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Edenílson era office boy 'distraído' e não queria ser jogador; agora é destaque do Inter finalista da Copa do Brasil

Hoje titular do Internacional e destaque na temporada, Edenílson não pensava em ser jogador de futebol. O atleta, que irá disputar a primeira partida da final da Copa do Brasil contra o Athletico Paranaense, nesta quarta-feira, trabalhou por um bom tempo como office boy.

Ele até jogava sua pelada e não gostava muito do emprego, mas foi só por insistência de seu irmão, que acabou virando atleta profissional.

"Eu comecei tarde no futebol. Jogava na várzea em final de semana, mas não tinha interesse em fazer testes em clubes. Era office boy de uma empresa de oftalmologia, buscava pacotes, óculos, lentes de contato e fazia pagamentos nos bancos. Meu irmão mais velho tentava ser jogador e naquela época ele estava atuando no Guarani de Venâncio Ayres. Um dia, ele perguntou se eu gostava do meu trabalho, e eu disse que não. Aí ele me arrumou um teste na base lá e eu passei de primeira, acredita?", narrou, à Rádio ESPN, em 2015.

"E ainda bem, viu? Porque eu não gostava de ser office boy, perdia muita coisa e tinha que voltar, sempre esquecia os documentos, dinheiro, outras coisas. Era muito distraído! E eu ainda tinha que estudar depois. A escola era ao lado do meu serviço, mas muitas vezes eu ia pra casa direto porque estava cansado (risos)", brincou.

O irmão de Edenílson tentou, tentou e tentou, mas nunca conseguiu se tornar profissional, mas o volante teve uma trajetória meteórica. Do Guarani de Venâncio Ayres, foi para o Caxias, clube no qual despertou a atenção de Internacional, Palmeiras e Corinthians.

"Fui para Porto Alegre achando que ia fechar com o Palmeiras. Aí, no aeroporto, escutei uma entrevista do Andrés anunciando a minha contratação após o título do Paulistão de 2011. E eu com as malas prontas para o Palmeiras! Foi quando encontrei meu empresário e ele me disse que estava fechando com o Corinthians", revelou Edenílson.

Segundo o volante, o que causou a reviravolta foi obra do acaso.

"Meu empresário, Jorge Machado, estava numa viagem com o Duílio Monteiro Alves [então diretor corintiano] ajudando na negociação do meia Alex da Rússia. No avião, já voltando ao Brasil, o Jorge mostrou meu DVD ao Duílio, que gostou e falou para o Tite. Como o Tite é de Caxias e tem família lá, pediu informações minhas e acabou que deu certo a negociação", contou.

Em três anos de Corinthians, Edenílson alternou entre titularidade e banco, mas foi peça importante na conquista de grandes títulos, até ser negociado com a Udinese, em 2014. Apesar de ter sido campeão do mundo, a taça favorita do meio-campista foi a da Libertadores.

"Todos os títulos foram especiais, mas a Libertadores foi o mais legal, porque foi inédito. O grupo era muito bom, éramos muito unidos. Depois do lanche da noite, ficávamos até tarde na concentração conversando, contando piadas...", lembrou.

Depois, começou sua aventura no futebol europeu. Ele passou por Udinese, e Genoa antes de chegar ao Internacional, em 2017.

"Ano passado demos um grande salto. Conquistamos a vaga direta na Libertadores, as oitavas da Copa do Brasil. Pulamos etapas. Em um ano de reconquistar confiança, demos uma resposta positiva. O título, se vier, será uma cereja do bolo e faremos tudo para conquistá-lo", disse o jogador em entrevista coletiva nesta segunda-feira.

Com muitos títulos na carreira, Edenílson nunca venceu a Copa do Brasil na coleção.

"A carreira do jogador vive de títulos. Grandes nomes não conquistaram a Copa do Brasil. É um campeonato difícil. Nunca cheguei à final. Não será só a minha glória, mas de todo o colorado, o torcedor. Faz muito tempo que o Inter não conquista. Há 10 anos não chega à final", completou.