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Como Holanda se reconstruiu e virou uma das candidatas ao título da Euro

A Holanda esteve fora tanto da Copa do Mundo da Rússia, de 2018, quanto da Euro, de 2016. Celebrada como uma das escolas mais representativas da história do futebol, a Laranja vivia um de seus piores períodos, justamente na década em que voltou a fazer uma final de Mundial, na África do Sul, em 2010.

Neste sábado, por outro lado, a seleção holandesa está a um empate com a Irlanda do Norte de garantir a vaga na próxima Euro, para a qual se credencia como uma das favoritas.

Rejuvenescida e renascida, a equipe hoje comandada por Ronald Koeman vem recolocando o país em seu curso natural, após uma queda sem precedentes na linha do tempo do país. E pelos pés de suas jovens promessas - já nem tão promessas assim.

E essa "nova era" deve tardar a acabar. E, pela idade dos atletas, é até difícil prever aonde eles podem chegar.

"A Holanda sempre teve esse perfil de formadora de grandes nomes ao futebol, independentemente da queda da liga nacional no cenário europeu. Porém, a geração atual parece estar acima das anteriores", afirma André Donke, comentarista recorrente dos canais ESPN em jogos da Eredivisie, a liga da Holanda.

"Frenkie de Jong foi o melhor meio-campista da Europa na última temporada, e Matthjis de Ligt virou um dos zagueiros mais caros da história. O sucesso do Ajax em 2018-19 mostra como esse é um time fora da curva para os padrões holandeses nos últimos anos", acrescenta.

Para completar, Van Dijk, um dos veteranos que ainda tem espaço na seleção, foi apontado o melhor jogador da Europa na última temporada.

LADEIRA ABAIXO

Em 2014, no Brasil, a equipe de Robben e Van Persie, comandada por Louis Van Gaal, ainda mostrou lampejos. Como na goleada impiedosa sobre a Espanha, por 5 a 1, em Curitiba. Na disputa de 3º lugar, aplicou também impiedosos 3 a 0 no Brasil.

Dali em diante, no entanto, só houve decadência.

Talvez coincidentemente, talvez não, Johann Cruyff, o maior jogador holandês em todos os tempos - e posteriormente o maior dentre os treinadores - morreu em 2016.

Metafórica e literalmente, um pedaço do "futebol total" que tanto caracterizou o jogo dos Países Baixos, parecia mesmo ter ido para o túmulo.

O ponto era tão baixo, que nem mesmo o campeão do nacional do país tinha vaga direta na fase de grupos da Champions League, devido aos sistemas de ranqueamento da Uefa.

Ultrapassada até mesmo pela ínfima Islândia em termos de resultado, a Holanda ainda via sua vizinha Bélgica jogando na teoria, o futebol mais vistoso do planeta - um título que costumava dividir com o Brasil.

Em 2016, a seleção terminou na 22ª posição do ranking da Fifa, sua pior posição na história (hoje é a 16ª).

Como consequência de todo esse cenário, Blind, que sucedera Van Gaal, perdeu seu emprego em 2017. E, para o seu lugar, veio Ronald Koeman.

MORRO ACIMA

Desde o segundo semestre de 2018, aos poucos, a Laranja foi voltando a ganhar corpo. E por esse renascimento, sem dúvida, passa o Ajax.

Na última janela de transferências, De Ligt e De Jong foram dois dos nomes mais disputados pelos gigantes da Europa. O defensor foi para a Juventus de CR7. De Jong, seguiu o caminho de Cruyff e tantos compatriotas e foi para o Barcelona.

E difícil não traçar um paralelo entre o fortalecimento do Ajax e o ressurgimento da seleção - ainda mais pelo fato de ambos terem acontecido quase ao mesmo tempo e se alimentado mutuamente.

Paralelamente ao espanto que o Ajax trazia ao mundo, progredindo na Champions League e deixando potências como Real Madrid e Juventus para trás, a seleção holandesa ia mostrando serviço na Liga das Nações.

Sim, o campeonato secundário europeu de seleções ainda não empolga ninguém. Mas, compulsoriamente, os principais times do continente estavam no torneio, sendo derrotados pela Holanda.

Mais uma vez, a sina do vice-campeonato acometeu os holandeses, que perderam para Portugal na final.

O resultado, entretanto, importava menos do que a chegada à final - algo que o Ajax não repetiu na Champions apenas por ter parado no Tottenham do brasileiro Lucas e seu milagroso hat trick de virada, com direito a gol aos 51 do 2º tempo.

A temporada terminou com o Liverpool campeão. Mas quem mais encheu os olhos no torneio foi o time holandês.

RENOVAÇÃO

O time que vestirá hoje a camisa da Holanda apresenta uma renovação quase total em comparação à equipe que fechou a participação nas eliminatórias para a Euro de 2016.

Se repetir a equipe que venceu Belarus, fora de casa, por 2 a 1, em 13 de outubro, Koeman vai escalar apenas três jogadores daquela equipe: Van Dijk, Blind e Wijnaldum.

Se a comparação for com o time que venceu a Suécia por 2 a 0, no último jogo do qualificatório para a Copa da Rússia, há dois anos, são quatro: novamente o trio acima, além do goleiro Cilessen.

Com um time jovem, a Holanda parece estar firmando uma nova geração para durar por um bom tempo.

Como problema no futuro a médio prazo, talvez apenas uma possível saída do técnico Koeman de seu cargo. Recentemente, foi revelada uma cláusula no contrato dele que permite uma saída para o Barcelona, em caso de chamado.

De qualquer modo, se houver um próximo treinador, ele já vai encontrar uma situação bem mais estável que a de seu antecessor.