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Campeão da Copa do Brasil pelo Atlético-MG diz como é jogar na Argentina: 'Aqui juiz não marca faltinha'

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Sul-Americana: veja os palpites do Linha de Passe para Atlético-MG x Colón (0:30)

Clubes se enfrentam na partida de volta da semifinal do torneio, em Belo Horizonte (0:30)

Campeão da Copa do Brasil de 2014 pelo Atlético-MG e ex-capitão do Bahia, o zagueiro Tiago Pagnussat joga atualmente pelo Lanús, da Argentina. Desde que chegou ao novo país, o defensor brasileiro precisou de um tempo para se acostumar com as diferenças do futebol argentino em relação ao brasileiro.

"No Brasil, a gente não consegue descansar e trabalhar para um jogo porque jogamos muitas vezes no meio da semana e no final de semana. O jogo acabava algumas vezes acaba sendo mais cadenciado. Aqui não é assim, você tem a semana toda antes de uma partida. É muito mais intenso, não tem faltinha. Não adianta cair porque o juiz não marca. A velocidade do jogo é muito acima do que estamos acostumados no Brasil, isso foi difícil para mim. Muitos contra-ataques, não tem muitas jogada laterais, a maioria é vertical em direção ao gol", disse, ao ESPN.com.br.

Tiago conhece bem o Colón, adversário do Atlético-MG na semifinal da Copa Sul-Americana, nesta quinta-feira, no Mineirão, em Belo Horizonte. Na partida de ida, os argentinos venceram de virada por 2 a 1 no estádio Brigadier General Estanislao López, conhecido como 'Cemitério dos Elefantes', em Santa Fé.

Ele acredita que os brasileiros terão vida dura para chegarem à final.

"O Colón é uma equipe que está ano meio da tabela no Argentino. Nós os derrotamos por 3 a 2 no domingo, mas eles vieram com um time alternativo. O Atlético-MG ter precisa muito cuidado porque eles vão até o último minuto acreditando que vão conseguir o resultado. O principal destaque deles é Luis Rodríguez, o camisa 10, que até fez gol no jogo de ida", afirmou.

Veja a entrevista com Tiago:

Como surgiu o Lanús na sua vida? Não é muito comum ver brasileiros na Argentina...
Eu sou o único brasileiro jogando na 1ª divisão da argentina. O convite veio por meio de um empresário uruguaio que me disse que havia uma situação. De primeiro momento eu achei estranho porque não tinha referência nenhuma de primeiro momento, apesar de ser um clube conhecido. Pensei muito com a minha esposa e acabei aceitando o desafio. Não foi fácil, mas acabei aceitando e queria outras coisas para a minha carreia. Estou trabalhando forte e treinado bem.

Como foi a adaptação?
Foi mais difícil do que eu imaginava. Eu convivia com alguns argentinos e colombianos no Brasil e achei que ia chegar falando espanhol tranquilo me comunicaria, mas não foi assim. Muda muito a forma de jogar, o modo e que eles enxergam o futebol é diferente. Aqui eles jogam só uma vez por semana e são muito intensos mesmo. Acabei tendo um pouco de dificuldade, mas estou bem adaptado fisicamente muito melhor do que quando cheguei. Aqui se não estiver 100% você não joga.

O clube e os colegas de time te ajudaram nisso ou sofreu preconceito?
Isso foi um ponto muito positivo., fui muito bem acolhido no clube. Todos queriam saber se estava bem instalado, no apartamento com a minha família. Fui bem acolhido e os companheiros me ajudaram muito. Aprendi na marra o espanhol (risos). No começo eu não entendia nada, ia pegando as palavras. Quando vi estava falando um portunhol que eles entendem.

Quais os maiores destaques da sua equipe?
Nosso time tem muitos jogadores promissores da base e que muitos times grandes estão de olho. Os mais conhecidos são mais experientes, como Acosta, que jogou no Sevilla e tem uma estátua aqui. O Outro é o Jose Sand, que tem 39 anos e está a um gol para ser o maior artilheiro da história do time. São dois jogadores consagrados.

Qual o time mais duro que enfrentou?
Eu achei o ataque do Vélez muito duro. Nós fomos eliminados na Superliga por eles e foram jogos difíceis.

Quais as maiores diferenças entre o futebol argentino e brasileiro?
No Brasil, a gente não consegue descansar e trabalhar para um jogo porque jogamos muitas vezes no meio da semana e no final de semana. O jogo acabava algumas vezes acaba sendo mais cadenciado. Aqui não é assim, você tem a semana toda antes de uma partida. É muito mais intenso, não tem faltinha. Não adianta cair porque o juiz não marca. A velocidade do jogo é muito acima do que estamos acostumados no Brasil, isso foi difícil para mim. Muitos contra-ataques, não tem muitas jogada laterais, a maioria é vertical em direção ao gol.

Como é o Colón, adversário do Atlético-MG na Sul-Americana?
O Colón é uma equipe que está ano meio da tabela no Argentino. Nós os derrotamos por 3 a 2 no domingo, mas eles vieram com um time alternativo. O Atlético-MG ter precisa muito cuidado porque eles vão até o último minuto acreditando que vão conseguir o resultado. O principal destaque deles é Luis Rodríguez, o camisa 10, que até fez gol no jogo de ida.

Vê as partidas do Atlético-MG por aí?
Eu acompanho bastante o Atlético-MG porque foi um time que joguei fui campeão da Copa do Brasil e conquistei o Estadual. Não tem como não ver!

Como é a vida na Argentina? Está curtindo?
Moro Em Buenos Aires no bairro de Puerto Madero e encontro com muitos brasileiros (risos). A cidade é muito grande e boa para se morar, tem opções de lazer. Eu consigo aproveitar porque jogamos menos vezes. Como umas carnes boas, a parrilla é sensacional e minha família gosta bastante. Lanús fica na região metropolitana e são uns 20 minutos no máximo de carro.

Como está sua situação por aí? Tem planos de voltar ao Brasil?
Tenho contrato até junho do ano que vem, quando encerra a temporada. Depois, estaria livre para retornar ao Brasil, mas vamos ver como será no final do ano. Ainda não tive uma sequência muito boa de jogos e dependendo de como for no final do ano vamos analisar as situações.