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Clube carioca lidera movimento para ceder espaço na camisa a 'patrocínio solidário' e desperta interesse de rivais

Como a maior parte dos clubes distantes da elite nacional, o Volta Redonda vive a incerteza financeira com a necessária parada para contenção da epidemia de COVID-19.

Mesmo assim, preocupado com a comunidade da cidade onde tem sede, a 126 km da capital fluminense, o clube criou uma maneira de ajudar quem precisa sem onerar o seu apertado caixa.

A agremiação, que ainda tem chances de disputar a fase final do Campeonato Carioca e vai disputar a Série C do Campeonato Brasileiro, está oferecendo espaço nas mangas de sua camisa para supermercados que queiram expor ali suas marcas em troca do fornecimento de cestas básicas a quem necessitar.

"Pensamos na população mais vulnerável, mas também em profissionais autônomos, como taxistas e feirantes, cujos negócios ficaram prejudicados, já que a população nao está indo às ruas", diz Flávio Horta Júnior, vice-presidente do clube e um dos idealizadores da ideia juntamente com o conselheiro Gustavo de Carvalho.

"A gente sabe que não vai resolver todos os problemas, mas podemos ajudar a diminuir a defasagem de algumas pessoas". explica.

"Muitos desse profissionais pegavam uma parte de suas rendas para ver o Voltaço jogar, então é apenas uma retribuição, mesmo", disse ele.

O clube, que já conversa com empresários, pretende uma contibuição modesta. "Pensamos em algo como 500 cestas básicas pela troca de exposição da marca até o fim do ano. E não precisam ser todas de uma vez, não", declarou.

"Ainda temos jogo com o Fluminense, que deve ser televisionado, além da Série C", diz.

Além de empresários, a ideia chamou a atenção de outros clubes da Série C, em especial do Nordeste, que querem repetir a iniciativa em suas praças.

"A maior beneficiada, sem dúvida, vai ser a rede de supermercados que ajudar na ação, com essa demonstração de empatia e solidadriedade", acredita.

Interessados em ajudar no projeto podem fazer contato pelo email marketing@voltaco.com.br.

Renegociar

Uma das preocupações de Flávio é deixar bem claro a jogadores e funcionários, com quem o clube terá de fazer algumas renegociações de vencimentos e prazos, que os recursos para as cestas básicas não virão do caixa do clube.

"Enfrentamos extrema dificuldade financeira e seria dificil tirar esse valor de investimento da nossa conta", diz.

Quanto às negociações que fará com funcionários, Flávio entende que o elenco, em especial, não trará empecilhos.

"Temos um grupo muito consciente e sensível a causas sociais", diz. Entre os jogadores do Voltaço, destaca-se o meia-atacante Bernardo, ex-Vasco da Gama, Cruzeiro e Palmeiras.

"Vamos nos sentar com atletas e juntos pensar a melhor solução para não afetar muito a vida de roupeirros, massagistas, cozinheiros...", exemplifica.

"Não vamos deixar faltar nada a nossos funcionários e atletas, mas todos já têm ciência de que será necessário um reequilíbrio nos contratos em curso durante o período de pausa dos treinos, para que a gente evite demissões dos funcionários", explica.