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Rival do Corinthians, Santo André lidera Paulistão com folha menor que salário de Luan

Dono da melhor campanha do Campeonato Paulista, o Santo André enfrentará o Corinthians na Arena de Itaquera, nesta quarta-feira. Em sete jogos, a equipe do ABC tem seis vitórias e apenas uma derrota - para o Guarani fora de casa -, além de ter passado de fase na Copa do Brasil.

Com um elenco com poucos medalhões, o time paulista tem uma folha salarial de aproximadamente R$ 450 mil por mês. Luan, principal reforço corintiano para a temporada, recebe cerca de R$ 650 mil.

Quase todos os jogadores que chegaram ao Santo André - 21 contratações para 2020 - foram indicações do técnico Paulo Roberto, que trabalhou com vários deles no São Bento e no Brasil de Pelotas.

O artilheiro da equipe na temporada é Ronaldo, com 5 gols marcados. Outro destaque é o goleiro Fernando Henrique, que defendeu um pênalti na vitória sobre o Bragantino na última rodada do Estadual.

O ESPN.com.br entrevistou Edgard Montemor Filho, executivo de futebol do time do ABC, para conhecer os segredos da equipe andreense.

Veja a entrevista com Edgar Montemor:

Quase todos os jogadores foram indicados pelo técnico Paulo Roberto...
Sim, eles fizeram a coisa certa porque temos um campeonato de apenas três meses. Por isso, contratar jogadores que já conheciam o treinador minimiza muitos problemas. Começamos na frente dos demais. Apesar de termos contratado muitos jogadores, a maioria deles já tinha trabalhado com o Paulo. Vários deles já tinham atuado juntos, e isso ajuda no relacionamento e no entrosamento. As contratações foram feitas de acordo o estilo de jogo que o Paulo implementa. Mesmo quando perdemos os dois atacantes de beirada o time se manteve em alto nível.

Como foi montar o elenco com um dos menores orçamentos do Paulista?
O Santo André é o menor ou o segundo menor orçamento da Série A1 ao lado da Inter de Limeira. Se você tem mais dinheiro e é mais fácil, mas dentro da nossa realidade conseguimos fazer um bom time. Perdemos alguns jogadores mais caros em leilão para times como Novorizontino e Mirassol, mas no final das contas isso foi positivo porque temos um grupo homogêneo em termos de objetivo pessoal de cada jogador. Eles estão aqui para vencer, aparecer e buscar um contrato melhor para o Brasileiro. Não tem ninguém aqui por dinheiro ou salário alto, todos querem um lugar ao sol.

Qual a folha salarial do elenco?
Nossa folha salarial é de aproximadamente uns R$ 450 mil por mês. A gente usa a cota da televisão e temos alguns patrocínios. Também usamos a cota da Copa do Brasil porque passamos de fase.

Como foi a contratação do Fernando Henrique?
Nós tínhamos dois goleiros, mas precisávamos de mais um. É uma posição complicada para se contratar e surgiu o nome dele. Falei com o Paulo e pegamos algumas informações no Ceará e no CRB. Elas foram ótimas tanto dentro de campo como fora, é um líder positivo. Fiz o contato com ele, que estava indo para Nova Lima para acertar com o Villa Nova-MG e jogar o Mineiro. Foi engraçado porque na ligação ele me disse imediatamente: ‘Eu topo, depois você me fala o salário. Quero jogar o Paulista aí’ (risos). Eu liguei depois, acertamos o dinheiro e ele veio. Tem sido espetacular! É um líder e está fazendo milagre dentro de campo.

E o Ronaldo, artilheiro do time?
Quando eu cheguei, em novembro do ano passado, o Ronaldo já estava aqui. Era um sonho antigo da diretoria por ser torcedor do Santo André e ter trabalhado com o Paulo.

Fale sobre os objetivos de vocês dentro do Paulista....
Nosso primeiro objetivo era não cair. Tínhamos a meta de fazer 12 pontos. A gente queria fazer isso o mais rápido possível para ver outros objetivos. Fizemos em quatro jogos! Agora, vamos buscar coisas maiores como a vaga na Série D do Brasileiro de 2021 e na segunda fase do Paulista.

Como foi ir para o Santo André depois de tantos anos trabalhando no rival, o São Bernardo?
Eu sou um profissional do futebol e fui bem recebido pelo clube, que tem um ambiente excelente. No começo fiquei sabendo que teve um pouco de desconfiança por parte da torcida nas redes sociais. Mas recebi apoio de outra parte dos torcedores.

Se passar de fase na liderança, os jogos serão disputados no Bruno Daniel?
Nosso presidente disse que a ideia é manter todos os jogos no Bruno Daniel. Não vamos vender o mando. Só vamos sair se a Federação não permitir.

Quais os planos do clube depois do Estadual?
Quase todos os contratos dos jogadores, da comissão técnica e o meu vão até o fim do Estadual. Depois, nós não sabemos. Se nos classificarmos queremos ir até o fim. O Santo André é um time que quando chega em mata-mata costuma crescer muito. Na Copa do Brasil queremos ir o mais longe possível porque é importante na parte financeira do clube.