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'Quem é Drake' e 'LeBron irrelevante': disputa de marcas para vestir Liverpool tem diálogos inusitados sobre celebridades em tribunal

O julgamento que pretende avaliar se a Nike pode se tornar fornecedora de material esportivo do Liverpool continua acontecendo com diálogos inusitados na Inglaterra.

Iniciado na sexta-feira (18), o processo segue nesta terça. E tem feito nomes como os do cantor Drake e do jogador de basquete LeBron James aparecerem nos diálogos.

Pelo lado do Liverpool, que quer trocar a New Balance pela empresa que patrocina a seleção brasileira, o argumento principal é que, mesmo que a atual fornecedora consiga igualar os valores pagos pelo direito de vestir o time e na expectativa de vendo de produtos, a Nike tem alavancagens maiores em outros aspectos.

Um deles é o poder do marketing. Nike e Liverpool, por exemplo, argumentam que LeBron e o rapper canadense poderiam ser usados em campanhas do clube.

A defesa da New Balance diz que a influência dos atros não é mensurável. Já o juiz Teare, que julga o caso, foi além e confessou: "Eu tive que pesquisar para saber quem era Drake".

Outro argumento pró-New Balance é que os atletas e astros ligados à Nike podem mudar de status e importância. E que, portanto, não é algo palpável para a Nike usar como argumento em seu favor.

O advogado da Nike foi além e ainda disse que uma suposta participação de LeBron James em campanhas de marketing é irrelevante em termos da decisão sobre a manutenção do contrato.

Vale lembrar, aliás, que LeBron é acionista minoritário dos Reds, tendo comprado 2% das ações do clube em 2011, por US$ 6,5 milhões.

A questão, como se vê, é bastante complicada. E, com tantos detalhes, o julgamento deve seguir por um longo tempo

ENTENDA O CASO

Em abril deste ano, a ESPN mostrou que o Liverpool ficou muito próximo de um acerto com a Nike como sua nova fornecedora de material esportivo. Só que a New Balance, atual parceira dos Reds, decidiu não ceder tão facilmente, e a questão foi parar na Justiça, como foi reportado em 24 de setembro.

A Nike ofereceu ao atual líder da Premier League 30 milhões de libras (R$ 160,75 milhões por ano), mais 20% de royalties em vendas de uniformes.

Ou seja: com sua gigantesca rede de distribuição por todo o mundo (que é muito maior do que a da atual fornecedora dos Reds), a Nike calcula que pode ampliar ainda mais a venda de peças do atual campeão europeu, o que aumentaria, ao mesmo tempo, os seus lucros e do clube britânico.

Só que a New Balance, que produziu as duas camisas mais vendidas da história do Liverpool (nas temporadas 2017/18 e 2018/19), alega ter uma cláusula contratual na qual tem o direito de ao menos igualar a proposta feita por qualquer concorrente, e, caso de fato faça isso, o vínculo, que se encerra no fim de maio de 2020, deve ser automaticamente renovado.

Por conta disso, o caso foi parar no "tapetão", e agora é a Justiça inglesa que decidirá quem será a fornecedora de material esportivo dos Ia partir da temporada 2020/21.

Vale lembrar que a New Balance paga 45 milhões de libras (R$ 241,13 milhões) fixos por ano ao Liverpool.

*colaborou Francisco De Laurentiis