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Técnico que treinou Chulapa e Richarlyson, artilheiro ex-Flamengo e nigeriano campeão mundial sub-17: conheça o líder do Paranaense

Uma das principais surpresas dos estaduais até o momento, o FC Cascavel dá as cartas no Campeonato Paranaense. Com cinco vitórias, um empate e uma derrota em sete jogos disputados, a equipe lidera a competição e tem desbancado os favoritos da capital: Coritiba, Athletico-PR e Paraná.

A campanha surpreende até mesmo quem vive o dia a dia do clube, como o técnico Marcelo Caranhato. Ele explica que o objetivo no início da temporada era ficar entre os quatro primeiros colocados para conquistar uma vaga na Copa do Brasil do ano que vem. Agora, porém, admite: sonha com o título.

“Temos um pouco de cautela para falar sobre título, sabemos das dificuldades. Nossa equipe é muito visada hoje pela pontuação, a regularidade. A intenção é brigar para ser campeão, mas nosso primeiro objetivo é a vaga na Copa do Brasil”, diz.

Ex-zagueiro e volante de clubes como Avaí e Chapecoense, Caranhato começou a nova trajetória em 2011 no Brusque, como auxiliar de um velho conhecido da torcida do Palmeiras. Ele trabalhou na comissão do também ex-zagueiro Paulo Turra, de quem até hoje é amigo próximo. Prova disso é que foi levado por ele para acompanhar um treino alviverde quando Turra era assistente de Luiz Felipe Scolari no clube.

Mesmo com poucos anos como treinador, Caranhato já comandou nomes de peso, como Aloísio Chulapa, no próprio Brusque, e Richarlyson, no Cianorte. Contratado no ano passado pelo FC Cascavel, trabalhou na montagem do elenco para o estadual e também a primeira participação do clube na Série D do Campeonato Brasileiro, em 2020.

“Começamos a montar o elenco em outubro. Tivemos dificuldades pelo calendário e pelo orçamento enxuto. Conseguimos, dentro das possibilidades, fazer um grupo forte. Monitoramos nomes, viajamos o Brasil para ver os jogadores. Não dá mais para contratar por sugestão de empresário”, explica.

O sucesso veio mesmo sem jogadores badalados ou medalhões, que, em fim de carreira, costumam rechear os times de menor expressão nos estaduais. O nome mais conhecido era o do atacante Paulo Sérgio, de 30 anos, considerado uma grande promessa quando revelado no Flamengo na segunda metade dos anos 2000.

Com quatro gols nas primeiras seis rodadas, o jogador vinha correspondendo, mas chamou a atenção do ABC-RN e já foi negociado. Segundo Caranhato, a receita adotada no FC Cascavel é simples: boa estrutura e mescla de bons valores da base com nomes mais experientes. E entre estes atletas mais rodados, um dos citados pelo próprio treinador é o defensor Willian.

Mesmo sem ser titular absoluto da equipe, o jogador de 30 anos é peça importante do elenco por sua experiência de quase uma década como profissional. São tantas vivências nas quatro linhas que o jogador chegou a ser convidado para reforçar a seleção da Guiné Equatorial, em um esquema que lhe garantiria um dinheiro extra.

Ele, no entanto, explica ter recusado a proposta. “Recebi o convite em 2013, estava no Grêmio Osasco para jogar a Série A2 do Paulista. Chegaram a me mandar um contrato, mas não assinei. Nunca representei o país deles.”

Nigeriano no oeste do Paraná

Se Willian nunca vestiu as cores da Guiné Equatorial, um outro integrante do elenco do FC Cascavel já atuou por uma seleção africana. O nigeriano Ebere Osinachi, de 21 anos, foi um dos destaques do título do seu país na Copa do Mundo Sub-17 em 2015, no Chile, inclusive eliminando o Brasil nas quartas de final.

Ele chegou a tentar a sorte no futebol da Bélgica, mas, após confusão com seu empresário na época, não ficou por lá. Com um novo agente, foi trazido para a América do Sul, onde defendeu o Rosario Central-ARG antes de chegar ao Brasil, ano passado, para atuar no Juventude.

“É tudo ótimo aqui, cada dia aprendo uma coisa, estou gostando muito. Converso com meus companheiros, me receberam super bem. Estou feliz de estar aqui”, afirma o jogador.