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Palmeiras: '95% de meus amigos da favela não existem mais, estão mortos': Felipe Melo conta sua infância a jornal argentino

Felipe Melo não escolheu o crime, em parte, porque os próprios traficantes da favela em que ele cresceu, na cidade de Volta Redonda, no Rio, não o queriam nos arredores do "movimento" do tráfico.

"Eles me diziam que eu tinha futuro e não queriam me ver ali, ou me dariam um tiro na cabeça", contou ele em entrevista ao jornal Clarín, de Buenos Aires.

"Vi coisas na favela de que é melhor nem falar", disse. "Tive oportunidade, mas nunca me envolvi com drogas, nunca quis ter uma arma", garante.

O jogador do Palmeiras afirma que apenas uma ínfima parte dos seus amigos de infância conseguiu se distanciar do crime.

"95% dos meus amigos de infância morreu", calcula. "Apenas 5% conseguiram sair e fazer uma outra vida".

O jogador deu uma longa entrevista ao jornal argentino em que falou sobre sua idolatria pelo Boca Juniors e seu apreço pelo presidente Jair Bolsonaro, a quem elogia por acreditar que ele visa diminuir a criminalidade.

"Eu não entendo nada de política", confessa. "O que eu sei é que ele (Bolsonaro) quer acabar com os bandidos. E, como eu já disse, são os bandidos que fazem as coisas erradas", diz.

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"Quem está contra os narcotraficantes é alguém que, sem dúvidas, quer melhorar o país", diz.

Felipe também falou da rotina de seu pai, que trabalhava como metalúrgico na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e, por isso, saía de casa às 6h, todo dia de trabalho.

"Na verdade, ele deveria trabalhar por apenas seis horas, devido à condições insalubres. Mas acabava fazendo jornada dupla ou tripla, para que não nos faltasse nada", diz.