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Comparações com Lewandowski e Luka Doncic e o faro da artilharia: Haaland impressiona no Borussia Dortmund

Uma das coisas mais impressionantes do espetacular começo de Erling Haaland no Borussia Dortmund nem sequer envolve um gol que ele marcou; veio depois de um que ele não fez.

Com o seu time perdendo por 3 a 1 para o Werder Bremen, na Copa da Alemanha, Haaland conseguiu criar separação de seu marcador e cabeceou uma bola linda. Ele sabia que, para deslocar o goleiro Jiri Pavlenka, ele precisava dar a cabeçada perfeita. Por fim, ele errou um pouco no cálculo; não me leve a mal, ele acertou o alvo, mas o goleiro do Bremen conseguiu fazer a defesa.

O mais impressionante é o que aconteceu depois. Haaland martelou o gramado em frustração, furioso consigo mesmo. Foi o comportamento de um atacante que não marca há 30 jogos, e não o comportamento de um jovem que tem um gol a cada 22 minutos pelo seu novo clube. Haaland tem o mesmo desespero que se manifesta quase como uma forma de sede física, assim como os grandes atacantes do mundo. Nenhuma quantidade de gols é boa o suficiente.

O Borussia Dortmund, de Haaland, enfrenta o PSG, na Alemanha, pelo 1º jogo das oitavas de final da Champions League, nesta terça-feira (18), a partir das 17h00.

Obviamente, contar com um atacante com tanto apetite é ótimo para o Dortmund. Afinal, eles não têm problemas para marcar gols - marcaram cinco gols em três jogos consecutivos na Bundesliga pela primeira vez em sua história - mas têm problemas para marcar o tipo certo de gols. Eles precisam ser decisivos nos jogos em que não estão jogando tão bem. Existem poucas equipes mais irresistíveis na Europa do que o Dortmund quando estão desempenhando o seu máximo, e essa é a sua fraqueza; é como se, seduzidos pelo conhecimento do quão bom eles podem ser, o Borussia Dortmund tente jogar futebol excepcional o tempo todo quando, na verdade, a regularidade - pragmatismo - é até mais importante.

Haaland é um pragmático. Isso não quer dizer que ele não tenha elegância ou habilidade; é só que seus olhos estão bem fixos no fundo das redes. Acumulação é tudo. Naquela mesma partida, ele deixou a sua marca quando o seu time perdia por 2 a 0. A sede volta a aparecer. E Haaland tem apenas 19 anos.

O membro do Hall da Fama da NBA e seis vezes campeão, Scottie Pippen, estava recentemente refletindo sobre o futuro de outro prodígio esportivo: Luka Doncic. O esloveno de 20 anos está maravilhando a NBA com o Dallas Mavericks e já é considerado um dos melhores jogadores do mundo. Ele ficará ainda melhor, observou Pippen, quando começar a ser egoísta, quando começar a impor sua vontade nos jogos. Haaland já é egoísta - da melhor maneira. Ele não assume apenas responsabilidade. Ele aproveita.

Jonathan Harding, jornalista, alertou, com razão, os perigos de contar com um jogador tão jovem. Ao mesmo tempo, é difícil escapar ao pensamento de que o ataque de Dortmund finalmente encontrou o foco consistente que lhe faltava desde a venda de Pierre-Emerick Aubameyang ao Arsenal. Paco Alcácer foi prolífico na Alemanha, mas sua partida para o Villarreal, onde se destacou em seu primeiro jogo, foi compreensível. A linha de frente do Dortmund, com tantos jogadores talentosos que podem flutuar ao longo dela, precisa de um ponto fixo e, apesar de todos os seus dons consideráveis, Alcácer não oferece a mesma presença física que Haaland. De fato, poucos o fazem.

Talvez Haaland também tenha outra coisa. Quando avançou para marcar o último de seus três gols em sua emocionante estreia pelo Dortmund, uma vitória por 5 a 3 sobre o Augsburg, ele o fez com algo de todos os grandes atacantes: uma sensação de inevitabilidade. É um certo tipo de linguagem corporal: ombros alinhados, a cabeça parada, os olhos fixos de maneira feroz no alvo. O Dortmund teve isso de vez em quando em Alcacer e de forma mais consistente em Aubameyang, que marcou 141 vezes em 213 jogos pelo clube. No entanto, o ex-atacante do Borussia que mais lembra Haaland é, justamente, o homem que está liderando o Bayern de Munique rumo ao oitavo título alemão consecutivo: Robert Lewandowski.

As comparações imediatas são óbvias: os dois são altos, fortes e decisivos, com movimentação e técnica de meias. A outra coisa que eles têm em comum é que parecem representar uma espécie em extinção. Olhando em volta das equipes de elite do futebol mundial, às vezes parece que os atacantes tradicionais estão surgindo apesar dos métodos atuais de treinamento, que parecem enfatizar o desenvolvimento de meias que podem finalizar.

Isso pode ser injusto; é simplesmente que o papel de centroavante tem sido e sempre será muito difícil de desempenhar, especialmente dadas as responsabilidades de criação e de defesa que o papel exige. Veja, por exemplo, como Sergio Aguero, do Manchester City, teve que adaptar seu jogo para permanecer no time de Pep Guardiola. É para o crédito de Haaland e Lewandowski, então, que os dois estão fazendo parecer que não é tão difícil. O norueguês tem 36 gols em 26 jogos nesta temporada, e o polonês tem 35 em 29.

No momento, as únicas coisas que parecem capazes de impedir qualquer um deles na Bundesliga são lesões ou transferências para outros clubes. Embora o Haaland tenha acabado de chegar, o Dortmund estará consciente da ameaça de uma grande oferta da Espanha, onde Real Madrid e Barcelona - este último com muita necessidade de um jogador como Haaland - estão inevitavelmente à espera. Por enquanto, no entanto, o clube alemão pode desfrutar de um atacante que parece pronto para galvanizar suas ambições no campeonato - não apenas nesta temporada, mas para várias e várias.