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Athletico-PR: Santos conta como virou goleiro da seleção brasileira e revela maior inspiração

Novidade do técnico Tite na convocação da seleção brasileira, o goleiro Santos é um dos maiores ídolos da história recente do Athletico-PR. Grande destaque dos títulos da Copa Sul-Americana (2018) e da Copa do Brasil (2019), ele virou o cidadão mais ilustre da pequena cidade de Cabaceiras (cinco mil habitantes), na Paraíba.

Mais novo de oito irmãos, Aderbar Melo dos Santos Neto teve uma infância humilde na roça ao lado da família de agricultores. Chegou a ajudar um pouco os pais nas tarefas, mas conseguiu realizar seu sonho de ser jogador.

Após se destacar pelo Porto na Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2008, ele foi ao Athletico-PR e viu sua vida mudar. Antes de se destacar, ele precisou esperar alguns anos até conseguir uma chance nos profissionais.

"Tive paciência, tranquilidade e perseverança de correr atrás para chegar aonde eu queria", disse, ao ESPN.com.br.

Grande fã de Dida, o arqueiro de 29 anos tem um perfil parecido com o ídolo: é um sujeito mais reservado, calmo e não costuma fazer defesas espalhafatosas. Além disso, é um destaque nas cobranças de penalidades. Ano passado, ele foi fundamental na conquista da Sul-Americana.

Pela Copa do Brasil deste ano, ele defendeu duas cobranças contra o Flamengo, no Maracanã, pelas quartas de final. Na semifinal contra o Grêmio (vitória por 5 a 4 nos pênaltis), ele pegou a penalidade de Pepê.

"No momento do pênalti é um jogo mental e quem estiver mais preparado e com foco total leva a melhor. Claro que treinamos, mas esse momento de concentração é apenas você e o batedor na hora. O resto do mundo todo se apaga. É colocar em prática o que você trabalha e acredita", relatou.

Com todo o destaque, Santos foi lembrado pelo técnico tite na última lista do Brasil.

"É uma forma de ver que seu trabalho é bem feito e reconhecido. Fiquei muito feliz. Difícil falar que acreditava que ia acontecer algo deste tamanho. Eu vim para cá com o sonho de apenas ser profissional, jogar e mostrar o meu trabalho. Só que os nossos planos não são iguais aos que Deus tem para nossas vidas", admitiu.

Veja a entrevista com o goleiro Santos:

Como foi a sua infância? Você chegou a trabalhar para ajudar sua família?
Minha infância, como a grande maioria dos meninos, foi bem sofrida e humilde. Não cheguei a trabalhar em coisas fixas, mas sempre fiz algumas coisinhas para ganhar um dinheiro e ter um momento de lazer ou comprar algo. Eu sou o mais novo da turma e não tinha tanta obrigação.

Alguma história te marcou essa época?
Foram momento de muitas dificuldades e de querer vencer na vida. Eu lembro de brincar muito com meu primo nas areias dos rios da minha cidade. Eu já tinha esse desejo de ser goleiro naquela época. A gente brincava chutando a bola um para o outro.

Sempre foi goleiro ou chegou a jogar na linha?
Sempre fui goleiro porque era diferente e chamava atenção. Isso foi crescendo e virou uma paixão. Desde então, estou nessa correria.

Como virou goleiro e quem eram seus ídolos?
Eu sempre falo que o Dida foi um cara que admirava. Ele tinha uma forma de jogar bem diferente dos demais, era muito frio e tranquilo. Me espelhava nele e tenho muita admiração por ele.

Você passou pela base de quais times?
Eu passei dois meses apenas treinando no Treze, mas não cheguei a jogar por lá. Depois, fui ao Porto e fiquei dois anos. Foi algo que me deu uma força maior e uma esperança de conseguir chegar além. Sou muito grato porque me ajudaram muito a chegar ao momento que estou hoje.

Você participou de alguns torneios fora do Brasil na base. Quais você jogou e se destacou?
Foram dois torneios que joguei na Europa: um na Alemanha e outro na Holanda. Eu tive um destaque e fiz bons jogos porque nós vencemos as duas finais nos pênaltis. Eu defendi duas cobranças em cada uma delas. Com essas finais, eu passei a ser visto no clube de uma forma diferente, fiquei muito feliz.

No Torneio da Alemanha, de Onbendorf, vocês venceram o Borussia Dortmund que tinha o Gotze na final...
São competições muito rápidas e enfrentamos grandes equipes. Essa final ficou marcada porque foi contra o Borussia, que é uma equipe conhecida no mundo todo, com grandes jogadores. Na Holanda foi importante porque vencemos também.

Quais as maiores dificuldades que enfrentou até ser profissional?
A concorrência é muito grande. Passaram muitos goleiros por aqui de muita qualidade e você precisa se superar a cada dia para mostrar que está preparado. Tive paciência, tranquilidade e perseverança de correr atrás para chegar aonde eu queria. A concorrência é algo que está aí. Não somente antes, mas agora também ela continua em todos os aspectos.

Quais os momentos mais marcantes pelo Athletico-PR?
Sem dúvidas os títulos porque ficam marcados na nossa memória. Eu me pego às vezes pensado na forma como eles aconteceram. São os títulos fazem um atleta crescer dentro de um clube como profissional.

Você é um cara mais reservado? Como você enfrenta isso?
Eu enfrento como algo da minha personalidade. Brinco com todo mundo nos momentos de lazer, mas sou mais reservado, Sou caseiro e tranquilo. Outros são mais espontâneos.

Você sempre foi pegador de pênaltis? A que atribui isso?
No momento do pênalti é um jogo mental e quem estiver mais preparado e com foco total leva a melhor. Claro que treinamos, mas esse momento de concentração é apenas você e o batedor na hora. O resto do mundo todo se apaga. É colocar em prática o que você trabalha e acredita.

Como foi ser convocado para a seleção brasileira?
A convocação é uma forma de ver que seu trabalho é bem feito e reconhecido. Fiquei muito feliz. Todo atleta sonha com isso e comigo não foi diferente. Foi um momento de muita alegria de poder representar o meu país. Espero continuar trabalhando de forma consistente no Athletico para ser convocado outras vezes.

Quando começou a carreira, você imaginava chegar em um ponto tão alto na careira?
Difícil você falar que acreditava que ia acontecer algo deste tamanho. Eu vim para cá com o sonho de apenas ser profissional, jogar e mostrar o meu trabalho. Só que os nossos planos não são iguais aos que Deus tem para nossas vidas. Temos que ser gratos opor tudo que ele tem feito. Preciso continuar trabalhando em busca de outros objetivos.