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De 'cenário catastrófico' a redução salarial: presidente do Grêmio abre o jogo sobre crise no futebol com coronavírus

Dias antes de o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, 60, testar positivo para o novo coronavírus, o clube de Porto Alegre iniciou uma revolução interna para se organizar e enfrentar os meses de paralisação do futebol brasileiro em meio à pandemia.

O dirigente deu uma entrevista ao ESPN.com.br revelando que que irá buscar renegociação de pagamentos. Ao tratar do assunto, Romildo admitiu que os meses de março, abril e maio "serão os piores".

O presidente gremista revelou também que desde a última semana liberou os funcionários do clube para trabalharem de casa, exceto aqueles cuja atividades são consideradas essenciais. A princípio, ninguém terá redução salarial.

Sobre o futebol, disse que os jogadores receberam duas cartilhas. A primeira tem indicações de treinos inidividuais que podem ser feitos em casa. A segunda tem recomendações sobre cuidados e medidas de prevenção contra o novo coronavírus.

O planejamento inicial previa reapresentação na próxima terça-feira (24). Mesmo antes de ser diagnosticado com COVID-19, Romildo já reconhecia que o prazo de parada, o que chamou de "período de resguardo", seria ampliado. "Ainda não determinamos o prazo", disse.

Além de Romildo, Marco Bobsin, vice-presidente do conselho de administração, Cláudio Oderich, outro vice-presidente, e Eduardo Fernandes, o assessor adjunto da presidência, testaram positivo para a doença na última semana.

Veja, abaixo, as medidas que estão sendo tomadas pelo Grêmio diante do "cenário catastrófico":

Finanças

"A posição do nosso clube é bem clara. Nós iremos renegociar com fornecedores e, com acordos feitos, vamos pedir prorrogação de prazos, suspender pagamentos até equalizarmos isso. Não faremos negação de nenhuma conta. Só vamos dizer que neste momento não temos como pagar agora nestas condições. Vamos fazer uma situação de moratória para depois organizarmos. Vamos ver como será. Tenho a previsão de um cenário muito catastrófico pela frente.

O Grêmio está trabalhando um cronograma de três meses e esperamos que os meses de abril, maio e junho serão os piores. Estamos nos preparando para enfrentar com todas as dificuldades e renegociações possíveis. Isso vai passar pelo quadro de funcionários e grupo de atletas.

Não vamos fazer nenhuma alteração de contratos e puxar para baixo, mas vamos prorrogar e renegociar prazos. Mas o Grêmio irá cumprir todos os contratos. Nós teremos que fazer um alongamento disso e da organização do fluxo de caixa. Não tem como ser diferente."

Funcionários

"O Grêmio já liberou 200 funcionários agora, que não estão trabalhando, fizemos uma situação de banco de horas individual para os próximos seis meses. Cerca de 50 funcionários estão trabalhando a domicílio. Alguns ainda estão trabalhando por serem da parte de patrimonial, vigilância ou estratégica do clube. Ainda iremos trabalhar a questão de férias e de limite de pagamento. Vai depender da interlocução com a negociação com os jogadores, funcionários etc. O momento é de todo mundo e todos passarão por um pouco de dificuldade."

Futebol

"Jogadores foram liberados. Foi feito uma cartilha para duas coisas. A primeira dá orientação de como seria a manutenção da situação física deles de forma individualizada. Como fazer exercícios em casa, mas não tivemos como fornecer os equipamentos do clube.

A segunda é sobre a prevenção de contatos para a doença. Na sexta-feira passada eles fizeram todas as vacinas e os relatos ao corpo médico do clube para saber se tem alguma situação observada. Estava tudo normal.

Na terça nós vamos nos reapresentar e terá uma reavaliação da situação. Muito provavelmente vai prorrogar por mais um tempo essa parada, esse período de resguardo. Ainda não determinamos o prazo."