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Matmut Atlantique, do Bordeaux, foi estádio mais bonito do mundo em 2015; hoje, é considerado fracasso

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Cachorro interrompe sequência, tenta dar cabeçada na bola e acaba destruindo câmera de goleiro da seleção argentina (0:07)

Geronimo Rulli publicou o vídeo nas redes sociais - Instagram @gerorulli (0:07)

Construído para a Eurocopa de 2016, o ultramoderno estádio Matmut Atlantique, do Bordeaux, ganhou prêmios quando foi finalizado. Parecia que seria um fator transformador para o clube francês voltar aos seus dias de glória. Mas, cinco anos depois, o tiro saiu pela culatra.

Inaugurada em 23 de maio de 2015, a arena impressiona quem a vê pela primeira vez, principalmente de fora. Afinal, o projeto foi de autoria do escritório suíço Herzog & de Meuron, o mesmo que desenhou a Allianz Arena, em Munique, e o Ninho do Pássaro, em Pequim, entre outros.

Tanto no interior quanto no exterior, soluções inovadoras de design foram usadas, principalmente para facilitar a circulação dos torcedores e do público dos shows que o local recebe. Também há 407 terminais de Wi-Fi para os torcedores se conectarem, 19 opções diferentes de lanchonetes para alimentação e 8,5 mil vagas de estacionamento.

Das escadarias às arquibancadas, passando pelos corredores e banheiros, só materiais de primeira e ecologicamente corretos foram usados, o que deram à arena um aspecto visual ainda mais belo.

Não à toa, o campo, que tem capacidade para 42.115 torcedores, ganhou prêmio de estádio do ano de 2015 no StadiumDB.com, maior database online de estádios do planeta, ao lado da Arena BBVA Bancomer, do Monterrey-MEX.

Inicialmente, parecia que o Matmut Atlantique seria um fator transformador para o Bordeaux, e possibilitaria ao clube brigar no topo da pirâmide francesa contra os poderosos Paris Saint-Germain e Olympique de Marselha.

No entanto, cinco anos depois de sua construção, a arena hoje é considerada um fracasso.

Segundo reportagem do canal Franceinfo, a torcida dos Girondins nunca se apaixonou pelo novo estádio. Os fãs criticam a localização do campo, que é longe do centro da cidade (ao contrário do Chaban-Delmas, antiga casa do Bordeaux), a cor branca "pasteurizada" dos assentos e até o frio que faz dentro do local, graças aos ventos fortes que vêm do Oceano Atlântico.

Prova disso é que, apesar da capacidade para 42.115, a arena ficou longe de lotar nos últimos anos. Veja as médias de público:

2015/16: 25.088 torcedores/jogo
2016/17: 23.270 torcedores/jogo
2017/18: 26,048 torcedores/jogo
2018/19: 23.427 torcedores/jogo

De acordo com a Franceinfo, foram tentadas todasa as estratégias de marketing possíveis para encher o Matmut Atlantique, mas elas foram em vão.

Por conta disso, a prefeitura de Bordeaux, que é a dona da arena, e o grupo Vinci-Fayat, já estudam uma medida drástica: uma redução na capacidade do estádio, de forma que fique menos "dolorosa" a visão das arquibancadas vazias nas partidas.

A ideia é que o campo passe a ter 35 mil lugares - ou seja, passe por uma redução de 1/6 de sua capacidade.

Ao mesmo tempo, o Bordeaux já vem conversando há meses com o Vinci-Fayat sobre a possibilidade de assumir 100% das operações do Matmut Atlantique, o que diminuiria o aluguel cobrado atualmente para jogar lá: 4 milhões de euros (R$ 22,4 milhões).

Ainda segundo a televisão francesa, a primeira atitude do clube se conseguir ter o controle do estádio será pintar as arquibancadas de azul, o que ajudaria a devolver um pouco a identidade da equipe e talvez dar um pouco de alento aos torcedores.

Em todo caso, porém, os planos de redução de capacidade seguiriam da mesma forma, com a queda para 35 mil lugares (que era exatamente a lotação do Chaban-Delmas, antiga arena dos Girondins).