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Plano emergencial: Inter reestrutura orçamento 2020 para conter 'crise do coronavírus'; veja os 5 pilares

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Pacaembu começa a se transformar em hospital para ajudar a conter o coronavírus (0:14)

A previsão é que o hospital de campanha fique pronto em dez dias, segundo a concessionária que cuida do Pacaembu - vídeo de @allegra_pacaembu (0:14)

A pandemia do novo coronavírus faz com que rotas sejam recalculadas. Embora ainda não possamos dimensionar o tamanho da crise que enfrentaremos nas próximas semanas e meses, sabemos que os impactos serão sentidos em todos os setores. Não há escapatória, os planos precisam mudar e para que os efeitos possam ser amenizados, cautela é palavra de ordem. No futebol, a cautela vem acompanhada da reestruturação orçamentária.

Dessa forma, o Internacional que começou o ano motivado pela expectativa de estar sob o comando do argentino Eduardo Coudet, com planos ambiciosos para Copa Libertadores e mesmo Copa do Brasil, em especial depois do amargo vice-campeonato em 2019, é hoje o clube dos pés bem fincados no chão. Aliás, é a realidade da maioria dos times brasileiros, não há como falar de metas esportivas sem que se olhe primeiro para os cofres. Será missão gigantesca para os gestores, que mesmo sem a pandemia, já tinham a cultura de "passos mais largos que as pernas".

O mundo parou e por isso o futebol parou. As receitas do Inter ficam, assim, congeladas. Embora a equipe gaúcha já trabalhasse com um orçamento anual mais realista, e mesmo já tivesse a previsão de um déficit de R$ 13 milhões, agora será imprescindível a atuação de dirigentes e do próprio Conselho de Gestão. Aqueles quase R$ 100 milhões de reais previstos com futuras vendas de atletas ficam muito mais incertos, as rendas de bilheterias zeradas nas próximas semanas, o faturamento com a comercialização de produtos esportivos comprometidos, e as premiações com jogos da Libertadores viraram grandes pontos de interrogação.

A movimentação já começou e em esferas variadas. Nos bastidores, estão em curso conversas com o Governo para refinanciamento e mesmo eventual congelamento da dívida ativa com a União (referente ao Profut), com a CBF para proteção contratual em caso de acordo sobre salários e direito de imagem dos atletas, e ainda, o que talvez seja o terreno mais delicado, acontecem discussões internas com líderes do vestiário colorado para redução salarial. Todos vão precisar "sangrar" um pouco. Sendo assim, publicamente, o plano está baseado nos seguintes cinco pilares:

1) Redução salarial emergencial e temporária

Para que o clube honre com seus compromissos, há uma proposta de diminuição de salários enquanto o futebol estiver parado. Março estaria garantido com cifras anteriores, os próximos ficariam mais comprometidos.

2) Suspender as parcelas do Profut

Dá um alívio nas contas, mas depende do governo e é também estratégia de outros clubes. O pedido é para que haja suspensão de cobrança até que o futebol seja retomado.

3) Flexibilização da porcentagem de déficit

O Profut estipula que clubes não podem ter prejuízo superior ao valor de 5% do faturamento do ano anterior. Em 2019, o Internacional teve receita de R$ 292 milhões, portanto o déficit desse ano poderia chegar no máximo a R$ 14,6 milhões, o que o Conselho entende que não será possível. O Inter busca a flexibilização desse percentual.

4) Renegociação com fornecedores

Com o futebol parado, alguns contratos já firmados referentes a setores de limpeza e segurança do estádio, logística de alimentação e viagens, e mesmo ações de marketing, poderão passar por revisão na tentativa de reduzir valores descritos ou mesmo cancelamentos dos acordos já que os serviços não serão utilizados nas próximas semanas.

5) Política de gasto mínimo

Nenhum novo contrato está autorizado no momento, todos os setores do clube precisarão cortar gastos para que o déficit seja mais baixo no ano.

Ainda nessa semana, os 12 representantes dos clubes que disputam a série A, incluindo portanto o Internacional, discutirão com a Federação Gaúcha de Futebol sobre o campeonato estadual. Próximos capítulos que exigirão sabedoria, o seguimento dos pés no chão e, claro, cautela.