<
>

Novo cartola no Cruzeiro questiona empresa de auditoria por divulgar contas da gestão passada: 'Quanto pagamos?'

play
Cruzeiro: Sérgio Nonato é hostilizado por torcedores e deixa eleição escoltado pela Polícia Militar (0:55)

O ex-diretor geral do clube na gestão Wagner Pires de Sá entrou rapidamente em um carro e deixou a região (0:55)

Eleito para presidir o Conselho Deliberativo do Cruzeiro na noite da última quinta-feira, mesmo dia em que foi escolhido o novo presidente do clube, Paulo César Pedrosa disparou críticas contra a empresa Kroll por ela "vazar" informações à imprensa. A empresa respondeu em nota oficial (veja abaixo).

“Nossos sucessores no Conselho Fiscal vão fazer a apreciação das contas de 2019, que ainda não chegaram em nossas mãos. A tal da Kroll pegou os documentos, mandou para a imprensa, não encaminhou ao Conselho Fiscal, nunca vi isso na minha vida. A partir da semana que vem vamos olhar quanto o Cruzeiro pagou para a Kroll. Quanto? Eu nunca vi fazer uma auditoria em 30 dias”, disse após a eleição.

O novo responsável pelo Conselho Deliberativo também disse não ter vínculo com a ex-diretoria de Wagner Pires de Sá.

“Ganhamos a eleição para o Conselho Fiscal em julho, ficamos cinco meses com a diretoria anterior. Não temos compromissos com diretor nenhum, presidente, nem nada. Trabalhamos independentes, fomos super elogiados por todas as gerências do Cruzeiro pelo trabalho que realizamos em 2018. Em relação a salário, pessoa jurídica, contrato, é um regime presidencialista. Conselho Fiscal não pode fazer nada”.

A declaração contra a Kroll refere-se ao noticiário dos últimos dias, com informações publicadas a partir de uma investigação independente feita pela empresa, que descobriu gastos abusivos feitos por meio dos cartões corporativos do Cruzeiro pela antiga gestão.

Os gastos ocorreram em estabelecimentos variados, como “lojas de eletrônicos, lojas de roupas, clínicas de saúde, bebidas alcoólicas, resorts de luxo e casas noturnas de entretenimento adulto”.

A Kroll foi contratada justamente para fazer uma devassa nas contas do Cruzeiro. A auditoria analisou documentos, transações financeiras e comunicações eletrônicas dentro do clube e descobriu R$ 39,2 milhões de pagamentos irregulares ou suspeitos.

O documento produzido pela empresa e disponível online (clique aqui) também revela que o Cruzeiro pagou um total de R$ 8,5 milhões a empresas vinculadas a dirigentes e/ou familiares e R$ 6 milhões a empresas vinculadas a 52 conselheiros. Algo proibido pelo Estatuto.

A auditoria descobriu também que a gestão anterior assinou contratos de intermediação de atletas de mais de R$ 13 milhões sem que a participação dos intermediários fosse registrada na CBF, o que fere o Regulamento Nacional de Registro e Transferência de Atletas de Futebol.

A investigação da Kroll é referente a gestão de Wagner Pires de Sá, presidente entre 2018 e 2019, sendo o último ano o de pior resultados esportivos (com rebaixamento) e financeiros (teve deficit de R$ 394 milhões, recorde negativo na história do clube).

A eleição e o empossamento do cartola ocorreram na última quinta-feira, em Belo Horizonte, mesmo dia de escolha de toda nova diretoria.

Kroll responde

Em nota oficial, a empresa contratada para analisar as contas do clube celeste se pronunciou e também mostrou-se disposta a esclarecer a situação com a nova diretoria.

"A Kroll foi contratada pelo Conselho Gestor para fazer uma investigação independente no Cruzeiro, seguindo o escopo pré-determinado. O trabalho teve início no dia 3 de março e o relatório final foi entregue exclusivamente ao clube no dia 15 de maio. A Kroll ressalta que não presta serviços de auditoria externa e não participou da análise e aprovação do balanço financeiro de 2019. A Kroll está à disposição para fazer qualquer esclarecimento à nova gestão do Cruzeiro."