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Lenda do Arsenal explica discussões com Wenger no final de sua carreira: 'Foi o único período em que eu tive brigas com ele'

Um dos melhores jogadores da história do Arsenal e um dos mais técnicos dos anos 90, Dennis Bergkamp teve uma carreira brilhante no futebol, cheia de golaços, títulos inesquecíveis e idolatria dos torcedores. Em entrevista ao programa Mundo Premier League, o atacante explicou porque era mais feliz jogando na Inglaterra do que na Itália, relembrou seus momentos de vitória no Arsenal e como decidiu se aposentar em 2006.

Em 11 temporadas no Arsenal, o ex-camisa 10 conquistou três Premier Leagues e quatro Copas da Inglaterra. Todos os títulos foram sob o comando do técnico Arsène Wenger, com quem ele acabou tendo algumas divergências no final de carreira.

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DIFERENÇA ENTRE FUTEBOL ITALIANO E INGLÊS

Normalmente um jogador estrangeiro leva cinco ou seis meses para se adaptar ao time. Para mim, foram sete jogos. Tipo: "Tudo bem, é isso aí, agora eu sei o que fazer." Eu me sentia em casa, porque é preciso entender que o futebol italiano é mais como um emprego, tipo um trabalho das nove às cinco. Nos treinos (na Itália), eu meio que tinha perdido a noção do que era o futebol, ou seja, é um jogo. É preciso se divertir.

"O futebol italiano é mais como um emprego, tipo um trabalho das nove às cinco", Dennis Bergkamp, ex-jogador do Arsenal.

Então nos primeiros meses da temporada de 95 eu pensei: "Tudo bem, vamos ver como é essa Premier League, como é o time, como é o clube e ver o que acontece". E então, depois disso eu me senti em casa e me senti ótimo novamente.


CHEGADA DE WENGER NO ARSENAL

Lembro que aquele período foi um pouco difícil para nós. Porque era a minha segunda temporada. O técnico foi demitido na pré-temporada e eu pensei: "O que vai acontecer?". E aí o David Dein (ex-dono do Arsenal) falou mais uma vez: "Não. Calma. Temos um bom plano".

Eu queria saber o que ia acontecer, porque estávamos na pré-temporada, tínhamos jogado dois jogos que não tínhamos perdido. Cinco ou seis a zero era normal, e de repente houve uma mudança de técnico, e não sabíamos muita coisa sobre o Arsène Wenger na época.

Mas aí eu percebi que quando joguei no Ajax, muitos anos antes, só havia dois times na Europa que jogavam no esquema 4-3-3, o Ajax e o Monaco. E ele era o técnico do Monaco na época. Isso me deu uma boa impressão.


TÍTULO INVICTO NA PREMIER LEAGUE

Quando você jogou no time dos Invencíveis, como se sentiu? Porque eu via bastante vocês, e pensava: "Eles não vão perder, estão vencendo os times com facilidade”. Você vê como o Manchester City joga atualmente, vocês venciam times em 20 minutos. Como era quando você estava lá?

Lembro que na época fizeram uma entrevista comigo e me fizeram uma pergunta parecida, e eu falei: "Estamos perto da perfeição. É um time em que um jogador sabe exatamente o que o outro vai fazer, para onde vai correr e como ele quer a bola".


ÚLTIMA TEMPORADA E BRIGA COM WENGER

Bom, acho que foi o único período da minha carreira em que eu tive algumas brigas com o Arsène, porque eu era mais substituído, ficava mais jogos no banco, o que era normal, porque eu já tinha 36 anos.

Mesmo assim eu queria jogar, por isso houve algumas discussões entre nós, mas eu entendia a decisão dele, e essa foi a atitude que eu tome.

Pensei: "Tudo bem, só quero jogar tanto, e o meu corpo tem 36 anos, não posso fazer mais isso". Eu gostava de treinar, mas depois de cada jogo eu precisava de dois ou três dias para me recuperar, então decidi: "Vamos terminar uma temporada fantástica e parar".