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Falcão sugere Neymar para Roma, diz que Flamengo é o exemplo no Brasil e põe Jesus entre os melhores do mundo

Paulo Roberto Falcão completará exatos 40 anos da sua chegada a Roma no próximo dia 10 de agosto. A cidade o acolheu e o nomeou Rei, ou como dizem os italianos, o “Ottavo Re di Roma”. Por isso, sempre que ele fala, suas palavras ecoam com muito mais força.

E foi assim na edição desta terça-feira de “La Gazzetta dello Sport”. O veterano --está com 66 anos-- disse ser contrário à entrega da taça da Série A para a Juventus por causa da paralisação dos campeonatos pela pandemia de coronavírus, sugeriu Neymar para resolver os problemas da Roma e falou do tema que mais gosta: os treinadores de futebol. Até elegeu Jorge Jesus, do Flamengo, entre os melhores.

“No Brasil, hoje o exemplo é o Flamengo”, disse.

Na Itália, Falcão ficou marcado não apenas pelo futebol refinado da Roma como também pelos títulos. Conquistou um Italiano e duas Copas da Itália, além de um vice da antiga versão da Champions League.

Disse que ainda gostaria de trabalhar como técnico e até opinou sobre o trabalho de Tite, dizendo que a seleção brasileira conta com a melhor geração dos últimos anos.

Confira abaixo os pontos principais da entrevista.

Coronavírus
Estou fechado em casa, há algumas semanas que não saio. Todos os dias converso com meus amigos na Itália. Recentemente falei com Sandro Bonvissuto. Ele escreveu um livro [‘La gioia fa parecchio rumore’] e a capa é uma foto minha comemorando um gol. Não menciona meu nome, mas o romance fala sobre mim, fala sobre uma personagem que acabou mudando tudo. Um pouco sobre a história da Roma, que antes não vencia.

Trabalho
Minha profissão é ser treinador, e tive algumas oportunidades no Brasil. Temos que esperar pelo final desta pandemia, quando o campeonato estadual terminar, sempre muda algo e as coisas vão ficar mais claras.

Um mês no Internacional em 2016
Eu acho que é inútil assumir a liderança de uma equipe e ser exonerado imediatamente. Você precisa confiar no trabalho de um treinador, como Berlusconi fez com Sacchi no Milan. Eu sugeri à Associação Brasileira de Treinadores que estabelecesse um limite, estabelecendo que cada equipe poderia ter no máximo dois técnicos por temporada. E os treinadores também não devem treinar mais de duas equipes por ano.

Melhores técnicos
Gosto do Ancelotti, que é como um irmão para mim, mas hoje quem está na vitrine é o Klopp. Também admiro muito Guardiola e Jorge Jesus. Se é possível treinadores estrangeiros no Brasil? Não importa se fala inglês, português ou alemão. Importa aqueles que conseguem fazer a diferença, dominando o jogo. Podem perder também, mas é importante o jeito. [Admiro] quem coloca oito jogadores na metade do campo adversário.

Ancelotti não joga com a defesa tão avançada. Klopp e Guardiola, ao contrário, preferem avançar as linhas, enquanto Mourinho as coloca um pouco para trás. Existem diferenças, mas todos têm muita qualidade. O importante é ter equilíbrio e uma equipe compacta.

No Brasil hoje o exemplo é o Flamengo, que joga apenas com Willian Arão como mediano, mas ele sabe também como definir o jogo. As equipes de Klopp e Guardiola são assim, embora com padrões diferentes. O o 4-3-3 de Klopp, por exemplo, quando está se defendendo, vira um 4-5-1. A linha defensiva deve estar no máximo a 35 metros do último atacante.

Juventus campeã
Não sei se seria certo. A Lazio está a apenas um ponto de distância... Diferente da Inglaterra, onde seria correto atribuí-lo ao Liverpool, dada a grande vantagem que tem sobre o segundo colocado. Mas ver o futebol italiano no Brasil agora é difícil, não há muitos jogos na TV. Tive poucas oportunidades de ver Roma.

40 anos de Roma
Cheguei pensando que seria diferente na Europa, esperava menos calor que no Brasil. No aeroporto, pensei em encontrar alguns gerentes, dois ou três jornalistas. E, em vez disso, havia um rio de pessoas, todos lá para me abraçar. Não porque era Falcão, mas porque era a esperança de poder mudar.

Scudetto perdido de 1980/81
Esse Scudetto [1981] foi tirado de nós, é diferente. Estou me referindo ao gol anulado de Turone, que foi normal, diante da Juventus. Ainda hoje não se sabe qual impedimento foi apitado por Bergamo. Ele foi o árbitro da partida e, se não me engano, também o designador de árbitros na época de Calciopoli. Uma coisa muito triste. A Juve era um esquadrão, tínhamos acabado de começar... Pouco depois nós os vencemos na semifinal da Copa da Itália e derrotamos o Torino na final.

Um brasileiro para Roma
Que tal Neymar? Sério, se eu pudesse assistir aos jogos da Roma, também teria uma ideia do que a equipe precisa neste momento.

Quem é o melhor jogador do mundo hoje?
Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar. Não posso escolher entre eles. Eu gostaria de ter os três no meu time. Talvez comigo no meio-campo, pronto para lançá-los para o espaço. Ronaldo no centro, Messi na direita e Neymar na esquerda.

Uma aposta no Brasil
O Flamengo tem o Gabigol: excelente chute, velocidade, cabeçada forte. Depois Bruno Henrique, que tem uma velocidade que assusta. E no meio-campo Gérson. Por que Gabigol e Gérson não conseguiram jogar na Itália? Eles certamente não esqueceram de como se joga futebol. Tite, técnico da seleção, tem agora uma grande geração à sua disposição.

Jogadores mais inteligentes com quem jogou
O futebol é jogado primeiro com a cabeça e depois com os pés. Os grandes jogadores vivem de intuições. Sem mencionar os da seleção brasileira, posso pensar em Tardelli, por exemplo. Ele sabia como se mover, marcar, encaixar e medir sua energia. E depois Bruno Conti. Tinha ótimas intuições, mas também era muito inteligentes. Se eu realmente tenho que escolher um, digo Pruzzo. Na área, ele sempre foi capaz de fazer o movimento certo.