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Na várzea e na esteira, é o esporte combatendo a fome e alimentando vidas

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Várzea sem fome: conheça o projeto que busca resgatar fundos para distribuir cestas básicas às comunidades (1:31)

Marcelinho Favela explica como funciona e como ajudar o projeto (1:31)

Marcelinho Favela é líder comunitário de uma das maiores comunidades do Brasil. Em Heliópolis, ele é muito conhecido pelo seu engajamento no time de futebol e, principalmente, com as ações sociais.

Para quem nunca ouviu falar dele - e para quem nunca entrou na quebrada -, ele tem um recado curto e direto.

“O 'Várzea Sem Fome' eu costumo falar que é um projeto do povo para o povo. Por que é muito fácil falar 'fica em casa' para quem mora num apartamento por andar. Agora, o povo da comunidade aqui, o que divide um barraco do outro é só uma madeira e a dificuldade financeira de você abrir a geladeira e não ter o que comer... Você vê o seu filho querendo as coisas, como você vai fazer? Tem que sair pra luta, né? E a gente que tem um pouco de conhecimento aqui na comunidade fica engajado nesses projetos”, desabafa o líder de Heliópolis.

Marcelo Ricardo da Silva é o presidente do time Favela Heliópolis. Com sua liderança, ele conseguiu unir mais de 20 times, rivais, com objetivo de arrecadar alimento para os moradores da comunidade. Até agora, já conseguiu distribuir 2 mil cestas básicas para a população de baixa renda.

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Várzea sem fome: conheça o projeto que busca resgatar fundos para distribuir cestas básicas às comunidades

Marcelinho Favela explica como funciona e como ajudar o projeto

Se tem um lado bom dessa história horrível e dramática da pandemia causada pela COVID-19 é a solidariedade que vem ganhando força em um Brasil que, aos poucos, vinha abandonando o terceiro setor e as mais variadas causas sociais.

De norte a sul, as pessoas se mobilizam para não deixar que a população mais carente passe fome. São iniciativas das mais variadas áreas, que se mobilizam para ajudar o próximo. No esporte, o movimento vem ganhando força desde o futebol profissional, passando pela várzea, até o atletismo, ao lado do poder central do país.

Em São Paulo, o pessoal do futebol de várzea está se mobilizando para arrecadar alimento e material de higiene para montar 14 mil cestas básicas para distribuir em 14 comunidades. Até agora, a força-tarefa social já conseguiu arrecadar cerca de 30 toneladas de alimentos.

O pessoal da “TVila”, já apresentada nos canais ESPN com o “Var da Várzea”, em reportagem que abre este texto, também entrou de cabeça na campanha “Várzea sem fome”.

Luiz Roberto Brito Gomes é um desses empreendedores da comunidade. Além de presidente da escola de samba Tradição de Ouro e da Web TV “TVila”, é a turma dele que inovou as transmissões de jogos, dos mais variados, do futebol de várzea nas periferias de São Paulo e do Grande ABC.

Ele, o parceiro Fábio F5 e Marcelinho Favela estão entre algumas das cabeças pensantes de várias comunidades que criaram a campanha “Várzea sem fome”. A ação social tem dado tão certo que eles tiveram outra ideia, no mínimo curiosa, para não dizer inovadora.

No próximo dia 8 de maio eles farão, em parceria com outra Web TV, o “Futebol é coisa séria”. A ideia, segundo Luizinho (TVila), é começar uma live na sexta-feira que vai das 19h (de Brasília) até o dia 9, sábado, terminando também às 19h, ou seja, com 24h de duração.

“Será como um Criança Esperança ou um Teleton, mas só que da quebrada, para ajudar milhares de famílias que estão passando muita necessidade nesse momento complicado de pandemia”, afirmou o empreendedor de programas de esportes voltados para a várzea.

Marcelinho Favela alerta para a necessidade de um povo que faz a roda da economia girar. “Quem tiver condições de ajudar, ajude. Porque se cada um doar um pouquinho, esse pouquinho pode se transformar em uma imensa corrente do bem. Ah, quem não sabe o que é comunidade, comunidade é onde moram os pais de famílias, os marreteiros, autônomos, empregadas domésticas. E nessa situação que está aí, tudo paralisado por conta da quarentena, não tem como o pessoal trabalhar, né. A dificuldade está apertando porque um pouquinho que esse povo juntou, se é que conseguiu, está indo embora. Então, tem muita gente entrando em desespero. Claro que a gente não vai conseguir resolver essa situação, mas com um pouco que a gente conseguir ajudar, a gente vai estar sempre guerrilhando pela nossa comunidade, né?”, finaliza Marcelinho.


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Caio Bonfim, atleta da marcha atlética, fará live para arrecadar fundos na luta contra o coronavírus

Atleta falou sobre a iniciativa fantástica que acontecerá agora em maio

Na esteira, marchando por comida

O atleta olímpico Caio Sena Bonfim, quarto colocado nos Jogos Olímpicos do Rio-2016 e medalha de bronze no Mundial de 2017, em Londres, está seguindo o mesmo caminho. Em vez de esperar ações públicas para ajudar as famílias carentes de Sobradinho, cidade satélite de Brasília, ele resolveu inovar e marchar contra a falta de comida no prato de seus conterrâneos.

A campanha “Meia Maratona em casa, Live solidária” é um desafio que o marchador propôs para chamar a atenção das pessoas do esporte ou quanto às necessidades que muitas famílias estão passando, sem ter o que comer por causa da paralisação do comércio, fábricas e escritórios. O evento será transmitidp pelo canal do atleta no YouTube e no Instagram a partir das 17h desta sexta-feira, 1º de maio.

”A gente teve essa ideia porque começamos a sentir que tem muita gente, por causa do isolamento social, passando ainda mais necessidade. Por exemplo, aqui em Sobradinho tem o Lar dos Velinhos, que sempre foram isolados na verdade, e agora estão mais ainda porque não está chegando doação por lá. Tá faltando comida, remédio, produtos de higiene e a gente fica sem fazer nada? Não! Aí resolvemos fazer uma live onde eu marcharei meia maratona, ou seja, 21 km conversando com amigos do atletismo, empresários, enfim, com quem estiver disposto a conhecer um pouco mais o meu esporte e se solidarizar com a causa”, declarou o filho de Gianetti Sena, ex-marchadora, que ao lado do pai dele, João Sena, desenvolve um trabalho espetacular com crianças e adolescentes de baixa renda.

Na esteira da solidariedade, Caio também espera arrecadar alimentos para resolver, pelo menos por enquanto, a situação de uma comunidade de circo que chegou a Sobradinho e que, claro, não pode se apresentar.

“Teve um circo que chegou na cidade no dia 10, 15 de março. E aí eles foram vetados para qualquer apresentação. Os caras estavam passando fome. Aí a nossa igreja ajudou e toda hora a gente escutava uma, ou melhor, várias histórias de gente que estava passando por esse tipo de problema. Aí eu vi que sozinho fica difícil, então resolvemos mobilizar o comércio e a cidade a ajudar a própria cidade”, contou o atleta.