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Messi, Dani Alves e muito mais: veja entrevista exclusiva com Emerson, o futuro brasileiro do Barcelona

“Fecha os olhos e vai! Lá você vai ser muito feliz”. Depois dessas palavras, Emerson não teve dúvidas e foi. Um ano depois, é o lateral-direito titular do Betis. O incentivo foi do amigo Ricardo Oliveira, então companheiro no Atlético-MG e que jogou na equipe de Sevilla nos anos 2000.

O jogador, que completou 21 anos em janeiro, é o líder de assistências do time em LaLiga, com cinco passes para gol. E também já marcou três vezes. Um desempenho capaz de chamar atenção de outros clubes. Bom, na verdade isso já tinha acontecido. A mudança para Espanha foi graças a uma contratação conjunta entre Betis e Barcelona, que pode contar com o brasileiro daqui um ano e meio.

No time atual, ele tem a confiança do técnico Rubi, que assumiu o comando nesta temporada. O treinador vê no jovem lateral semelhanças com Daniel Alves e disse que o levaria para a seleção brasileira principal com o trabalho que fariam no dia a dia no clube. E assim foi. Em novembro do ano passado, Emerson estreou em amistoso contra a Coreia do Sul.

E só não esteve recentemente com a seleção sub-23 no Pré-Olímpico, na Colômbia, porque o Betis não o liberou uma vez que a temporada estava em andamento.

A adaptação ao futebol espanhol teve seus desafios, especialmente no aspecto defensivo. Já fora de campo, foi aprendendo o idioma inclusive ouvindo reggaeton com o irmão. Com a comida da mãe, mata as saudades do Brasil.

E junto com a família também trouxe o apelido, que nessa temporada fez questão de estampar na camisa. Acima do número 22 está escrito “E. Royal”.

“É por causa (do personagem na caixa) da gelatina, que tinha um bocão grande. E eu chorava muito quando era pequeno e minha tia dizia: ‘Royal, seu chorão!’. Eu não gostava e chorava mais ainda. Aí acabou pegando e nas categorias de base todos me conheciam como Royal. E como gosto do apelido, coloquei na camisa”, diz Emerson em entrevista exclusiva à ESPN Brasil no centro de treinamento do Betis. E se diverte ao contar como foi explicar o apelido para os espanhóis quando chegou por aqui. Está feliz da vida. Ricardo Oliveira tinha razão.

Veja abaixo os principais trechos e clique AQUI aqui para assistir à entrevista na íntegra no WatchESPN.

Barcelona

"Muita gente fala que eu fui comprado pelo Barcelona e fui emprestado para o Betis. Não. Eu fui contratado pelo Betis também. São dois anos e meio aqui, dois anos e meio no Barcelona. Betis é um clube fantástico. Já tenho um carinho enorme e me considero em casa. Aqui estou pegando essa adaptação da liga para futuramente ir para o Barcelona. Mas não sou emprestado pelo Barcelona. Sou do Betis até (o meio) de 2021. Se houver acordo entre os clube, é inevitável (ir antes disso para o Barcelona). Mas não penso em sair antes. Penso em fazer meu trabalho aqui e focar no clube."

Daniel Alves

"O Rubi (técnico do Betis) disse que ia me “colocar” na seleção principal. Ele já trabalho com o Daniel Alves e me disse que tenho muitas coisas parecidas com ele e para eu seguir trabalhando que chegaria à seleção. Aí quando fui pela primeira vez para a principal (em novembro de 2019) fui falar com ele e nos abraçamos. Rubi pega no meu pé porque quer meu melhor. Devo muito a ele.

Daniel Alves dispensa comentários. Desde que comecei a jogar de lateral, vejo o Daniel Alves como “top”. É um ídolo, que tenho carinho muito grande. Não conheço pessoalmente, mas tenho muita vontade conversar um pouco. Com certeza tem muito para me ensinar. Tenho características parecidas. Claro, têm coisas em que ele é muito melhor, mas posso chegar no nível com muito trabalho."

Seleção brasileira e Olimpíada

"Na seleção principal, é mais complicado o trote (em que tem que se apresentar e cantar diante de todos jogadores e comissão) do que a estreia (risos). Foi um momento incrível. Era um sonho de criança vestir a camisa da seleção. Jogadores que nunca tinha visto pessoalmente e poder treinar com eles… é um momento que vou guardar toda vida.

A seleção sub-23 foi muito importante para minha ida para a principal. Aprendi muito com o (André) Jardine. Foi um treinador que me ajudou muito. Uma característica que eu não tinha era jogar de costas. E era difícil para mim. O Jardine conseguiu me explicar isso em três ou quatro treinos. Foi muito rápido.

Assisti ao Pré-Olímpico e é muito ruim ver de fora. A gente fica muito nervoso. Mas estou muito feliz com a vaga conquistado e o desempenho dos meninos. Torço por todos. E agora vamos brigar pelo título olímpico."

Adaptação ao futebol espanhol

"Aqui se exige mais taticamente e defensivamente. E eu demorei um pouquinho para me adaptar nesse aspecto, mas todos dias eu trabalhava muito forte para me desenvolver. Aqui você encara jogadores como Messi, Griezmann… Jogadores de ótima qualidade, como Vinicius Jr. e Rodrygo. São jogadores que se der um vacilo “acabam” com você. Então fui cobrado quanto à minha parte defensiva que estava regular, mas eu tinha que melhorar muito para jogar em alto nível na liga espanhola. Fiquei focado, trabalhei forte em cima disso e consegui evoluir para me firmar na posição."

Messi

"Quando você joga contra ele, você vê que ele é muito mais do que você pensa. É inexplicável a facilidade com que ele faz as coisas. Todo momento que ele pega a bola, o adversário tem que esperar que ele vá fazer algo diferente. Ele tem muito recurso. Você tem que torcer para ele não estar em um dia bom. Se estiver, muito difícil alguém parar ele. É uma coisa de outro mundo."