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Técnico do ouro olímpico lamenta falta de 'grande oportunidade' e fala de volta à base: 'Cruzeiro surpreendeu positivamente'

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Treinador da seleção olímpica é o Bola da Vez deste sábado, às 23h, na ESPN Brasil e WatchESPN (1:07)

Há quase quatro anos, o Brasil conquistava pela primeira vez o ouro olímpico no futebol masculino. Após muitos técnicos tentarem, Rogério Micale conseguiu este feito. Com grande experiência na base, ele então passava para o próximo passo, que foi o futebol profissional.

Micale trabalhou em três clubes, não teve sequência e lamentou ao ESPN.com.br a falta de uma grande oportunidade.

“Tive muitas sondagens durante a Olimpíada, conversei com muitos clubes, talvez enha dado preferência a situações fora do país que não aconteceram. Infelizmente não tive grande procura depois disso, Atlético-MG fui porque me conheciam da base, Figueirense também, Paraná porque um diretor me conhecia. Não tive uma grande oportunidade e ainda estou em busca dela”, disse o treinador.

Micale contou que o Atlético foi uma grande oportunidade mas teve pouco tempo de trabalho, enquanto no Figueirense não recebeu nem R$ 1 sequerr. “O clube precisa dar a condiação mínima para trabalhar, e quando digo condição mínima é pagar salários. Lá no Figueirense eu mais apaguei incêndio do que fui treinador”, contou.

Passados então quase um “ciclo olímpico”, Rogério Micale voltou a base. Mais precisamente ao Cruzeiro, onde assumiu o time sub20 em fevereiro. O treinador elogiou o clube apesar de ter caído recentemente para a segunda divisão.

“Me surpreendeu positivamente. Me deparei com um clube que nem parecia que tinha passado por tudo aquilo. Pela organização, trabalho dos funcionários, estrutura, cumprindo com as obrigações financeiras. Sabemos o desastre que aconteceu no ano passado, mas nova gestão tem dado demonstrações de mudar esse cenário. Me deram uma perspectiva boa e achei bom aceitar esse desafio,” completou.

Choque de realidade

Para Micale, o jogador da base é mais sedento por conhecimento e mais aberto para aprender coisas novas, enquanto no profissional muitas vezes não há essa abertura e quem sofre é o treinador. Porém, isso está mudando.

“Temos um entorno hoje que protege o jogador, mas está mudando. Estamos passando por um choque de realidade com a chegada do Jesus, Sampaoli e outros treinadores. Vivemos por muito tempo uma falácia de quem fazia coisa diferente era Professor Pardal, queria inventar muito. Agora não, muitos jogadores já não aceitam qualquer tipo de treinamento, temos uma geração questionadora, que quer melhorar a performance e sabe que a chave para isso é o treinamento”, destacou.

Contudo, o treinador finalizou dizendo que o tempo ainda é um problema. “Daí não tem nada a ver com o atleta. É com o dirigente, que não está preocupado com metodologia e sim com o jogo do final de semana. Não temos essa cultura, então todos...dirigentes, imprensa, precisamos quebrar esse paradigma. Falamos muito mas ainda está longe”, finalizou.