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Com foco apenas em revelar jogadores, time do ex-zagueiro Oscar dribla crise na pandemia para sobreviver

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Zagueiro da seleção na Copa de 1982, Oscar conta o impacto da pandemia no seu clube no interior de São Paulo (1:02)

Oscar fundou em 2007 o Brasilis FC para revelar jogadores. A equipe é presidida pelo filho do ex-jogador e, acredite, não tem a ambição de ganhar títulos e disputar a primeira divisão (1:02)

Se você acha que existe um time que disputa campeonatos pensando em não ganhar pode ter certeza que sim. É o Brasilis FC, um clube-empresa fundado em 1° de janeiro de 2013, em Águas de Lindóia, interior de São Paulo. O objetivo é ganhar dinheiro com os jovens talentos.

Idealizado por Oscar Bernardi, ex-zagueiro do São Paulo e da seleção nas Copas de 1982 e 1986, o Brasilis só disputa a “Bezinha”, a quarta e última divisão do Campeonato Paulista, porque é obrigado, como time empresa e formador de jogadores, estar numa competição profissional.

Mas o grande ouro do time presidido por Matheus Bernardo, filho de Oscar, está nos alojamentos do centro de treinamento, que fica atrás do hotel do ex-jogador, na divisa com a cidade mineira Monte Sião.

O espaço tem capacidade para receber 50 atletas e serve a eles quatro refeições por dia.

O foco principal está nas categoria sub-15 e sub-17. Nesses 13 anos de trabalho já saíram muitos craques, o mais conhecido é Lucas Leiva. Mas como se sabe, o garimpo de garotos promissores não é tão farto. Muitas vezes, de mil atletas, apenas um vira. E o investimento é alto.

Oscar conta que, como na maioria dos clubes, a pandemia pegou todo mundo de surpresa e os prejuízos, não só para o clube, mas como para os atletas que sonham com a carreira que se iniciara são incalculáveis.

“Quando a pandemia foi anunciada a gente estava em andamento com um curso de árbitros específico para o VAR aqui no nosso CT. De um dia para o outro todos os árbitros que estavam hospedados com a gente e sendo treinados foram embora. Todos os equipamentos como câmera, tripés, caminhão de corte de imagens ficaram guardados aqui. Sorte nossa que, não tínhamos feito as inscrições dos jogadores do sub-23 para a disputa da ‘Bezinha’, pois se tivéssemos feito o prejuízo seria maior ainda”, disse Oscar.

O empresário disse que, além de não ganhar dinheiro com as peneiras que acontecem diariamente no CT, quando garotos de todo o Brasil pagam para passarem uma semana em fase de testes, alojados e se alimentando no CT, ele ainda tem despesas grandes com funcionários que estão parados e com a manutenção de três campos oficiais, todos de grama naturais.

“Nós dispensamos temporariamente todos os atletas que viviam em nossas instalações, até porque seria muita irresponsabilidade da nossa parte mantê-los com a gente. Mandamos todos de volta para as suas casas. Estamos em contato diário com cada jogador para saber se estão estudando e como está a saúde. O CT e o hotel estão fechados, mas os custos continuam. Por exemplo, temos treinadores, preparadores físicos, cozinheiros, o pessoal da limpeza” desabafou.

Apesar de suas empresas (hotel e CT) estarem na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, Oscar faz questão de afirmar que é a favor do isolamento. Dando prioridade à sáude dele e seus funcionários.

Assim como o chefe, Juarez Sobrero que é uma espécie de braço direito de Oscar com relação a todas as categorias de base do clube, também não vê a hora de retomar a vida normal, os treinamentos, competições e novas descobertas de talentos.

“Se para o profissional não está fácil, não há definições, imagina então para as categorias de base. Aqui, por exemplo são 50 atletas que ficam hospedados são como filhos. Não podemos acelerar o processo, muito menos ser imprudente numa hora dessas, embora os jovens atletas liguem pra gente direto, ansiosos para retomarem os treinos e as competições,” contou.

Juarez também participou, ao lado do presidente Matheus Bernardi, de uma reunião entre os clubes e a Federação Paulista, por videoconferência. O debate aconteceu no último dia 6 com o objetivo de esclarecer dúvidas e trocar informações entre os clubes e a entidade.

“Todos expuseram seus pontos de vista. Falamos com o Mauro Silva [um dos vices da FPF] sobre uma possível volta. Não dá para ter uma ideia de quando isso acontecerá. O certo é que todos querem voltar, nós [treinadores], atletas, clubes, federação, mas temos que ser mais que nunca responsáveis, pois estamos lidando com vidas”, disse Sobrero.

Oscar também está ansioso porque existem muitos talentos que ele não quer desperdiçar de uma safra boa de jogadores que eles estão apostando.

Quer saber mais sobre o Brasilis? Então assista a série de reportagens especial da ESPN de 2017 com Paulo Calçade: "De comentarista a professor". São três episódios que mostram a transformação do comentatista em técnico e contam os batidores do clube de Oscar.

Episódio 1

Episódio 2

Episódio 3