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Everton x West Ham em Goodison Park: como é ver um 'jogo raiz' em estádio antigo na Premier League

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127 anos de história: o charmoso Goodison Park pelas lentes da ESPN Brasil (1:57)

A reportagem acompanhou Everton 2 x 0 West Ham, no último sábado, e viu de perto os golaços de Bernard e Sigurdsson, que deram a vitória aos Toffees. (1:57)

Quem gosta de acompanhar a Premier League se depara toda semana com alguns dos estádios mais modernos do mundo, como o novo White Hart Lane, do Tottenham, o Etihad Stadium, do Manchester City, e o Emirates Stadium, do Arsenal, só para citar alguns.

Mas, se alguém prefere uma experiência mais “raiz”, poucos lugares podem ser mais indicados que o Goodison Park, estádio do Everton, que foi construído em 1892, há 127 anos, e foi uma das sedes da Copa do Mundo de 1966.

A reportagem da ESPN, que está na Inglaterra para a cobertura in loco de Manchester United x Liverpool, neste domingo, pela Premier League, aproveitou para acompanhar Everton 2 x 0 West Ham, no último sábado, e viu de perto os golaços de Bernard e Sigurdsson, que deram a vitória aos Toffees.

Veja como foi a experiência:

PRÉ-JOGO

Goodison Park fica encravado em meio a um bairro residencial, cercado pelas casinhas conjugadas típicas da Inglaterra, com tijolos à vista e chaminés.

Na chegada ao estádio, os torcedores do Everton confraternizam e conversam animados, espremidos nas estreitas ruas que cercam a arena. Como ainda é relativamente cedo (antes do meio-dia), muitos ainda preferem tomar um tradicional “English breakfast” ao invés de cerveja.

Com isso, os arredores ficam com forte aroma de feijões cozidos, ovos, batatas e linguiças, que são devorados aos montes pelos fãs, enquanto leem a revista oficial pré-jogo (o brasileiro Bernard foi capa!).

Mas, como não poderia deixar de ser, já há também torcedores que estão no quinto ou sexto pint de cerveja nos pubs próximos, falando enrolando e cantando músicas de apoio ao Everton.

Vale lembrar que é proibido consumir bebidas alcoólicas dentro dos estádios da Premier League e da Championship (a segunda divisão). Portanto, quem quer cerveja, tem que tomá-las do lado de fora.

Vai chegando a hora da bola rolar e todos começam a entrar meio juntos, passando pelas antigas catracas de Goodison Park, que ainda mantém boa parte do charme do passado, mas com algumas partes modernizadas.

O JOGO

Ao sentar no meu lugar, minha primeira reação é a de estranhamento com a cadeira, que é de madeira, algo pouco comum no futebol brasileiro.

E essa é a realidade em alguns dos setores: só há um tipo de banco: o de madeira, pintado com o belo tom de azul da equipe da casa.

Eles são pequenos e possuem pouco espaço para as pernas, mas são razoavelmente confortáveis.

A característica mais notável de Goodison Park, no entanto, são os pilares de sustentação que atravessam as arquibancadas, característicos de construções mais antigas (vale lembrar que falamos de um projeto arquitetônico do século XIX).

Também presentes em todos os setores, eles atrapalham consideravelmente a visibilidade, principalmente nos lances nas grandes áreas.

Chega até a ser engraçado ver os torcedores mexendo a cabeça para os lados nos momentos em que alguém está próximo ao gol, já que o pilar quase sempre bloqueia a visão.

Quanto ao jogo em si, para um brasileiro chama a atenção a frieza dos torcedores.

Apesar de serem apaixonados fervorosos pelo clube, não há, na maior parte do tempo, qualquer canto de incentivo. Todos assistem à partida sentados e reagem com aplausos nos lances bons e com suspiros de decepção nos ruins.

Quando se manifestam mais ativamente, muitas vezes é para apoiar algum atleta que tenha feito um lance de destaque.

Aconteceu, por exemplo, após o gol de Benard, depois de um carrinho de Richarlison para desarmar o adversário e na substituição do zagueiro Yerry Mina.

Os únicos cantos ouvidos durante praticamente toda a partida vêm da arquibancada visitante, repleta de torcedores do West Ham.

Eles tentam empurrar sua equipe durante boa parte do jogo, mas, ao verem o Everton dominar amplamente o duelo, desistem rapidamente.

Nos gols, também observa-se que os ingleses não gritam “gol!”, como a maioria do planeta, mas sim “yeah!”. As celebrações, porém, são bem efusivas, com muitos torcedores se abraçando.

Vale ressaltar a excelente presença de público. Mesmo com os Toffees na zona do rebaixamento, pouco mais de 39,2 mil torcedores compareceram no último sábado – quase a lotação máxima da arena.

PÓS-JOGO

Após a partida, muitos torcedores descem para os lances mais baixos das arquibancadas e tentam atrair a atenção dos jogadores com gritos.

Os objetivos são, principalmente, ganhar uma camisa, conseguir um autógrafo ou tirar uma foto.

Um dos favoritos dos fãs, o brasileiro Bernard atende vários pedidos, dando sua camisa a um garotinho e tirando várias selfies com os fãs, que lhe cumprimentam pelo belo gol marcado.

Além dele, outro jogador que deu muita atenção aos torcedores foi o italiano Moise Kean, ex-Juventus, que ainda arranha no inglês, mas tirou dezenas de fotos e cansou a mão de tanto dar autógrafos.

Já o divertido Yerry Mina é abordado por um brasileiro: “Mina, qual o melhor time do Brasil?”. O colombiano responde sem titubear: “O Palmeiras, cara!”.

Ao deixar Goodison Park, algo que chama a atenção é a limpeza.

Diferentemente dos estádios brasileiros, que geralmente ficam lotados principalmente de latas de cerveja nos arredores, as calçadas ao lado da arena não possuem qualquer vestígio da passagem dos torcedores por ali.

Para falar a verdade, nem parece que um jogão de futebol com quase 40 mil pessoas acaba de acontecer!

E enquanto alguns últimos Evertonians tomam seus últimos pints antes de retornarem para casa, a ESPN também se despede de Goodison Park com uma certeza: a Premier League também é lugar de quem gosta do “futebol raiz”.