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Allan encantou Klopp no Liverpool, mas não teve chances; hoje, dá volta por cima no Fluminense

Allan reencontrou a alegria com a profissão desde que chegou ao Fluminense, no começo deste ano. Após passar por um período dificil na Europa, ele virou presença na seleção olímpica e mostrou o potencial que fez o Liverpool contratá-lo com apenas 18 anos.

O volante foi um dos destaques da vitória sobre o Corinthians e entrou na seleção da 19ª rodada do Brasileirão no 50º prêmio ESPN Bola de Prata Sportingbet.

"Estou recebendo a ajuda de todos. Essa volta passa por funcionários e jogadores. Estou tendo prazer agora em jogar futebol", disse, à ESPN.

Quem conviveu com o jogador percebe a mudança realizada na volta ao Brasil.

“Há mais ou menos nove meses atrás eu te encontrava em um estado depressivo, cabisbaixo, triste com o futebol e até falando em uma nova profissão. Eu já me encontrava no mesmo estado que tu. Afinal, teus sonhos são os meus também, tua profissão é minha, tua felicidade é minha", postou Jordana Von Holleben, esposa do jogador, no Instagram.

O garoto nascido em Araçatuba, interior de São Paulo, começou como meia em times como Tanabi e Mirassol antes de ir para a base do Internacional. Depois, foi comprado pelo Liverpool em 2015, com apenas 18 anos, por cerca de 500 mil libras.

Nos Reds, porém, ele não conseguiu visto de trabalho da Federação Inglesa e acabou emprestado ao Seinäjoen Jalkapallokerho (SJK), da Finlândia.

Allan assinou contrato faltando apenas três horas para o fechamento da janela de transferências e estreou na equipe apenas três dias depois. Em pouco tempo, porém, virou um dos principais jogadores do time na conquista da Liga Finlandesa.

Fora de campo, ele sofria com a solidão (era o único brasileiro da equipe) e estudava inglês para tentar se comunicar no país.

Encantou Klopp

No meio de 2015, ele voltou ao Liverpool para a temporada e encantou Jurgen Klopp.

“Eu o vi treinando e pensei: ‘Oh meu Deus, o que podemos fazer para manter esse garoto aqui e colocá-lo para jogar?’ Ele tem 19 anos, um talento incrível, um bom jogador, com boa postura, todo mundo o ama, é um bom garoto. Realmente ótimo. Um jogador inteligente”, disse Klopp, ao site oficial dos Reds.

O problema é que o brasileiro não poderia atuar na Premier League por causa da burocracia.

“Quando cheguei aqui, um ou dois meses depois, Allan estava aqui e perguntei: ‘Quem é este?’. ‘É um jogador nosso e há algumas semanas foi campeão na Finlândia’. ‘Interessante, mas por que ele não joga aqui?’ ‘Não é possível’. E então soube das regras”, completou o técnico.

O meio-campista passou a ser emprestado sucessivamente: Sint-Truiden, da Bélgica; Hertha Berlim, da Alemanha; Apollon Limassol, do Chipre; e Eintracht Frankfurt, da Alemanha.

Em quatro anos, ele morou em cinco países diferentes. A vida de jovem cigano da bola, porém, fez muito mal ao jovem.

“Ninguém sabe o que era nossa vida há nove meses, o vazio, a tristeza e a angústia. Tinha dias que nem nos falávamos porque ele sempre fechado e eu já não tinha mais palavras, já não sabia mais o que fazer. Queria eu que fosse conto de fadas como todos pensam e falam", afirmou Jordana.

“É difícil para uns entender que por trás de cada 'atleta' tem sentimentos, tem uma família que depende da alegria dele, tem fraqueza, tem psicológico abalado, tem dias ruins. Não são máquinas. Por isso que a motivação e compreensão é o segredo. E é só o que eles precisam", postou a esposa do volante.

No retorno ao Brasil por empréstimo ao Fluminense, Allan passou a chamar atenção. O volante, que participou do Sul-Americano sub-20 em 2017, foi chamado para a seleção olímpica e vive o sonho de estar nos jogos de Tóquio em 2020.

"Obrigada ao Fluminense, Diniz, a cada torcedor tricolor e aos colegas de trabalho do Allan por ter ajudado ele a retomar a alegria e confiança dentro do campo. Minha gratidão eterna! Que bom ver esse sorriso de novo, meu menino!", escreveu Jordana.