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Mentor da Euro e pai da Copa: conheça o ex-jogador que virou juiz e encerrou a carreira após bolada, apito engolido e dentes quebrados

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A 16ª edição da Eurocopa foi adiada pela Uefa de 2020 para 2021, por causa do coronavírus. O torneio começou em 1960, mas o projeto de uma competição europeia nascera 33 anos antes, em 1927. O mentor intelectual, Henri Delaunay, morreu antes de ver sua ideia se tornar realidade. O francês, que também é um dos pais da Copa do Mundo, tem uma história das mais peculiares no mundo do futebol.

Delaunay nasceu em 15 de junho de 1883 em Paris, na França. Fez carreira como jogador no Étoile des Deux Lacs e, depois de pendurar as chuteiras, virou árbitro. Curiosamente, sua carreira no apito acabou justamente por causa do objeto: na partida entre AF Garenne-Doves e ES Benevolence, ele levou uma bolada, engoliu o apito e teve dois dentes quebrados.

O incidente o fez abrir mão dos gramados. Mas não do futebol. Foi presidente do Étoile des Deux Lacs e secretário-geral do Comitê Francês Interfederal, que daria origem à Federação Francesa de Futebol, em 1919, com ele mesmo à frente da nova entidade.

Membro da Fifa, foi um dos mentores da Copa do Mundo, ao lado de Jules Rimet, presidente do órgão. A primeira edição do torneio mundial nasceria em 1930, no Uruguai.

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Mas antes, em 1927, Delaunay, ao lado do austríaco Hugo Meisl, teve a ideia de criar um torneio que unisse as principais seleções europeias. A ideia acabou sendo adiada por causa da Copa do Mundo, e a Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945, postergou ainda mais a competição.

Delaunay foi um dos fundadores da Uefa, em 1954, atuando como primeiro secretário-geral da entidade até a sua morte, em 9 de novembro de 1955, aos 72 anos. O nascimento de um órgão continental foi o primeiro passo para a realização do sonho do Campeonato Europeu.

Foi depois da assembleia inaugural da Uefa, em 1954, que Delaunay escreveu uma carta, colocando no papel a ideia de uma competição aberta a todas as nações do continente. No texto, ele informou que um comitê de três membros foi encarregado de examinar “esse difícil problema”. O francês insistia que esta competição não deveria ter um número infinito de partidas e também não poderia prejudicar a Copa do Mundo.

Com a morte de Delauney em 1955, o sucessor no comando da Uefa foi seu filho, Pierre, que tirou do papel o sonho do pai: em um congresso em 1957, o Campeonato Europeu recebeu sinal verde para ser realizado. O torneio passou a ser desenhado no ano seguinte e, em 1960, a competição, enfim, nasceu.

A União Soviética se sagraria campeã, vencendo a Iugoslávia na final por 2 a 1, na prorrogação. Milan Galic abriu o placar para os iugoslavos, mas Slava Metreveli, no segundo tempo, e Viktor Ponedelnik, na segunda etapa do tempo extra, construíram a virada soviética. O time do lendário goleiro Lev Yashin seria o primeiro a levantar o troféu de campeão europeu, justamente em Paris.

O Campeonato Europeu foi mudando durante o tempo. Foram quatro participantes até 1980, quando aconteceu a primeira edição com oito seleções. O número dobraria para 16 em 1996, mesma edição da mudança de nome do torneio, com a adoção de Eurocopa. Em 2016, aconteceu a primeira disputa com 24 países.

Do apito engolido e dos dentes quebrados ao sonho de 1927. Da aprovação em 1957 à realidade em 1960. De Campeonato Europeu a Eurocopa. Do adiamento de 2020 para 2021. É fato que a competição passou por muitas e muitas alterações com o passar do tempo.

Uma única coisa, entretanto, não mudou: o nome da taça dada ao campeão segue o mesmo, Henri Delaunay.