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Alemanha à la 7 a 1: goleiros batendo boca, vaga no tapetão e agora guerra entre Bayern e federação

“A frieza e a organização alemã...”

Não foram poucos os elogios que a Alemanha recebeu em 2014, quando veio ao Brasil, conquistou a população local, destruiu os donos da casa na semifinal por 7 a 1 e ainda levantou sua quarta Copa do Mundo. Bom, esse não é mais o caso.

A organização foi por água abaixo, com eliminação frustrante na primeira fase do Mundial da Rússia e rebaixamento na Liga das Nações da Uefa. O que apareceu, na verdade, foram os bastidores, com uma virada de mesa que manteve a seleção na primeira divisão no melhor “jeitinho brasileiro”.

A frieza também não se vê mais, com guerra entre a federação e o principal clube do país e diversos problemas no vestiário. Tem até jogador ‘lavando roupa suja’ na imprensa, e não internamente.

A Alemanha, quem diria, vive um momento “à la 7 a 1”.

Vaga no tapetão

Depois de terminar a Copa do Mundo na última colocação do grupo F, perdendo para México e Coreia do Sul, a Alemanha amargou outra decepção na competição seguinte.

Na primeira edição da Liga das Nações da Uefa, ainda em 2018, os germânicos apanharam no grupo 1. Com Holanda e França na chave, acumularam dois empates e duas derrotas, ficando com o último lugar e sendo rebaixada à segunda divisão da competição.

Mas não por muito tempo.

Forte nos bastidores, a seleção foi ajudada pela reformulação da competição para sua segunda edição. Na última terça, a Uefa selou a ampliação da Liga das Nações, que agora terá 16 equipes em cada uma das três primeiras divisões, em vez de 12, como era antes.

Com isso, Alemanha, Islândia, Polônia e Croácia, que haviam sido rebaixadas, disputarão a primeira divisão mais uma vez em 2020/21, junto com as promovidas Dinamarca, Suécia, Ucrânia e Bósnia-Herzegovina.

Bate-boca na imprensa

O elenco alemão não é mais coeso. E os problemas do vestiário já não são mais resolvidos internamente, com atletas indo à imprensa para fazer valer seus desejos.

O caso mais recente é dos goleiros. Titular absoluto do Barcelona e fazendo grandes temporadas, Ter Stegen não está contente com a reserva da seleção. E deixou isso claro aos jornalistas.

“Uma pancada enorme”. Assim definiu o goleiro sobre seu sentimento de não jogar nenhum dos 180 minutos da última data Fifa, nas eliminatórias da Eurocopa, contra Holanda e Irlanda do Norte.

Neuer não gostou e respondeu – também pela imprensa – dizendo que os comentários de seu reserva não ajudavam em nada e eram desrespeitosos com outros candidatos à posição, como Trapp e Leno.

Ter Stegen ainda deu a tréplica, chamando a resposta de Neuer de “inapropriada”.

E até o presidente do Bayern de Munique entrou na discussão...

Guerra entre Bayern e federação

A relação entre a DFB (federação alemã) e o principal clube do país também não é nada harmônica.

Nesta quarta-feira, por exemplo, foi publicada uma declaração do presidente do Bayern de Munique ameaçando não ceder mais jogadores à seleção.

O motivo? Se seu goleiro, Neuer, perder a posição para Ter Stegen.

“Nunca aceitaremos uma mudança de goleiro”, disse Uli Hoeness. Não, ele não tem poder sobre a escalação de Joachim Low, e também não pode se recusar a ceder jogadores em Data Fifa, segundo os regulamentos da própria entidade. Mas ele pode pressionar.

Posteriormente, Hoeness voltou atrás em sua declaração.

A relação conturbada não vem de hoje. Após o fracasso na Copa do Mundo, Low começou uma reformulação na seleção. Oficialmente, ele informou que três jogadores não faziam mais parte dos planos: Thomas Muller, Jerome Boateng e Mats Hummels.

À época, todos eram jogadores do Bayern de Munique. E isso não foi bem recebido.

O clube divulgou até um comunicado oficial criticando a decisão “questionável” do treinador, especialmente pelo momento.

Low apareceu no centro de treinamento do Bayern de Munique – sem avisar – para comunicar pessoalmente a decisão aos três atletas, logo antes da partida de oitavas de final da Champions League diante do Liverpool.

O Bayern acabou eliminado, assim como Borussia Dortmund e Schalke 04, na primeira fase de mata-mata, e nenhum alemão esteve entre os oito melhores da Europa.

Que fase da Alemanha...