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Manchester United precisa contratar Harry Kane. Mas terá coragem de tentar?

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Foi um momento típico Roy Keane: franco, talvez um pouco irreal, e exigindo apenas o melhor, independentemente do que for necessário para obtê-lo.

Como comentarista da Sky Sports após o empate em 1 a 1 do Manchester United contra o Liverpool em Old Trafford, no domingo, o ex-capitão do clube sugeriu que a solução para os problemas dos Red Devils seria contratar Harry Kane, do Tottenham. "Vá buscar Kane no Spurs", ele disse. "Eles estão desarrumados. Vá buscá-lo."

Keane então pareceu incrédulo quando seus colegas de estúdio - Gary Neville, Graeme Souness e Jose Mourinho - o olharam em silêncio. "O que vocês estão olhando?", ele disse. "Ele marcou 20 gols por temporada com os olhos fechados. Vá buscá-lo."

Ele estava falando sério, mas também havia uma pitada de malícia em seus comentários. Talvez o irlandês saiba que o United simplesmente não é mais capaz de conseguir os maiores nomes como costumava fazer, mas estava jogando no ar, independentemente.

Nos dias em que Keane governava no United, o clube contratava regularmente os melhores jogadores do país. O time de Manchester pode ter perdido duas vezes Alan Shearer nos anos 90, mas quebrou o recorde de transferências britânicas ao contratar Andy Cole do Newcastle em 1995, Rio Ferdinand do Leeds em 2002 e Wayne Rooney do Everton dois anos depois.

Durante o reinado de Sir Alex Ferguson, os Red Devils também contrataram Robin van Persie do Arsenal em 2012 e estavam preparados para travar longas batalhas com o presidente do Spurs, Daniel Levy, antes de concluirem grandes acordos com Michael Carrick e Dimitar Berbatov. Tudo resultou em muitos troféus.

Se esse era o antigo United, uma transferência recorde para Kane seria o próximo passo óbvio para um clube que precisa desesperadamente de um talismã e artilheiro para dar nova vida ao time.

Desde o início desta temporada, a equipe comandada por Ole Gunnar Solskjaer marcou apenas mais de um gol em um jogo uma vez - quando fez quatro no Chelsea, na primeira rodada do campeonato. Enquanto isso, Kane já marcou cinco gols em nove jogos da Premier League pelo Tottenham nesta temporada, com outros dois na Champions League.

Mesmo em uma equipe que está com as mesmas dificuldades que o United, o jogador de 26 anos ainda é capaz de encontrar o caminho para o gol com a mesma consistência que sempre fez. Ele marcou 122 gols em suas últimas cinco temporadas completas na Premier League - 10 a mais que Sergio Aguero, estrela do Manchester City, no mesmo período -, fazendo de Kane o goleador mais consistente de sua geração.

O capitão da Inglaterra seria uma contratação transformadora para o Manchester United. Ele traria gols e liderança, sua presença como centroavante permitiria a Marcus Rashford jogar em sua posição preferida, na ponta esquerda, enquanto ele também seria a contratação que poderia destravar o melhor de Paul Pogba, dando ao francês um companheiro de equipe igualmente famoso, que dá o toque final à sua criatividade.

Mesmo com um meio-campo que precisa desesperadamente de reforços, contratar Kane levaria instantaneamente o United a outro nível e tornaria o clube capaz de marcar mais de um gol em uma partida.

Mas aqui vem o choque de realidade, tanto para Keane quanto para quem pensa que o centroavante pode ser o salvador do United: o clube, por toda sua história e riqueza, não é mais o destino atraente que era para os melhores jogadores.

Kane pode estar alcançando o estágio em sua carreira em que precisa decidir se sua melhor opção para seguir em frente será o Tottenham ou outro lugar, mas é difícil imaginar que, na cabeça do atacante, Old Trafford esteja entre as cinco principais.

Há muita incerteza pairando sobre o United para Kane sequer considerar uma mudança para o clube de maior sucesso na era Premier League. Mais notáveis ​​são os pontos de interrogação sobre o futuro de Pogba e o do trienador Ole Gunnar Solskjaer, que, apesar do apoio público do vice-presidente executivo Ed Woodward, estará sob crescente pressão se os resultados continuarem a deixar o United na parte inferior da tabela.

O Manchester de antigamente, da época de Keane, teriam feito do goleador seu alvo número um. Uma oferta de 200 milhões de libras seria o passaporte para a volta ao topo.

O clube não é a força que era antes, mas, se quiser uma mudança no cenário, talvez deva seguir o conselho do ex-capitão e ter coragem de fazer para Tottenham e Kane, uma oferta que não poderão recusar.