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São Paulo: da estreia contra o Fla de Jesus ao 'Dinizismo', Fernando Diniz completa seis meses no clube

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Breiller elogia: 'O jogo do Diniz deslancha com o retorno do Igor Gomes; difícil encontrar um espaço para o Hernanes' (0:33)

Comentarista destacou a dinâmica do meia na equipe do São Paulo (0:33)

Fernando Diniz completa nesta quinta-feira, 26 de março, seis meses de São Paulo. Anunciado de forma surpreendente no fim da noite de uma quinta-feira de setembro, o treinador chegou cheio de desconfianças, viveu altos e baixos principalmente na temporada passada e hoje colhe os frutos de um trabalho que poucos acreditavam.

Sim, o São Paulo de Diniz não encerrou o pesado jejum de títulos que aflige a torcida, mas ofereceu a quem vai ao Morumbi uma perspectiva de dias melhores em um futuro a curto, médio ou longo prazo - tudo depende de quanto tempo o futebol ficará parado por causa da pandemia de coronavírus.

O otimismo tem nome: "Dinizismo", filosofia baseada no sobrenome do treinador e criada para explicar como o São Paulo de hoje joga. Mas como Fernando Diniz foi da completa desconfiança aos elogios em seis meses? O ESPN.com.br relembra a trajetória do comandante.

Estreia contra o Flamengo de Jesus

Diniz foi anunciado pelo São Paulo por volta das 23h daquela quinta-feira, 26 de setembro de 2019. Escolhido para substituir Cuca, chegou com respaldo total do elenco, que teve parcela em sua contratação. Deu entrevista coletiva no dia seguinte e, horas depois, estreou na beira do campo do Maracanã contra o Flamengo de Jorge Jesus, de um jeito bem diferente.

Nada do estilo ofensivo, com triangulações e intensa troca de posições. O primeiro desenho do São Paulo de Diniz foi rabiscado exclusivamente para anular o futuro campeão brasileiro. Deu certo: o time tricolor é, até hoje, um dos três que o Flamengo de Jesus não conseguiu derrotar no Maracanã.

"Foi um cartão de visitas muito positivo. Um time corajoso, solidário e com muita vontade de fazer o melhor. Embora tenha jogado taticamente na contramão do que a gente joga normalmente, fez uma partida excelente, conseguiu travar o Flamengo, time que ganhou quase tudo ano passado", disse Diniz, em podcast divulgado pelo São Paulo nesta semana.

Duelo com Ceni e clássicos

Passada a primeira prova, vieram as outras. A estreia na capital paulista foi com vitória por 2 a 1 sobre o Fortaleza, no reencontro de Rogério Ceni, então técnico do time cearense, com a torcida são-paulina no Pacaembu. Mas a oscilação dos tempos de Cuca seguiu.

Com Diniz, o São Paulo era capaz de vencer confortavelmente o Atlético-MG, jogando com muita imposição, e perder para o Cruzeiro, que seria rebaixado meses depois, sem apresentar nada de bom. Foi assim também nos clássicos.

O primeiro de Diniz foi com vitória: 1 a 0 sobre o Corinthians, gol de pênalti marcado por Reinaldo. No embate seguinte, porém, a maior derrota do "Dinizismo": 3 a 0 para o Palmeiras de Mano Menezes, no Allianz. O São Paulo ainda empataria com o Santos de Jorge Sampaoli na Vila Belmiro, por 1 a 1.

A vaga na Libertadores

Sem despertar muita confiança do torcedor, o São Paulo chegou ao primeiro objetivo do campeonato: garantir uma vaga na fase de grupos da Copa Libertadores de 2020, o que evitaria o vexame da derrota para o Talleres, pouco antes.

A confirmação aconteceu em uma das melhores partidas de Diniz em 2019: vitória por 2 a 1 sobre o Internacional, no Morumbi. O resultado amenizou tropeços anteriores, como a derrota por 3 a 0 para o Grêmio, em Porto Alegre, ou também os tropeços contra Fluminense (2 a 0) e Athletico-PR (1 a 0), em casa.

"Pelo tempo de trabalho, a equipe respondeu muito bem. Estava pressionado pela vaga direta na Libertadores, eu, os jogadores, a diretoria e a torcida, muito desejosa por essa vaga, no campeonato que ela mais ama. A gente foi implementando aos poucos, uma saída de bola com mais segurança com o Volpi e os jogadores de trás. A gente treinava o máximo, mas dava liberdade aos jogadores para fazerem o que acham melhor em campo", disse Diniz, também no podcast tricolor.

Ano novo, futebol novo

Até que veio 2020, e com ele um São Paulo com uma cara diferente. Um time de muito poder de criação, mas com um grande defeito: não aproveitar as chances que cria. Talvez por isso a equipe ainda oscile muito durante uma mesma partida.

Independentemente disso, os resultados melhoraram, assim como o desempenho. A média de gols aumentou (de 0,95 para 1,5 por jogo), e a de gols sofridos caiu (de 0,85 para 0,75). O São Paulo passou a primeira fase do Paulistão sem perder clássicos, o que não acontecia desde 2007, e poderia até estar em situação mais confortável no estadual não fossem os erros de arbitragem, principalmente contra o Novorizontino.

O ponto fora da curva foi a derrota para o Binacional, na estreia da Libertadores. Mesmo a quase 4 mil metros de altitude, o time empilhou chances no primeiro tempo, poderia ter goleado o rival, mas levou a virada. Recuperou-se na sequência contra a LDU e venceu o clássico com o Santos, no último jogo antes da parada.

Com seis meses de casa, Fernando Diniz agora enfrentará outros tipos de cobrança quando o futebol for retomado. Para ele, sempre observado com uma lupa por todos do mundo do futebol, algo rotineiro. O São Paulo espera que o "Dinizismo" siga firme e forte.