testados novamente após o evento. O distanciamento social entre a chegada dos lutadores e o retorno dos resultados foi instável. Alguns treinadores e membros de corner que tinham lutadores em mais de um evento não foram testados novamente para a COVID-19.

Enquanto a Flórida deixou o UFC realizar três da maneira que a promoção quis, esse não será necessariamente o caso quando outros estados reabrirem.

"Mesmo com as melhores intenções e os melhores planos, você ainda vai ter algum grau de risco", disse Andy Foster, executivo da Comissão Atlética do Estado da Califórnia, em uma reunião virtual realizada em 11 de maio.

Dana White espera realizar um evento em 30 de maio e outro grande card em 6 de junho em Las Vegas, além da estreia em julho da “Fight Island” para lutadores que não moram nos Estados Unidos poderem competir até conseguirem vistos de trabalho para os Estados Unidos.

Mas grandes questões seguem sem respostas. Até a liga com o comissário mais agressivo dos esportes ainda têm preocupações.

"Acho que o que você vai ver a partir de agora será todas as outras ligas dizendo: 'Vamos, vamos,vamos, vamos", diz White. "Alguém tinha que ser o primeiro".