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Ele trocou o São Paulo pelo Atlético-MG; hoje, duela com Cristiano Ronaldo na Itália e faz gols no Milan

Com apenas 33 jogos pelo profissional do Atlético-MG, Bremer foi contratado pelo Torino no meio de 2018. Desde então, ele teve a chance de disputar o Campeonato Italiano, um dos mais fortes do mundo, e marcar astros do quilate de Cristiano Ronaldo, Ibrahimovic e Lukaku.

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o zagueiro de 22 anos contou sobre as dificuldades que enfrentou no começo de carreira, a passagem pelo São Paulo e os dois gols que marcou no jogo contra o Milan pela Copa da Itália desta temporada. A equipe de Turim acabou derrotada na prorrogação por 4 a 2, depois que o brasileiro já havia sido substituído.

Veja a entrevista com Bremer:

Qual a origem do seu nome?
Meu pai gostava do Andreas Brehme, lateral da seleção alemã que fez o gol do título da Copa do Mundo de 1990. Ele fez uma homenagem me chamando de Gleison Bremer.

Você trabalhou com algo fora do futebol?
Meu pai tem uma roça e quando eu não estava na escola ajudava ele. Às vezes vendia geladinho na caixa de isopor. Minha mãe fazia e eu a ajudava a colocar para gelar para no outro dia, que era a feira, eu ir vender. A metade que conseguia ela me dava para eu ir jogar bola na cidade vizinha ou jogar videogame.

Como você começou no futebol?
Eu iniciei no futebol de base um pouco tarde, com 17 anos, quando fui para o Desportivo Brasil. Participei de campeonatos na Holanda, Alemanha, quando fomos vice-campeões. Depois, fui para o São Paulo.

Fale sobre a passagem pela base do São Paulo...
Fiquei no São Paulo por um ano e meio, mas não tive tantas oportunidades. Teve uma final de torneio no Rio Grade do Sul onde joguei e fui campeão. Foi ali que o Atlético-MG me viu e depois me contratou.

No Atlético-MG as coisas foram diferentes...
Foi uma passagem rápida na base porque quando cheguei estava para começar a Copa do Brasil Sub-20. Nós fomos campeões na final sobre o Flamengo nos pênaltis. Em pouco menos de seis meses na base já subi para o profissional.

Quais os momentos mais marcantes pelo Atlético?
Lembro que a minha estreia contra a Chapecoense foi em um jogo onde fui convocado para ir no banco. Com 10 minutos do primeiro tempo, o zagueiro se machucou e eu entrei. Nós ganhamos de 1 a 0 e fui um dos melhores em campo. Estava no banco no clássico contra o Cruzeiro e com uns 20 minutos de jogo, o Leonardo Silva se machucou e eu entrei. Vencemos por 3 a 1. Isso tudo foi na mesma semana! No jogo seguinte, o [técnico] Roger me colocou para jogar na Libertadores.

Como surgiu o Torino? Recebeu outras propostas?
Fiz um bom primeiro semestre no Atlético-MG até a parada para a Copa do Mundo. Estávamos em segundo no Brasileiro e vencemos o Mineiro. Recebi algumas propostas, até da Roma, mas preferi ir ao Torino pela proposta que fizeram. Eles me proporcionariam mais continuidade para jogar

Foi difícil a adaptação à Itália? Sofreu com frio, cultura e idioma?
Foi um pouco complicado porque não sabia falar italiano, mas eles colocaram uma professora para ir em casa para me ensinar italiano. Sobre o frio foi tranquilo porque na época que cheguei estava calor. Peguei um frio no final do ano, mas já estava adaptado. A neve aqui me surpreendeu bastante, nunca tinha visto, só em filmes. Foi bem legal ter essa oportunidade de conhecer pessoalmente

Como é a torcida do Torino? Chegou a ir para a missa em Superga, onde ocorreu a tragédia de 1949?
É uma torcida legal, que nos acompanha e que cobra muito também. Uma vez por ano vamos para Superga na missa. Lemos os nomes das vítimas, que eram jogadores

Quais os seus melhores momentos dentro de campo?
Contra o Milan fiz dois gols pela Copa da Itália nas quartas de final no San Siro. Não tenho como descrever para um zagueiro o que é fazer dois gols no Milan. É algo que vai ficar marcado para a minha vida

Quais os caras mais difíceis que você marcou?
O Campeonato Italiano é um dos melhores. O nível dos jogadores é muito bom. Tem o Cristiano Ronaldo, um dos melhores do mundo, e tem Lukaku e o Lautaro Martínez, que são jogadores de alto nível

Quais seus sonhos?
Profissionalmente é jogar uma Copa do Mundo e jogar em um dos maiores clubes europeus.