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19 cartões vermelhos: a incrível história do Boca Juniors x Sporting Cristal pela Libertadores de 1971

No 1º Gre-Nal realizado em uma Libertadores em toda a história, Grêmio e Internacional empataram por 0 a 0, na última quinta-feira, pela 2ª rodada do grupo E.

A partida ficou marcada por uma confusão generalizada nos minutos finais, que terminou com quatro cartões vermelhos apresentados para cada time.

De acordo com a agência Opta, o clássico foi a partida com 2º maior número de expulsões na história do torneio da Conmebol.

Os oito vermelhos aplicados pelo árbitro Fernando Rapallini só não batem os 19 (sim, 19!) mostrados durante o Boca Juniors x Sporting Cristal, pela fase de grupos de 1971.

Na ocasião, os xeneizes precisavam da vitória contra os peruanos, em La Bombonera, para buscar a classificação.

O placar marcava 2 a 2 aos 44 minutos do 2º tempo, quando Rogel se atirou na área rival e pediu pênalti.

O árbitro Alejandro Otero, da Colômbia, mostrou convicção e nada marcou, despertando a ira dos locais.

Foi aí que o volante Rubén Suñé, atleta lendário na história do Boca tanto pelo futebol quanto pelas brigas, resolveu agir.

O meio-campista iniciou uma pancadaria homérica, que é até hoje recordada na Argentina e no Peru.

A cena mais marcante foi Suñé correndo como um louco atrás de Gallardo, craque do Sporting Cristal e da seleção peruana, para agredi-lo.

Em entrevista à revista El Gráfico, o volante xeneize confessou que estava tão alterado que era capaz de ter matado Gallardo se tivesse alcançado o adversário.

"Recordo que me encontrava tão fora de mim que persegui Gallardo como louco. Ele estava assustado e tinha razão, porque creio que, se eu o pegasse, o matava", afirmou.

O peruano, por sua vez, também revelou à revista que teve medo de morrer.

"Foi um pesadelo que nunca esquecerei. Enquanto Suñé me perseguia, pensei que não sairia com vida daquele campo. Voltei uns passos, tentei escapar, mas no fim meti uma patada na cara dele", relembrou.

No final das contas, Alejandro Otero expulsou 19 atletas. Só sobraram em campo Sánchez e Meléndez, do Boca, e o goleiro Rubiños, do Sporting Cristal.

A partida teve que ser encerrada por falta de jogadores, e o placar final foi mesmo o empate por 2 a 2.

Depois do jogo, três atletas ainda tiveram que ser hospitalizados, com Mellán, do Sporting, ficando em situação mais grave.

Já os outros expulsos foram levados para a cadeia, onde tiveram que compartilhar cela.

Apesar da briga que havia ocorrido horas antes, porém, o clima no xilindró foi de camaradagem.

"Estávamos todos sentados (na cela), tanto os (jogadores) do Boca como os do Sporting. Já tinha passado tudo. A gente se olhava e ria. Ficamos detidos até depois do meio-dia", rememorou Jorge Coch, outro lendário ex-atleta do Boca.

Por causa da briga, o time de Buenos Aires foi excluído da Libertadores, e seus dois jogos seguintes foram creditados como WO.

Rubén Suñé, por sua vez, acabou recebendo uma punição de 18 meses sem poder jogar, mas depois acabou anistiado em uma manobra da AFA (Associação de Futebol Argentino) e voltou aos campos normalmente.