Cabelos para homenagear 'a Lacraia', futebol atrativo e 'família Pepe'; a Portuguesa Santista que impressionou os rivais em 2003

A Portuguesa Santista vem em campanha de ascensão, tendo subido da terceira para a segunda divisão em 2018 e estando hoje na terceira posição da A2 do Campeonato Paulista. A maior lembrança do torcedor, contudo, remete a 2003, quando a equipe encarou os grandes, com irreverência dentro e fora de campo, e terminou na terceira colocação.

O comandante era um astro da cidade: Pepe, ex-craque do Santos que chegou em 2002, salvou o time do rebaixamento e para o ano seguinte montou um elenco com a ajuda do empresário Luiz Taveira, deixando apenas três atletas do ano anterior, entre eles o meia Juninho.

“Logo na pré temporada já nos identificamos. Ficamos em Socorro em um hotel fazenda, e chegou também uma excursão escola de pessoas especiais. Pegamos amizade, treinávamos de manhã e a noite brincávamos com eles. Tanto que depois eles foram assistir nosso jogo contra o Santo André e foram pé quente, ganhamos fora de casa”, conta o jogador.

Na estreia, vitória contra o Juventus por 2 a 1. Em seguida, 6 a 0 na Inter de Limeira e um empate com o São Paulo em 1 a 1, que já mostrava que o time poderia fazer boa campanha.

O jogo que marcou a campanha, contudo, ocorreu em casa contra o Santos, atual campeão brasileiro que não perdia a 33 partidas. Com dois gols de Rico, a Portuguesa Santista venceu por 2 a 0 e deixou em êxtase o Ulrico Mursa.

“O Pepe era um pai para a gente. Com tudo que ele ganhou, orientava muito a gente e fora de campo deixava fazer o que quisessemos. Contra o Santos, ele falou na preleção falou que era santista, que amava o Santos, mas naquele dia coração era da Portuguesa e queria uma vitória de presente. Isso aconteceu, ganhamos e oferecemos para ele”, conta Rico, um dos destaques do time.

Após se classificar na liderança do grupo 2, a Portuguesa Santista eliminou o Guarani nas quartas de final e parou no São Paulo nas semifinais. Após o torneio, Rico, Adriano e Souza foram para o tricolor. Souza foi quem mais durou, tendo sido campeão Brasileiro, da Libertadores e Mundial na equipe.

Homenagem a Lacraia

Muitos lembram da Portuguesa Santista pelos jogadores com cabelo pintado de loiro. A ideia foi de grande parte do elenco para homenagear Dinei, ex-Corinthians que, apesar de reserva, tinha papel importante de liderança naquele elenco.

“Chamavamos ele de Lacraia (dançarina de funk à época), brincávamos com ele e quisemos fazer homenagem. Pepe ficou meio assim, e avisamos que só não íamos pintar o dele porque era careca. Depois ele liberou e isso deu mais força, uma criou familia, a família Pepe,” completou Rico, que aos 39 anos diz que quer voltar ao time da Baixada Santista para encerrar a carreira.