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Destaque do Bahia no Brasileiro superou dispensa no Palmeiras e venceu o desemprego: 'Me sinto em casa'

Moisés enfrentou várias adversidades ao longo da carreira antes de se destacar pelo Bahia. O lateral entrou na seleção da 21ª rodada do Prêmio ESPN Bola de Prata Sportingbet após ter ótima atuação na vitória do time tricolor sobre o Botafogo no Campeonato Brasileiro.

“Sei que estar entre os melhores é um marco para qualquer jogador. Mas não podemos deixar isso tomar conta, eu ser citado como melhor lateral é fruto de todo trabalho feito arduamente por nós", disse, ao ESPN.com.br.

O jogador começou sua trajetória no futebol em escolinhas de futebol na Vila Carrão, zona leste de São Paulo, e passou pela Portuguesa antes de chegar ao Palmeiras.

“Fiquei um bom tempo por lá, dos 12 anos até os 16. Eu joguei com o Matheus Sales e o Nathan. Só que com o passar do tempo eu perdi espaço na equipe e fui dispensado”, disse, ao ESPN.com.br.

Após sair do clube alviverde, ele foi para o Comercial de Ribeirão Preto, clube no qual se profissional em 2012 e jogou a Copa Paulista.

“Nunca tinha morado fora de casa e foi difícil ficar longe da família. Sempre fui próximo deles e sabia que tinha passar por isso na minha trajetória. Mas depois fui fazendo amizade com pessoas maravilhosas e fui seguindo. Algumas vezes meu pai ia ver meus jogos”, relatou.

Moisés chegou a ser emprestado para o Sub-17 do Internacional antes de retornar para Ribeirão Preto.

“Em 2014, eu desci para jogar a Copa São Paulo pelo Comercial. Depois, fui jogar pelo Batatais na Série A2 do Campeonato Paulista”, falou.

Assim que acabou o Estadual, ele viveu um dos momentos mais complicado da carreira.

“Fiquei uns dois meses desempregado durante a Copa do Mundo de 2014 treinando sozinho. Depois, fui ao Madureira e joguei a Copa Rio”, contou.

No ano seguinte, durante o Campeonato Carioca, o lateral não tinha espaço na equipe titular e pediu para descer aos juniores.

“Ainda tinha idade e queria pegar ritmo de jogo. Depois disso, eu voltei ao profissional e me destaquei no Carioca. O Vasco estava interessado e quase acertei, mas veio uma proposta do Corinthians. Quando soube disso fiquei muito feliz. Era o sonho de qualquer jogador ir para lá. Era a minha cidade e ficaria perto da família”, explicou.

Contratado no meio de 2015, Moisés se encantou com a estrutura da equipe de Parque São Jorge.

“Lembro que quando pisei para fazer exames no Centro de Treinamentos do Corinthians eu pensei: ‘Um dia tenho que voltar e jogar nesse clube’. Logo em seguida, fui emprestado ao Bragantino para jogar a Série B do Brasileiro”, falou.

Após se destacar pelo “Massa Bruta”, ele voltou para a pré-temporada com o elenco do Corinthians, foi emprestado no começo de 2016 ao Bahia.

“Antes de eu ir o Edu Gaspar [então diretor de futebol] disse: ‘O Bahia é um time de massa, um grande e que tem pressão de torcida. O clube é serio e tem grandes profissionais. Lá você terá uma grande experiência porque eles têm mais do que obrigação de subir para a Série A’. Ele tinha toda razão”, admitiu.

Moisés foi recebido com certa desconfiança e com um contrato que vencia no final do Estadual. “Era um grande desafio porque precisava mostrar serviço rápido. Fui bem, renovei até o final do ano e evoluí muito”, agradeceu.

“Cheguei desacreditado porque era garoto e não tinha jogado no Corinthians. Como estavam na Série B, os torcedores esperavam um cara mais experiente e de nome. Eu consegui dar a resposta dentro de campo”, bradou.

Apesar de ter feito uma campanha irregular na Série B, o Bahia conseguiu o acesso para a elite e Moisés se destacou.

“Eu recebo muitas mensagens de torcedores do Bahia. Sou muito grato ao clube e aos torcedores. Fiz um bom trabalho. Eu cheguei e caí nas graças da torcida por minha raça e espírito de luta. Os jogadores que vão para lá precisam disso”, contou.

Com a saída de Uendel para o Internacional, o lateral foi requisitado de volta pela equipe alvinegra.

“O Bahia queria me contratar, mas era o momento que teria uma chance no Corinthians. A diretoria não me liberou e achei que era para permanecer”, explicou.

Após o jogador assinar com o empresário Giuliano Bertolucci, apareceu uma oferta do CSKA Moscou, da Rússia, no começo deste 2017.

“Tinha um interesse muito grande do CSKA, mas não deu certo. Só tinha eu de lateral porque o Arana estava na seleção Sub-20. O que me falaram foi que os valores não agradaram tanto ao Corinthians”, falou.

“Estava focado no Corinthians e fiquei feliz com reconhecimento. Era um proposta boa para mim na parte financeira. Foi por causa de tudo que fiz na Série B que isso aconteceu”, disse o jogador, que renovou contrato com o time alvinegro por mais dois anos.

Em 2017, porém, ele foi reserva de Guilherme Arana, que foi um dos destaques da equipe na conquista do Brasileiro e do Paulista.

No ano seguinte, Moisés foi para o Botafogo e conseguiu ter uma grande sequência de jogos. Neste ano, ele retornou ao Bahia, clube no qual viveu a melhor fase da carreira.

Agora, o lateral sonha em conquistar objetivos maiores pelo time de Salvador.

"O Bahia é um clube gigante, que vem demonstrando a sua força a cada temporada e fazer parte dessa história é gratificante. Me sinto em casa aqui e espero que a gente conquiste nossos objetivos, que agora é pensar em uma vaga na Copa Libertadores do próximo ano. Sonho em conquistar muitas coisas boas com essa camisa”, finalizou.