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Técnico do Verona diz que Itália é 'muito racista', mas minimiza caso de Balotelli: 'Eu mesmo já fui xingado de cigano sujo'

O Campeonato Italiano viveu mais um caso de racismo no final de semana, desta vez envolvendo o atacante Mario Balotelli.

Na derrota do Brescia para o Hellas Verona, Balotelli foi alvo de cânticos racistas por parte da torcida rival na partida, no estádio Marcantonio Bentegodi. O atacante italiano se revoltou e chutou a bola para a arquibancada antes de ameaçar deixar o campo - mas foi convencido a ficar no jogo pelos colegas de equipe.

Mesmo assim, membros do Verona negaram que os gritos direcionados ao atacante tenham sido racistas.

"Hoje não teve nada, nenhum grito racista. Houve assobios e provocações que são feitas contra um grande jogador. Nada além disso. Sou croata e já escutei muitos xingamentos de 'cigano sujo'. A Itália é muito racista, mas hoje não foi isso", disse o técnico Ivan Juric à emissora Sky Sport.

"Não sei porque ele (Balotelli) reagiu assim. Se tivesse acontecido eu mesmo diria, e mesmo se fosse minha torcida me daria nojo. Hoje não. Mesmo quando marcou um gol houve provocação. Isso é um problema dele, não nosso", seguiu o treinador.

"Posso confirmar que não escutei nada. Os torcedores do Verona são bem irônicos, mas não são racistas. Talvez dois ou três tenham falado alguma coisa entre 20 mil torcedores, e estamos preparados para puní-los se foi o caso. Mas é errado generalizar. Encontrei com Balotelli e pedi desculpas se alguém lhe falou algo", comentou o presidente Maurizio Setti.

Líder de organizada reclama de Balotelli

"Ele tem a cidadania italiana, mas não é totalmente italiano", disse Luca Castellini, líder da organizada do Verona. Ele ouviu esses gritos só em sua própria cabeça. Nós temos uma cultura de torcida. Zombamos dos jogadores carecas, dos que têm cabelos longos, dos que são do sul e dos negros. Mas não fazemos isso por política ou racismo. Balotelli é um palhaço."

"Também temos um negro no nosso time, ele entrou ontem, e toda a torcida aplaudiu", seguiu Castellini, se referindo ao italiano Eddie Salcedo.

"Qual o problema de falar a palavra negro?", questionou.