<
>

Algoz do São Paulo e Milan tenta recomeço na 3ª divisão e admite: 'Pensei que fosse o Senhor Sucesso'

Poucos no futebol argentino podem se orgulhar de ter um currículo igual ao de Christian Bassedas. Como jogador, ajudou o Vélez Sarsfield a destronar o São Paulo de Telê Santana, na final da Copa Libertadores de 1994, e depois conquistar o mundo em cima do Milan de Baresi, Maldini e Fabio Capello.

Depois de empilhar títulos na Argentina, atuou por Newcastle, Tenerife e também a seleção do país em todos os torneios possíveis desde a categoria juvenil, menos na Copa do Mundo. Para completar, começou a carreira de técnico no mesmo Vélez que lhe abriu as portas do futebol.

Mas toda história tem um ponto mais baixo.

Bassedas durou 21 jogos no clube do coração e precisou recomeçar. Passou pelo Boca Unidos e pelo Olimpo, equipes de tradição bem inferior ao Vélez e às outras camisas que se acostumou. Hoje, tenta o recomeço no comando do modesto UAI Urquiza, da terceira divisão do futebol argentino, e faz uma reflexão da carreira.

"Pensei que fosse o Senhor Sucesso", admitiu Bassedas, em entrevista ao jornal argentino La Nación.

"Hoje me sinto muitíssimo melhor do que há cinco anos, não tenho dúvida. Hoje, para mim, o UAI é Vélez ou Real Madrid, e isso me motiva a melhorar meus jogadores e ter a ambição de atingir a glória novamente", disse o treinador, hoje com 46 anos, a maior parte deles no mundo do futebol.

Com a experiência de quem viveu os altos e baixos mesmo na curta carreira como treinador, Bassedas considera um erro ter assumido o Vélez Sarsfield sem nenhuma experiência anterior no banco de reservas. Ele, como tantos outros, apostou que a história nos gramados bastaria.

"Não avaliei a fundo que tipo de elenco tinha o Vélez. Mas detesto dar desculpas. Fui por amor, e quando o amor falha, é doloroso. Errei. Talvez pensando que seria capaz de melhorar os garotos que não estavam preparados para jogar na primeira divisão, pensei que seria capaz de trazer reforços de acordo com o que penso de futebol, mas não pude fazer".

Bassedas conquistou quatro títulos internacionais e quatro nacionais pelo Vélez. Se não levantou taças pelos clubes que defendeu na Europa, teve a possibilidade de ser colega de equipe de Alan Shearer, até hoje o maior artilheiro da Premier League, e também atuar contra craques no futebol espanhol.

Na seleção, participou de Copa América, Copa das Confederações, Olimpíadas de Atlanta, em 1996, e parte da campanha nas Eliminatórias para o Mundial de 1998. Chegou a provar terno para viajar à França, mas acabou preterido por Abel Balbo.

Mas o Bassedas de hoje não parece ligar tanto para tudo que viveu. Valoriza, é claro, as conquistas, mas as deixa no passado, como algo que já fez - e muito bem. Agora, pensa em como construir o futuro e ter novamente a chance de brilhar em palcos maiores do que as divisões inferiores na Argentina.

Para isso, sabe que precisa viver o momento e fazer bem o seu trabalho atual, quem sabe um caminho para reencontrar a felicidade.

"Sabe o que seria, para mim, estar perto da glória novamente? Vencer cinco jogos seguidos, ver os meninos felizes porque eles ganham os prêmios. Estou satisfeito hoje porque vivo do presente, não do passado. Não entro no vestiário e mostro meu currículo como jogador. Hoje sou mais feliz do que o Bassedas que ganhava tudo nos anos 1990", garantiu.