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Por que clubes se preocupam tanto com sócios e dupla Gre-Nal ainda mais

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Não são apenas as questões contratuais e as financeiras que preocupam os clubes diante da paralisação no futebol causada pela pandemia do novo coronavírus. A uma semana de completarmos o primeiro mês da quarentena, as equipes temem pelos programas de sócio-torcedor.

As receitas geradas pela mensalidade dos sócios ajuda e muito a completar o orçamento. Por exemplo, o Palmeiras fez uma previsão orçamentária para 2020 contando com R$ 55 milhões do Avanti, o que equivale a 9% dos R$ 600 milhões previstos de arrecadação no ano.

No final de janeiro, o clube alviverde registrava 70 mil sócios ativos. Vale destacar que o plano palmeirense vai além da prioridade e do desconto na compra de ingressos. Há uma série de benefícios em redes parceiras, que vão da compra de eletrodomésticos até varejo.

Para evitar uma desistência em massa, o Palmeiras enviou um comunicado aos sócios informando um ajuste no Avanti a partir deste mês. Todo o pagamento feito de agora até a data em que as competições voltarem será revertido em crédito na compra de futuros ingressos.

“A sua ajuda é fundamental para que consigamos seguir em dia com todos os compromissos do departamento de futebol, que hoje permitem termos um Palmeiras forte”, diz o comunicado.

Mesmo o Corinthians, clube que espera arrecadar R$ 13 milhões com o Fiel Torcedor neste ano, valor que corresponderá a apenas 2,6% do total de R$ 493 milhões previstos em orçamento, fez ajustes.

A diretoria criou um sistema de pontos para quem se mantiver vinculado ao programa durante a quarentena. Esses pontos serão revertidos em descontos assim que os campeonatos voltarem.

Já o Santos, que conseguiu um crescimento de 30% do Sócio Rei no ano passado, vai oferecer 50% de desconto aos torcedores que aderirem ou renovarem o plano Silver a partir de abril e até o final da quarentena.

“Ações para compensar o torcedor pelos benefícios não usados prometendo vantagens quando os jogos voltarem são simpáticas, boas para a imagem e sinalizam uma via de mão dupla. Mas, mesmo não sendo algo fácil, seria importante criar formas de interação com o programa neste momento, mesmo com a pausa, pois quem fica inadimplente agora tem menos probabilidade de acertar sua situação se estiver distante”, disse André Monnerat, head de negócios da Feng Brasil, empresa especializada em programas de sócios, com Flamengo, Vasco e Santos.

A preocupação maior entre os grandes no cenário nacional é da dupla do Rio Grande do Sul. Tanto Internacional quanto Grêmio tem uma arrecadação alta com os programas de sócio. Ano passado, eles faturaram R$ 75 milhões cada um.

A meta colorada é até mais alta em 2020. Espera obter R$ 90 milhões (23% do orçamento). Nenhum outro clube, entre os mais populares do país, tem tamanha fatia da expectativa de faturamento confiada aos sócios.

“Se houve desistências, o impacto será grande. A gente tem de lembrar que o Inter foi um dos precursores da valorização dos programas de sócios. Fomos o primeiro a passar a marca de 100 mil. Estávamos com 112 mil”, disse Alexandre Chaves Barcellos, o vice-presidente do clube.

“Nós temos lotado o Beira-Rio graças aos sócios. Quando abrimos venda em bilheteria, dificilmente ela chega a 10% da cota de todo o estádio. Por isso a preocupação é com os sócios”, acrescentou.

Os gremistas também têm impulsionado o time graças as adesões ao programa de sócio. A projeção orçamentária para 2020 era arrecadar 22% do total com os sócios, repetindo os R$ 75 milhões do ano passado.

“É uma quantia muito significativa. É uma atividade que nos dá uma receita mensal de R$ 6,5 milhões. É muito sólido isso”, disse Beto Carvalho, executivo de marketing do Grêmio.

“Acredito que essa cultura do torcedor sócio no Rio Grande do Sul, que tanto Grêmio como Inter têm, vêm de muitos anos. É uma força e uma forma que os dois têm de trabalhar. Falando pelo Grêmio, nós temos uma torcida muito engajada. O volume de produtos oficiais vendidos é muito alto. Somos um clube que enfrenta menos problemas com a questão da pirataria. Os nossos fãs gostam de consumir produtos oficiais. Muito mais do que usufruir do clube, eles têm a ideia de pertencimento, de ajudar, de estar ao lado do Grêmio. Essa força do programa de sócio torcedor vem desse engajamento, dessa ajuda e dessa colaboração”, acrescentou.

O executivo acredita que o engajamento dos torcedores pode manter muitos deles fiéis ao plano durante a quarentena. Ainda assim, a equipe publicou um vídeo nas redes sociais há uma semana com uma mensagem do presidente agradecendo quem tem colaborado.

“Naturalmente, [a quarentena] vai tem algum impacto no programa de sócio torcedor. Agora, qual o tamanho desse impacto? Nós temos que esperar o início do próximo mês, depois de todos os pagamentos, para ter um balanço do impacto”, disse Beto Carvalho.

Crescimento mesmo na dificuldade

Um dos clubes mais fortes no Nordeste em relação ao programa de sócio-torcedor, o Fortaleza teve 2.937 adesões no mês passado, iniciou da paralisação dos jogos e da quarentena no país.

“Esperávamos um crescimento de 30% em função dos resultados que o sócio vinha apresentando, mesmo não atingindo o esperado, os números foram expressivos, a torcida chegou junto”, avalio o gestor do programa no clube, Gigliani Maia.

Diante do cenário de incerteza em relação aos campeonatos, o Fortaleza voltou a mensalidade dos dois planos no valor de um ano atrás, isto é, R$ 54,90 e R$ 34,90, respectivamente.