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'Pé no ouvido' de Guardiola, ruptura com Ibrahimovic e sim ao Real: Mourinho fala sobre os 10 anos de título da Champions com a Inter

Há dez anos, José Mourinho conseguiu um feito inesquecível para os torcedores da Inter de Milão. Foi a conquista do “triplete”, isto é, Série A, Copa da Itália e Champions League na mesma temporada. Para recordar aquele fato, o treinador contou os segredos daquele período em uma entrevista exclusiva e polêmica para “La Gazzetta dello Sport” desta sexta-feira (22).

O português revela o que disse na cara do sueco Zlatan Ibramihovic quando ouviu que ele desejava se mudar para o Barcelona, clube em que acreditava ter mais chances de ser campeão europeu. E eles acabaram se enfrentando na semifinal…

"Você pode ir, mas quem sabe nós seremos os campeões".

Mourinho também revela o que disse no ouvido de Pep Guardiola no jogo em que selou a classificação da Inter de Milão para a final da Champions League. Foi a derrota por 1 a 0 no Camp Nou. Antes, em Milão, tinha vencido por 3 a 1.

A cena ficou imortalizada e gerou diversas teorias sobre o que foi dito.

“Quando o Busquets caiu atordoado ao chão, eu estava entre o meu banco, o do Barcelona e o lugar onde o Thiago Motta foi expulso. Pelo canto do olho vi o banco do Barcelona celebrar aquilo como se tivessem ganho. O Guardiola chamou o Ibrahimovic para falar sobre táticas de 11 contra 10… Simplesmente disse-lhe ‘Não façam festa porque ainda não acabou’. Essa derrota foi a mais saborosa da minha carreira”, disse Mourinho.

O treinador também admite que foi mais feliz em Milão do que Madri, onde tentou (e não conseguiu) uma Champions League pelo Real Madrid.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista de José Mourinho para “La Gazzetta dello Sport”:

União da Inter

“Dez anos depois e continuamos juntos, todos. Outro dia estava conversando com Alessio, que na minha época era o motorista do clube. Em que lugar [do mundo] um treinador que foi embora há dez anos ainda fala com o motorista? Nenhum. Esse era o espírito daquela Inter, são minha gente”

Cabeça dura

"O relacionamento é: eu treino, você joga. A empatia depende da capacidade de me aceitar como sou, é como um quebra-cabeça: na Inter havia pessoas esperando por alguém como eu para completar esse quebra-cabeça. Não sou fake, sou original. Eu também fui cabeça dura, mas era eu"

Scudetto de m...

"Especialmente após a derrota em Bérgamo [por 3 a1 para a Atalanta, em janeiro de 2009]. Fui muito violento com os jogadores, e somente depois de dizer que eles ganharam um Scudetto de merda e que percebi que os havia machucado, porque somente depois entendi o que eles tinham passado antes de tudo aquilo. E eu pedi desculpas"

Me senti desejado

“[Primeiro encontro com Massimo Moratti, presidente da Inter] Foi em Paris: em casa, não escondido em um hotel. Ele queria me fazer sentir desejado, e eu senti toda a paixão dele [pela Inter]. Então, entendi que ele tinha, não uma obsessão, não gosto dessa palavra, mas um grande sonho: a Champions League”

Saída de Ibrahimovic

“A coisa aconteceu em Pasadena, no dia do amistoso contra o Chelsea. Há dias estava esse tormento: ‘Ibra vai para o Barcelona, não, ele não vai’. Ele, como um super profissional, jogou 45 minutos, mas depois no vestiário, me disse: ‘Estou indo, tenho que vencer a Champions’. Meus assistentes italianos ficaram mortos: ‘Sem ele, será impossível vencer’. Os companheiros não queriam perdê-lo. Eu também estava preocupado.

"Respondi assim: ‘Talvez você vá e nóes é que vamos vencer’. Eu estava um pouco louco, mas no vestiário a atmosfera mudou. Então eu disse a Branca: ‘Se ele quer ir para Barcelona, vamos tentar trazer o Eto'o’. Ele e Milito poderiam taticamente dar uma diversidade ao time”

No ouvido de Guardiola

“Quando o Busquets caiu atordoado ao chão, eu estava entre o meu banco, o do Barcelona e o lugar onde o Thiago Motta foi expulso. Pelo canto do olho vi o banco do Barcelona a celebrar aquilo como se tivessem ganho, o Guardiola a chamar o Ibrahimovic para falar sobre táticas de 11 contra 10… Simplesmente disse-lhe ‘Não faça festa porque ainda não acabou’

"Essa derrota foi a mais saborosa da minha carreira. Em campo temos de encontrar soluções e não perdemos 0-1, ganhamos 3-2 em condições épicas”

Não festejou taça em Milão

“Se eu tivesse voltado com a equipe, os fãs cantariam ‘José fica conosco’ e talvez eu nunca tivesse saído. Eu ainda não havia assinado com o Real. Quem disse que alguém do Real veio ao nosso hotel antes da final e que eu assinei o contrato ali disse besteira. Antes da final, só descobri a caixa com as camisas comemorativas e fugi para não vê-las"

"Eu queria ir para o Real: eles já me queriam no ano anterior. Fui à casa de Moratti para contar a ele e ele disse: ‘Não vá’. Eu já tinha dito não ao Real quando estava no Chelsea, e você não pode dizer não três vezes ao Real. Hoje talvez eu pudesse ficar 4, 5, 6 anos no mesmo clube, mas depois queria ser o primeiro - e ainda sou o único entre os treinadores - a ganhar o título nacional na Inglaterra, Itália e Espanha”

Sim ao Real

"Decidi depois da semifinal com o Barcelona, porque sabia que aquela Champions já estava ganha. Moratti já estava preparado, no caloroso abraço que meu deu em campo ele entendeu o que eu queria e me disse: ‘Depois disso, vou tem o direito de fazer o que quer’. Era o direito de fazer o que eu queria, não de ser feliz. E, de fato, fui mais feliz em Milão do que em Madri"