Internacional: Quem é Eduardo Coudet, técnico que o clube tenta contratar?

Sem técnico desde a saída de Odair Hellmann, o Internacional volta seus olhares ao mercado estrangeiro para tentar encontrar um substituto. Mais especificamente para o mercado argentino e para um nome: Eduardo Coudet.

Mas afinal, quem é Eduardo Coudet?

“Chacho” Coudet, como é conhecido na Argentina, é o atual técnico do Racing e campeão argentino com o clube após uma fila de cinco anos. Ganhou status de grande treinador em solo argentino justamente com a conquista mais recente. Anteriormente passou pelo Tijuana, no México, sem tanto sucesso.

Mas sua carreira começou e logo ganhou destaque no Rosario Central. Em 2015, recebeu a oportunidade de comandar a equipe e mostrou sua capacidade. Levou a equipe de um 14º lugar no Campeonato Argentino de 2014 até a terceira colocação no ano seguinte.

Na Libertadores de 2016 foi quando se “apresentou” ao público brasileiro. Eliminou o Grêmio do então técnico Roger Machado nas oitavas de final com uma equipe extremamente ofensiva e que tinha em seu elenco jogadores como Marco Rubén, hoje no Athletico-PR, e Lo Celso, hoje no Tottenham. Vitórias por 1 a 0 em Porto Alegre e 3 a 0 na Argentina. Na fase seguinte acabou caindo para o Atlético Nacional, que foi campeão.

Mas sua chegada ao Rosario traz a primeira história curiosa. Ángel Di María, astro do PSG e da seleção argentina pediu a Raúl Broglia, presidente do clube, a sua chegada em uma conversa por telefone em que nada se relacionava com futebol. O jogador é torcedor fanático desde pequeno e tem inclusive uma tatuagem na perna com o escudo do Rosario.

Em 2015, quando atuava pelo Manchester United, Di María confirmou conversas com Coudet e sua torcida pelo sucesso na equipe, chamado-o de “louco” à ESPN radio.

“Eu falei muitas vezes com Coudet. Ele quer formar algo no Rosario Central. Mesmo sendo louco, tenho muita fé”.

Seu estilo de jogo e sua vocação para o futebol ofensivo renderam e ainda rendem comparações com o estilo de jogo de Marcelo Bielsa.

E, curiosamente, por mais que seu estilo de comandar equipes seja associado ao de Bielsa, Coudet guarda mágoa com o atual treinador do Leeds. Isso porque dizia-se à época que Bielsa era técnico da seleção que ele não o chamava por ter história no Rosario, rival do Newell’s Old Boys, time que Bielsa jogou e treinou.

Se a história é verdadeira ou não, nada se sabe. O que é certo é que quando perguntado sobre o caso, Coudet negou rindo. “Não devia gostar do meu estilo de jogo”, declarou.

Para Julio Chiapetta, editor chefe do jornal Clarín, um dos mais importrantes do país, a história não tem muito fundamento. Assim como não há muita comparação entre os dois estilos de treinar equipes.

“Não creio que Bielsa não o chamou por ser identificado com Newell’s e ele com o Rosario. Ele chamou muitos jogadores que jogaram do outro lado (Rosario). E não creio que Bielsa possa ter colocado na cabeça coisas tão pequenas como essa.”

“Não tem nada a ver com Marcelo Bielsa, que é um técnico totalmente “taticista”. Ele é mais liberal. Guardando as devidas comparações, é mais parecido com o estilo de Marcelo Gallardo e (César Luis) Menotti do que de qualquer técnico europeu amante das posições ou das imposições táticas.”

No dia a dia é um técnico que gosta muito de trabalhar suas ideias de jogo em treinos. Suas sessões duram cerca de duas horas e são caracterizadas pela alta intensidade. Coudet também tem por característica trabalhar com jovens jogadores.

Em seu trabalho no Rosario promoveu as entradas de Lo Celso e Cervi, hoje no Benfica e Maximiliano Lovera, hoje na Grécia. Matías Saracho, do Racing, é sua grande aposta hoje em dia.

Taticamente é um técnico que sempre monta suas equipes com uma linha de quatro jogadores na defesa, mas no setor ofensivo é um treinador flexível e não tem preferência por nenhum desenho tático. Mas sempre com algo em mente: jogar para frente.

Uma ida ao Internacional poderia ajudar mais na sua projeção, apesar de estar bem estabelecido na Argentina.

“É um técnico que joga para frente. Creio que no Internacional encaixaria muito bem. Tem bastante projeção no futebol argentino, mas obviamente uma temporada no exterior poderia potencializá-lo ainda mais.

Como jogador, Coudet foi um meio-campo que marcou época no Rosario Central e no River Plate. Sua passagem pelos Millonarios inclusive lhe rendeu uma de suas maiores amizades no futebol: Andrés D’Alessandro, ídolo do Internacional.

Por essa relação entre os dois foi especulado na Argentina que Coudet gostaria de trazer o capitão do Inter para encerrar usa carreira no Racing, clube do qual ele é torcedor, apesar de construir o começo de sua história no River Plate.

Se aceitar comandar o Internacional, poderá reencontrar seu velho companheiro e dar sequência à sua promissora trajetória como técnico.