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Corinthians: Estratégia ou desânimo? O distanciamento de Andrés Sanchez em ano eleitoral

Todo ano de eleição presidencial no Corinthians é diferente. Em cada canto do Parque São Jorge se vê e ouve grupos de sócios e conselheiros trocando ideias e articulando sobre um ou outro candidato. Mas dessa vez algo chama a atenção tanto de situação, como oposição: a pouca participação do atual comandante Andrés Sanchez nesse processo.

Claro, tudo isso relativo ao tema antes do fechamento da sede social e administrativa do Corinthians em decorrência da pandemia de coronavírus. Mas, mesmo após o isolamento social, os possíveis candidatos e aqueles já confirmados seguem o forte trabalho de campanha por telefone e em grupos de mensagem pelo celular.

Também nesse novo estilo de abordagem, a opinião é a mesma. Em eleições anteriores, quando Andrés não era candidato direto, via-se nele gana e atuação decisiva no convencimento de votos. Primeiro, para Mário Gobbi, no pleito de 2012; depois, para Roberto de Andrade, em 2015.

Hoje, aqueles mais próximos, que defendem a continuidade, reclamam no bastidor que Andrés Sanchez está cansado e desanimado. Se ouve do dirigente frases como “não vejo a hora de acabar”, “quero distância de tudo isso”.

Até mesmo a demora para a definição de Duílio Monteiro Alves como candidato da situação ou apoio a Paulo Garcia tem incomodado alguns conselheiros.

“O Andrés sempre age assim. Sempre que vai chegando algum momento de dificuldade ele demonstra um certo desinteresse, fala que quer ir embora, que não aguenta mais, mas não acredite. Ele vai lutar como puder para eleger o candidato dele. Só acredita nisso quem não conhece o Corinthians e não conhece o Andres”, comentou Antonio Roque Citadini, conselheiro vitalício, que apoia Augusto Melo e foi vice-presidente entre 2001 e 2004.

Estratégia ou não, a oposição vê nesse cenário uma grande oportunidade. Não à toa, vários grupos que antes se dividiam na tentativa de derrotar a situação agora estão unidos no nome do ex-presidente Mário Gobbi Filho para tentar a vitória. Várias reuniões presenciais aconteceram, e agora as conversas continuam de forma virtual.

“Sim, ele está desanimado. Mostra que ele está desanimado politicamente, muito disso passa pela dependência política do apoio que precisa e vem recebendo do Paulo Garcia. A base atual de gestão do Andrés necessita do grupo do Garcia para aprovações internas. E o fato da situação financeira do clube já estar catastrófica antes mesmo do coronavírus faz Andrés perder boa parte das cartas na manga que tem”, analisou Felipe Ezabella, membro da oposição e do Movimento Corinthians Grande, ex-vice de esportes terrestres e que apoia a possível candidatura de Gobbi.

Até este momento estão confirmados os candidatos Paulo Garcia e Augusto Melo. As eleições estão marcadas para o mês de novembro para decidir o próximo presidente do Corinthians por mais três anos.

“Ele não vai se meter, diz que acabou seu ciclo. Mas se encherem muito a paciência, ele lança um candidato, e isso é o medo de todos”, disse uma pessoa importante no clube e muito próxima a Andrés.

O atual comandante garante, em conversas com sócios e conselheiros, que se a oposição vencer será a volta dos antigos problemas da “Era Dualib”, com gestão amadora, um retrocesso.

Embora o cenário possa apresentar até quatro candidatos em novembro, sócios e conselheiros acreditam que a disputa deve ficar polarizada entre Mario Gobbi - se ele aceitar o desafio - e Paulo Garcia - pela força e influência no Conselho Deliberativo e no quadro de sócios.