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Com clubes à beira da falência, Bundesliga se prepara para retornar de olho em R$ 1,8 bilhão da TV

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Lewandowski brilha de novo nas redes sociais e até rebola para não perder domínio da bola na cabeça (0:08)

Atacante do Bayern de Munique impressionou com controle de bola | via @_rl9 (0:08)

Com seus clubes em situação financeira delicada, a Bundesliga se prepara para tentar retornar em maio.

Nesta quinta-feira, a DFL (Liga de Futebol Alemão), responsável por organizar a 1ª e a 2ª divisões do país, se reuniu com os 36 clubes para ressaltar que a ideia é terminar a temporada 2019/20, paralisada pela pandemia de coronavírus, assim que possível.

Segundo o executivo-chefe da DFL, Christian Seifert, a vontade da liga e das equipes é voltar a jogar em 9 de maio, mesmo sabendo que as partidas terão que ocorrer sem clube. No entanto, ainda não se sabe se o Governo do país dará o aval.

"Se pudermos recomeçar em 9 de maio, estaremos prontos. Se for depois, estaremos prontos também. Para nós, o que será decisivo será o que os políticos decidam. Não cabe a nós decidir quando voltaremos. E jogos sem torcida não são o que queremos, mas, neste momento, é a única opção que parece realista", afirmou.

Recentemente, o Governo avisou que eventos que causem aglomerações estão banidos até 24 de outubro pelo menos. Por isso, há a certeza de que, se a Bundesliga puder voltar, será sem torcedores nas arquibancadas.

A alternativa pensada pela DFL é que sejam liberadas apenas a presença de jogadores, comissões técnicas, médicos, árbitros, funcionários do VAR, gandulas, funcionários do estádio, seguranças e empregados das emissoras de TV sejam permitidos.

A organização calcula que isso daria cerca de 300 pessoas por partida.

Além disso, seria necessário realizar constantemente testes de Covid-19: cerca de 20 mil, segundo cálculos da Universidade Martin Luther, em Halle. O número não chega a ser "assustador", já que a Alemanha tem, atualmente, capacidade de fazer 640 mil testes por semana - ou seja, o futebol tomaria apenas 0,5% dessa capacidade.

A principal causa da "pressa" em voltar é o aperto financeiro.

Segundo relatório interno da DFL, divulgado pela emissora inglesa BBC, 13 dos 36 clubes das duas principais divisões alemãs correm risco de falir se os campeonatos não forem retomados no máximo até junho.

A salvação, portanto, seria receber o que falta do dinheiro dos direitos de televisão, que estão "congelados" enquanto a temporada está paralisada.

O consórcio formado pelos dois canais de TV pagos e pelos dois públicos que passam os jogos do Alemão ainda devem pagar uma parcela de 304 milhões de euros (cerca de R$ 1,8 bilhão) às equipes, que ainda não viram essa grana - a data original que o dinheiro deveria cair era 10 de abril.

No momento, a DFL tem acordo com as emissoras para que tudo seja quitado em 2 de maio, uma semana antes da teorica retomada da temporada 2019/20.

Apesar do "otimismo" dos organizadores, porém, os clubes não demonstram tanta confiança em voltar logo.

Nesta quinta-feira, por exemplo, o diretor esportivo do Werder Bremen, Frank Baumann, afirmou que não vê como realista o retorno em 9 de maio.

"Estou cético quanto aos jogos da Bundesliga sendo retomados em maio. Nós ainda temos que ver o que o Governo irá decidir em 30 de abril. Nós sequer fomos autorizados a retornar aos treinos ainda", lembrou.

"Já ressaltamos diversas vezes que a saúde da população é a questão mais importante, e isso não mudou. Também está claro para todos que quem tomará a decisao serão os políticos, e não os dirigentes de futebol", completou.